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Estas Estórias

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Os originais dos contos que integram este livro foram localizados ainda em versões manuscritas e datiloscritas entre os pertences de Guimarães Rosa após seu falecimento. Publicado em 1969, Estas estórias traz oito narrativas longas, além da ?entrevista-retrato? intitulada ?Com o vaqueiro Mariano?.

Mantendo a excelência narrativa que marcou a escrita rosiana, os contos justificam sua publicação. Em ?A estória do homem do Pinguelo?, temos a presença simultânea de dois narradores, um de personalidade culta e outro de perfil mais simples, com linguagem marcadamente popular. No conto ?Meu tio o Iauaretê, o narrador-protagonista é um homem do sertão que, ao caçar onças, acaba por se identificar com o universo animal mais do que poderíamos imaginar.

A edição da Global traz ao fim um texto de Walnice Nogueira Galvão, crítica literária e especialista na obra de Guimarães Rosa, intitulado ?O impossível retorno?

272 pages, Paperback

First published January 1, 1967

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About the author

João Guimarães Rosa

94 books709 followers
João Guimarães Rosa (27 June 1908 - 19 November 1967) was a Brazilian novelist, considered by many to be one of the greatest Brazilian novelists born in the 20th century. His best-known work is the novel Grande Sertão: Veredas (translated as The Devil to Pay in the Backlands). Some people consider this to be the Brazilian equivalent of Ulysses.

Guimarães Rosa was born in Cordisburgo in the state of Minas Gerais, the first of six children of Florduardo Pinto Rosa (nicknamed "seu Fulô") and D. Francisca Guimarães Rosa ("Chiquitinha").
He was self-taught in many areas and from childhood studied many languages, starting with French before he was seven years old.
Still a child, he moved to his grandparents' house in Belo Horizonte, where he finished primary school. He began his secondary schooling at the Santo Antônio College in São João del Rei, but soon returned to Belo Horizonte, where he graduated. In 1925, at only 16, he applied for what was then called the College of Medicine of Minas Gerais University.
On June 27, 1930, he married Lígia Cabral Penna, a girl of only 16, with whom he had two daughters, Vilma and Agnes. In that same year he graduated and began his medical practice in Itaguara, then in the municipality of Itauna, in Minas Gerais, where he stayed about two years. It is in this town that he had his first contact with elements from the sertão (semi-arid Brazilian outback), which would serve as reference and inspiration in many of his works.
Back in Itaguara, Guimarães Rosa served as a volunteer doctor of the Public Force (Força Pública) in the Constitutionalist Revolution of 1932, heading to the so-called Tunel sector in Passa-Quatro, Minas Gerais, where he came into contact with the future president Juscelino Kubitschek, at that time the chief doctor of the Blood Hospital. Later he became a civil servant through examination. In 1933, he went to Barbacena in the position of Doctor of the 9th Armed Battalion (Official Médico do 9º Batalhão de Infantaria). Most of his life was spent as a Brazilian diplomat in Europe and Latin America. In 1938 he served as assistant-Consul im Hamburg, Germany, wher he met his future second wife, the Righteous Among the Nations Aracy de Carvalho Guimarães Rosa
In 1963, he was chosen by unanimous vote to enter the Academia Brasileira de Letras (Brazilian Academy of Letters) in his second candidacy. After postponing for 4 years, he finally assumed his position only in 1967: just three days before passing away in the city of Rio de Janeiro, victim of a heart attack. His masterpiece is The Devil to Pay in the Backlands. In this novel, Riobaldo, a jagunço is torn between two loves: Diadorim, supposedly another jagunço, and Otacília, an ordinary beauty from the backlands. Following his own existential quest, he contemplates making a deal with Lucifer in order to eliminate Hermogenes, his nemesis. One could say that Sertão (the backlands) represents the whole Universe and the mission of Riobaldo is to pursue its travessia, or crossing, seeking answers for the metaphysical questions faced by mankind. In this sense he is an incarnation of the classical hero in the Brazilian backlands.
Guimaraes Rosa died at the summit of his diplomatic and literary career. He was 59.

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Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Pedro Pacifico Book.ster.
411 reviews7,224 followers
June 16, 2021
Um dos principais nomes da literatura nacional, Guimarães Rosa é conhecido por sua habilidade em criar a partir do uso da língua portuguesa e de criativas formas de narrativa. É como se cada palavra, muitas delas inventadas pelo autor, tivesse sido escolhida a dedo para estar naquela parte do texto. As diferentes formas narrativas utilizadas pelo autor, por sua vez, exigem uma leitura bem mais atenta e bastante paciência do leitor para aproveitar as páginas… Mas a verdade é que quando você pega o ritmo da leitura, a genialidade de Guimarães Rosa fica escancarada.

Na leitura de “Estas estórias”, composta por contos publicados após a morte do autor, nós podemos aproveitar muito das características marcante de sua obra. Até então, só havia lido “Primeiras estórias” de Guimarães Rosa, mas confesso que, na época, senti bem mais dificuldade de engatar e aproveitar a leitura. A experiência não foi tão boa para mim! Agora, não sei se por conta do conteúdo dos contos em si, ou se estou mais maduro para conseguir fazer a leitura, mas é inegável que consegui me aproximar muito mais da escrita do autor. Assim, recomendo esse livro para quem ainda não se aventurou nas palavras do autor.

Ah, por ser um livro de contos, é inviável falar da narrativa de cada um dos nove textos que compõem a obra. Cada um tem seus destaques e mostra diferentes habilidade do autor. Por isso, deixo aqui a lista com os meus três favoritos: “A simples e exata estória do burrinho do Comandante”, “Meu tio o Iauaretê” e “Bicho Mau”. Inclusive, vale o destaque ao “Meu tio o Iauaretê”, em que o leitor já pode identificar a forma narrativa que Guimarães Rosa utiliza em sua obra mais famosa: "Grande Sertão: Veredas”.

E você, já leu JGR? Qual você indica para começar? E, por fim, não da para deixar de elogiar a capa maravilhosa que estampa a edição da @globaleditora.

Nota 9/10

Leia mais resenhas em https://www.instagram.com/book.ster/
Profile Image for Carmo.
751 reviews595 followers
February 28, 2023
São oito contos retirados da gaveta após a morte de Guimarães Rosa pela sua filha e reunidos neste livro. Foram publicados tal como estavam: sem revisão e/ou inacabados. Alguns achei confusos e arrastados, mas Páramo, trouxe de volta o Rosa que me vem encantando há anos, com uma nostalgia comparável à que encontrei em A Terceira Margem do Rio, que foi a minha estreia com o autor e que se mantém no topo dos favoritos.
Profile Image for carpe librorum :).
757 reviews56 followers
Read
September 13, 2017
Encontrei-o na biblioteca de Porto Covo quando estive por lá de férias. Queria ler alguma coisa deste autor há algum tempo, pois foi uma das influências do Ondjaki, escritor de quem gosto muitíssimo. Consigo entender a poesia na prosa, mas ele usa temas e palavras que não me são familiares, não foi uma leitura fácil, embora melodiosa. Não consegui terminar de ler todas as histórias, pois tive de devolver o livro quando me vim embora. Não é uma boa leitura de praia, mas se o encontrar de novo, sou capaz de ler o resto. Adorei a história dos chapéus, fartei-me de rir com um olho no penico!
Profile Image for Gabriel Lando.
12 reviews
October 1, 2018
"Meu tio o Iauaretê" e "Páramo" sem dúvida figuram entre os mais incríveis contos de Guimarães Rosa: o primeiro pela imersão absurda à qual sujeita o leitor, que antecipa e se arrepia pelo final a vir; o segundo pela quebra da estilística habitual de Rosa lançando o leitor a um ermo nostálgico e frio no coração dos Andes, com narrativa depressiva e mais linear do que o habitual.

Os outros contos, ao meu ver, são medianos. Alguns, como "O dar das pedras brilhantes", deixam muito a desejar.
Profile Image for Camila.
140 reviews2 followers
March 30, 2021
Guimarães foi autor do melhor livro que li em 2020, e em 2021 não ficou muito pra trás: Estas Estórias é uma coletânea de contos que permanecem na mente por muito tempo – inclusive, com pautas tão atuais que chega a ser chocante. Separei as estórias que mais me marcaram e preciso falar sobre elas:

“Os chapéus transeuntes”: meu deus, o que foi esse conto? Em plena pandemia e no meio de um desgoverno, me pego lendo sobre como o ser humano é frágil e mortal, mas vive se esquecendo disso. Um lembrete sobre nossa suposta superioridade como seres vivos e os males que isso causa. E também não deixamos de ter ávidas críticas contra o machismo em plena década de 60.

“Entremeio — com o vaqueiro Mariano”: esse foi tão emocionante que parece vídeo de bichinho. E é mais ou menos sobre isso mesmo: empatia com os animais. Ninguém melhor que João pra fazer o leitor torcer por um bezerrinho que quer leite da mãe (e que devia ser seu cof cof)

“Páramo”: diferente dos outros contos do livro, mas ainda assim parecido??? Uma narrativa sobre “a morte antes da morte”, parece metaforizar a depressão. A metáfora feita com o título é sensacional. João inventou de morrer antes de preencher uma parte crucial do conto, mas é incrivel mesmo assim.
Profile Image for Marta D'Agord.
226 reviews17 followers
September 7, 2021
Publicação póstuma de obra que já estava anunciada pelo autor. Dessas, a estória Meu tio o Iaureté, já havia sido publicada em 1961. Essa edição conta com um ensaio crítico de W. Nogueira Falcão que aborda aspectos antropológicos e linguísticos, destacando paralelos com Grande Sertão Veredas.

Mas, nessa estória de transformação de si, não há pacto com o demônio, mas identificação com o outro perseguido, nessa aproximação cada vez maior ao outro, se alcança um hibridismo. A primeira estória, do burrinho e a segunda, dos chapéus transeuntes, têm em comum um final surpreendente, quando um problema é solucionado de modo criativo e serendipitoso.

A narrativa que tem por título Entremeio com o vaqueiro Mariano situa-se na visita do narrador ao pantanal onde é ciceroneado por um homem que vive em harmonia com natureza, para quem cada vaca e cada touro tem um nome próprio. Mariano humaniza e se humaniza como leitor dos signos do livro da natureza, além de ser paradigmático de uma narrativa que performa o narrador. Essas quatro estórias nos fazem refletir sobre um saber que não é transmissível. Já na Estória do Homem do Pinguelo, o narrador testemunha duas situações de fracasso e uma inversão de lugar. Quando assumir o lugar do outro é existencial e não metafórico.

Profile Image for ursodalua.
31 reviews
January 15, 2026
O conto "Meu tio o Iauaretê" é um dos mais impressionantes, possivelmente ajudou muito o escritor a tecer "Grande Sertão Veredas" em seu extenso e complexo diálogo.

Tive que aprender o vocabulário das onças para entender melhor alguns trechos rs mas em geral tudo é totalmente compreensível, talvez a dificuldade venha com o vocabulário próprio de Rosa (não sem razão tem um dicionário DAS OBRAS DELE, que homem).

Mas incrível como um só diálogo consegue ser dinâmico, pois se deduz o tom da conversa sendo traçada, e como esse mesmo diálogo consegue criar uma tensão em nós (leitores). Senti que estava num suspense nesse conto, sério.. não saberia nem como reagir na situação, porque se ficar é ruim, mas se correr parece ser pior, só que o medo todo sendo construído é o que gerou o final. Um fim ambíguo e de múltiplos sentidos, sim, mas atingido seu ápice com toda a narrativa.



Enfim, 5 estrelas!!

9 reviews
July 21, 2022
C'est un recueil qui fait exception dans l'oeuvre roséenne tant les nouvelles sont disparates tant au niveau du contenu que du niveau du domaine spatiale. Certaines nouvelles ne se déroulant pas dans son sertão mineiro, chose très très rare, à en dérouter l'habitué comme éventuellement tromper le novice.
L'oeuvre de Rosa étant tellement liée au sertão roséen !
Outre le déjà connu Mon oncle le Jaguar (ici dans une nouvelle traduction), d'autres nouvelles sont cependant à lire comme "Paramo", le très court "Mauvaise bête" et les très jolis "Chapeaux itinérants" et "Don des pierres brillantes".
Profile Image for Isabella Ferraz.
384 reviews1 follower
October 6, 2022
“Meu tio o Iauaretê” e “Páramo” carregaram o livro nas costas. Menção honrosa pra “Bicho mau” e “Retábulo de São Nunca”.
Profile Image for Juan V. Ruiz.
8 reviews
June 22, 2019
Minha introdução à obra de Guimarães Rosa.

E, por mais que já seja fã do cara simplesmente por sua história, humanidade e amor pelo Brasil de outrora, o Brasil dos sertões, não posso dizer que fui comprado totalmente por este livro. Muitos contos beiram o regular até o puro tédio ("Chapéus Transeuntes", "Retábulo de São Nunca", "O Dar das Pedras Brilhantes"), com histórias boas/muito boas em menor número ("Bicho Mau", "Com o Vaqueiro Mariano"). A pérola fica por conta de "Meu Tio, o Iauaretê", um dos textos mais incríveis e imersivos que já li.
Profile Image for Guilherme.
96 reviews6 followers
November 2, 2016
A última obra (inacabada) de Guimarães Rosa é mais um atestado da grandeza absoluta do escritor. Seu poderio narrativo se mostra com toda a força nas 9 histórias que compõe do livro, mas talvez atinja o ápice em duas: a entrevista-relato "Entremeio: com o vaqueiro Mariano" e a novela inacabada "Páramo".
Achei impressionante esta última que mencionei pela diferença estilística e de enredo de outras narrativas de Rosa, lembrando, em certo sentido, as mais belas histórias filosóficas de Dostoiévski.
O estilo experimental e cativante das histórias só fortalece o ambiente magnífico das narrativas. Imperdível.
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