Edgar Wilson trabalha recolhendo animais mortos. Ele é responsável por levar as carcaças até um grande depósito onde um triturador dizima os despojos. Contudo, quando o país entra em colapso e começa a enfrentar situações cada vez mais inusitadas, ele acaba usando seu conhecimento para tentar dar sentido ao caos e encontrar uma forma de sobreviver à barbárie. Ao juntar-se a Bronco Gil e ao ex-padre Tomás, os três anti-heróis passam a rodar pelas estradas testemunhando a atração exercida pelo ocaso da realidade, desafiando tanto poderosos locais quanto instituições que não são bem o que eles imaginavam. Em um misto de romance de aventura e narrativa psicológica, Maia constrói personagens brutalizados, mas absolutamente humanos, que buscam seu lugar no mundo.
Ana Paula Maia (Nova Iguaçu, 1977) is a Brazilian writer, scriptwriter and musician.
During her adolescence she player at a punk rock band and studied piano. As a scriptwriter she took part in the script of the short film O entregador de pizza (2001), and along with Mauro Santa Cecilia and Ricardo Petraglia, she wrote the theatrical monologue O rei dos escombros assembled in 2003 by the Moacyr Chaves firm. She published her first novel under the title O habitante das falhas subterrâneas in 2003.
She is the author of the trilogy A saga dos brutos, started by the short novel Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos y O trabalho sujo dos outros —published in one volume— and concluded by the novel Carvão animal.
Influenced by Dostoievski, by Quentin Tarantino and Sergio Leone in her cinematography, and the pulp literature and series, her works are maked by the violence and the treatment of their characters, that often includes scatological elements.
Edgar Wilson está presente na literatura brasileira há mais de uma década. Personagem principal de Ana Paula Maia, anda por aí desde sua estreia em “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos” em formato de folhetim no site da autora. No capítulo anterior da saga, o premiado “Enterre seus mortos”, Edgar Wilson andava recolhendo cadáveres de animais na beira da estrada para jogá-los num moedor de carne quando encontra o corpo de uma mulher enforcada numa árvore. Disposto a dar ao corpo um destino digno, acaba conhecendo Padre Tomás, com quem se embrenha numa seara de situações nas quais a esperança é um recurso pra lá de escasso. Um sujeito violento, com um código moral e senso de fé próprios, Edgar Wilson começa “De cada quinhentos uma alma” no exato ponto onde terminou o livro anterior. Numa estrada onde um rebanho de ovelhas aparenta ter morrido de repente. É lá que reencontra Bronco Gil, personagem de olho de vidro que conhecera no matadouro do livro “De gados e homens” e que nesse meio tempo, pelo menos o tempo literário, trilhou seus próprios caminhos em “Assim na terra como embaixo da terra”, também premiado.
Embora a autora costume criar conexões entre suas histórias, sempre me pareceu possível ler seus livros em qualquer ordem, sem grande perda de entendimento. Com “De cada quinhentos uma alma”, o jogo mudou. Primeiro pelo óbvio motivo de ser a segunda parte da trilogia começada em “Enterre seus mortos”. Segundo porque há um bocado de referências a “De gados e homens” e “Assim na terra como embaixo da terra”, o que dá à história certo sentimento de conclusão de uma trama maior. Então, fica aqui a sugestão de começar pelos três anteriores.
Outra coisa que mudou foi a presença do sobrenatural na história. Edgar Wilson sempre sentiu que percebia algo que ninguém mais percebia, que algo maior se aproximava, o final de “De gado e homens” sendo um marco simbólico. No livro novo, porém, Ana Paula Maia parece disposta a dar um passo além na sua exposição do terror, talvez pelo recente trabalho de roteirista da série Desalma. Abelhas sumindo, bois se jogando de penhascos, humanos se jogando em abismos agora se somam a uma misteriosa pandemia varrendo a humanidade. Sim, esse é o livro de pandemia de Ana Paula Maia. Uma pandemia que aqui aparece na forma de um verdadeiro apocalipse bíblico, com direito a corpos de crianças possuídos e nuvens de gafanhoto varrendo os céus. Talvez esse elemento possa causar estranhamento os leitores mais antigos, essa fronteira cruzada com os dois pés. Como sou escritor e leitor de literatura especulativa, a mim só pareceu diferente. Não é como se os elementos presentes no apocalipse de “De quinhentos uma alma” não estivessem todos presentes no Brasil atual para os que acreditam no além tanto quanto para os céticos – cultos religiosos, imposição da lei do mais forte, desastres ambientais, militares descontrolados. O que é uma nuvem a mais de gafanhotos no meio disso?
Vir na esteira de “Enterre seus mortos”, um livro com a autora no ápice do seu jogo, não foi tarefa fácil. Mas quem de nós não anda cansado nesse país virulento e desgovernado, não é mesmo? Embora tenha seus bons momentos e críticas, o ponto forte para mim foi poder ver três personagens marcantes da autora, três dos seus sobreviventes, reunidos no mesmo livro. Como na HQ Preacher, esses três homens brutos, com referências bíblicas na ponta da língua, têm um gosto de família disfuncional que nos leva a torcer por eles. E a querer saber como um apocalipse Maia termina, no fim das contas.
Quando acabei o primeiro, confesso que não imaginava que teria continuação, mas amei saber que seria uma trilogia. Achei o primeiro volume um pouco mais instigante que esse, mas é simplesmente sensacional como o livro foi desenvolvido. O ritmo é maravilhoso, assim como os paralelos entre a história e nosso atual momento. Li super rápido e já quero o último.
Ao que parece, De cada quinhentos uma alma é o segundo volume da Trilogia do Fim, iniciada com Enterre seus mortos e concluída com Búfalos selvagens.
Pela amostra deste De cada quinhentos..., o universo de Ana Paula Maia é árido, violento e profundamente simbólico. O cenário é de destruição, de fé distorcida, onde os homens lutam para sobreviver entre ruínas e cinzas.
Desde que a epidemia se instalou, as estradas estão desertas, assim como ruas, praças e parques. As fronteiras, fechadas, e o abastecimento, comprometido. A escassez começa a dar passagem ao desespero. Nas últimas três semanas, raramente um automóvel é visto a circular por essas bandas. Com a epidemia veio o isolamento. Com o isolamento, o silêncio. As explosões nas pedreiras cessaram e nem o cricrilar de um grilo ou o mugido de uma vaca se fazem ouvir. Quem não suporta a si mesmo compreenderá que o inferno não são os outros, nem está nas profundezas dos abismos.
A escrita é seca, precisa e muito visual. Ainda assim, não consegui envolver-me totalmente. Senti que andávamos à deriva – talvez propositadamente – passando de um cenário para outro, todos marcados pelo caos, sem que nenhum se destacasse ou trouxesse verdadeiro sentido à errância das personagens.
Em qualquer outro momento das suas vidas, eles seriam parados e presos por transportarem uma centena de corpos. Mas hoje é diferente. Possuem licença para passar justamente por estarem a conduzir os mortos para um destino que relutam em acreditar, mas que começa a concretizar-se à medida que avançam pela estrada e veem, no horizonte, a densa fumaça negra a subir ao céu e a dissipar-se antes de tocar a nuvem mais alta.
Apesar da atmosfera bem construída, faltou-me algo. Não consegui criar empatia com Edgar Wilson, Bronco Gil ou o ex-padre Tomás; a violência constante, quase ritual, acaba por afastar, e a sucessão de situações absurdas reforça a sensação de estranheza e distância.
Quando partiam para a guerra, os soldados repartiam as sobras da batalha, os bens conquistados com a vitória sobre o adversário. Eram os espólios de guerra. Fosse ouro, fossem armas. Até mesmo mulheres e gado. São esses os tributos dos homens de guerra. Assim era ordenado pelo Senhor que os homens que pelejavam em Seu nome, quando vitoriosos, deveriam repartir os bens conquistados na batalha travada consigo. “De cada quinhentos uma alma”; tanto dos homens como dos bois, dos jumentos e das ovelhas. Tudo era repartido com o Senhor. A alma de homens, de bois, de jumentos e de ovelhas. Tudo o que era repartido deveria ser sacrificado. Com o sangue derramado em combate, também se derrama sangue em reverência a Deus, tornando sagrados o combate, os espólios e a guerra.
Hm. Gosto muito dos personagens de Edgar, Tomás e Bronco, gosto da atmosfera, gosto da trama quase sem rumo, que passa muito bem a sensação de fim dos tempos, mas algo importante se perdeu entre "Enterre seus mortos" e "De cada quinhentos uma alma". O primeiro tinha uma sutileza bruta muito boa de acompanhar, que faz o livro crescer depois de acabar a leitura, enquanto o segundo pesa a mão num catolicismo meio cafona e que, ao meu ver, foi pra lugares mais óbvios.
Curti bastante o final, porém, o que me deixa com mais esperanças pro próximo.
Enquanto Enterre Seus Mortos pareceu apático e monótono, esse não tem nada disso. A história se desenvolve rapidamente e com elementos novos a cada página e entrei de cabeça as vezes segurando a respiração de tão tensa. Maravilhoso!
Extremamente gráfico para quem não gosta de ler coisas macabras, de matança de animais, suicídio, necrotério, bíblico. Incrível como a natureza fala com a gente o tempo inteiro, e nós acabamos com ela e não tem como ela responder de maneira diferente. Mas a escrita é excelente, muito orgulho por ser de uma autora brasileira escrevendo horror. Apocalíptico, filosófico, personagens muito interessantes, e eu não sabia que era continuação do livro ''enterre seus mortos'', que quero ler em breve, para saber mais dos personagens!.
É o apocalipse de Ana Paula Maia. É o noir brasileiro. Delicia de leitura. Minha única crítica é que acaba haha
Muito bom como ela conecta os acontecimentos de livros anteriores sem ficar ininteligível pra que não os leu. Ambientação maravilhosa. Personagens super complexos! Muito muito bom
Absurdamente bom. Unindo-se aos dois romances anteriores, igualmente bons, esse aqui adota todo um clima apocalíptico totalmente conciso e bem vindo. Mais brutal e sobrenatural, o que parece estranho, perto do quão "pé no chão" foi "enterre seus mortos" e "assim na terra como embaixo da terra", Ana Paula Maia desfila seu estilo seco e duro. É possível até olhar para os romances anteriores com outros olhos depois deste aqui. Firme, duro e seco. Mal posso esperar pelo próximo.
Temía que haber iniciado la lectura de esta autora con este libro sería un problema, pero por suerte mi decepción es sobre el estilo de la narración por sobre cualquier otro aspecto.
Un poco de la intención del libro se logra entrever, pero en cuanto a exploración de temas o desarrollo de personajes, nunca encontré un solo hueso que pudiese morder. Es un libro árido, mecánico, donde la perspectiva de los personajes se presenta en pensamientos informados por el narrador, pero se mantiene divorciado de quiénes son los personajes cuando abren la boca y sueltan un diálogo a lo CSI Miami.
Luego de terminar el libro busqué entrevistas con la autora y no me sorprendió ver que ha trabajado como guionista. El libro es esencialmente eso, un guión interesante, con el formato un poco diferente, pero vacío de los elementos necesarios para agregarle magia o ritmo o interés. Es una decepción, porque la idea general prometía mucho.
Pandemia, confinamiento, apocalipsis, posesiones, siniestros planes militares... Todo en "De cada quinientos un alma" (uno de los mejores títulos que he visto en mucho tiempo) es excesivo, exagerado y desmedido, mucho más si tenemos en cuenta que por extensión y concepción es más un relato que una novela.
Con esa escasa duración y esa temática era fácil que todo saliese mal, pero Ana Paula Maia lleva la narración a un terreno personal, ambiguo e intrigante que le sienta de maravilla. Suena muy topicazo, pero creo que el hecho de ser brasileña le da ese toque estilo realismo mágico apocalíptico (hermoso concepto) que le hace atractivo.
Tampoco es que sea una obra maestra, ni mucho menos, pero me ha descubierto una autora a la que habrá que tener en cuenta. Manejar un material tan peligroso y salir con éxito del empeño no lo hace cualquiera.
A veces sentía que estaba "leyendo" una película. Los diálogos, la construcción de las imágenes, la duración de los capítulos, la acción constante y sonante. Me pregunto si se podría decir lo contrario al ver una película, imaginar que se está leyendo una novela por medio de los planos, del montaje, de la luz que ilumina a los personajes
[Portuguese version below] This was my first book by Ana Paula Maia. It would have made more sense to follow the natural order of the trilogy, or even the chronological sequence of her publications. I didn’t. It wasn’t a problem because this powerful story stands on its own. I could see some connections to her other books, which I plan to read. And the effect was, simply, an urgent desire to read the rest.
I believe this book can be categorized as dirty realism, with its stripped-down, dry language depicting tough places, people, and professions. Raw, marginal, brutal realities. Places we do not wish to visit, that we prefer to ignore — decimated villages, slaughterhouses turned into incinerators of corpses. In this book, that is combined with an apocalyptic context: an epidemic that wipes out animals and, gradually, humans as well. A narrative that intersects with biblical passages from Revelation, with belief/disbelief in the divine and in salvation.
The writing is fantastic — visual, detailed. Despite the extremely harsh themes and imagery (the book contains a great deal of cruelty and pain), the prose remains beautiful, powerful. I really liked it.
However, I was sorry that the book was so short. In a way, I would have liked to read a full-length novel, and I felt that what I got was a short novella — unforgettable, yes, but one that didn't develop the story as much as I had hoped. I’ll read the others. Perhaps the whole will be more than the sum of its parts? We shall see…
“Chaos is silent. It moves unnoticed. It seeps through the ordinary cracks we ignore. It settles in, and like a living organism, its instinct is to expand, carving through layer after layer until it takes root. By the time we realize it, it is already the one dictating orders and determining our next moves. Neither dead nor powerless, we are overcome.”
***
Este foi o meu primeiro livro de Ana Paula Maia. Faria mais sentido ter seguido a ordem natural da trilogia ou até a cronologia dos livros desta autora. Não o fiz. Não foi um problema porque esta história poderosa vale por si. Consegui perceber algumas ligações a outros títulos da autora, que pretendo ler. E o efeito foi, simplesmente, um sentimento de urgência para ler os restantes.
Julgo que este livro se pode categorizar como realismo sujo ("dirty realism"), com a sua linguagem despojada e seca, retratando lugares, pessoas e profissões duras. Realidades cruas, marginais, brutais. Lugares que não desejamos visitar, que ignoramos — aldeias dizimadas, matadouros convertidos em incineradoras de cadáveres. No caso deste livro, tal é combinado com um contexto apocalíptico, de uma epidemia que dizima animais e, progressivamente, também humanos. Que se vai cruzando com textos bíblicos do Apocalipse, a crença/descrença no divino e na salvação.
A escrita é fantástica, visual, detalhada. Apesar do tema e das imagens duríssimas (há muita crueldade e muita dor retratadas no livro), a escrita é bela, poderosa. Gostei mesmo muito. Contudo, tive pena que o livro fosse tão curto. De certa forma, gostava de ter lido um romance, e senti que me fiquei por uma "curta" novela, que não desenvolveu a história o suficiente - pelo menos não tanto quanto eu gostaria. Vou ler os restantes. Talvez o todo seja mais do que a soma das partes? Veremos...
"O caos é silencioso. Move-se insuspeito. Penetra pelas brechas ordinárias que ignoramos. Instala-se, e, assim como um organismo vivo, seu instinto é expandir-se, sulcando camada após camada até enraizar-se. Quando nos damos conta, ele é quem já dita as ordens e os próximos movimentos. Nem mortos, nem impotentes, estamos dominados."
Ok, nesse livro aqui a Ana Paula Maia foi pra outro nível dentro do abismo que é seu próprio universo!! Durante muito tempo eu considerei os personagens da Ana Paula Maia mais Sérgio Leone do que qualquer outra coisa, mas neste livro aqui a gente mergulha num deserto sobrenatural, maldito, fúnebre. O terror do deserto chegou e chegou de vez!!! AaaAAaaaAAaa
A leitura do primeiro livro me trouxe a pergunta "será que vivemos todos num limbo funesto?", mas agora a certeza que vem neste segundo livro é a clareza é das portas do inferno. Se no primeiro "Enterre seus mortos" a sensação era de aridez, aqui a gente tem uma textura da catástrofe; arenosa e aquosa ao mesmo tempo, daquelas que antecedem as tempestades dos trópicos. Este me parece um livro de preparação para um terceiro impulso ainda maior, mais terrível e assustador, e eu estou totalmente PREPARADA para isso!!!
Os volumes anteriores desenvolvem os personagens de Edgard Wilson, Bronco Gil e Tomás, e vê-los interagindo juntos neste volume é simplesmente um deleite narrativo dentro do escopo da masculinidade que Ana Paula Maia já trabalha há um tempo. São personagens cunhados na brutalidade e na humanidade dos corpos desovados do sertão, e é justamente por isso que estou afoita por pensar em como esse trio vai se relacionar com o apocalipse, o demônio e a maldição dos céus.
E ainda: este é um dos livros que mais retrata o terror que foi viver uma pandemia de covid na mesma época de um governo militarista e genocida. É notório como a autora tirou a raiva das tripas pra conceber o horror epidêmico, e também as crenças neopentecostais que cada vez mais dominam o país. Ana Paula Maia, conte comigo pra TUDO!!
Resenha Sandra Martins Resenha: de cada quinhentos uma alma.
Ou poderíamos dizer: a cada página, uma revelação. Assim pareceu para mim o novo livro de Ana Paula Maia, uma narrativa distópica que fala sobre o ser humano, sua relação com a morte e o fim do mundo.
“A cada quinhentos uma alma”, é o segundo livro da trilogia que começou com “Enterre seus mortos” e conta a história de três homens: Bronco Gil, Edgar e Tomás, que recolhem animais mortos e se deparam - cada um ao seu modo - com conflitos de poder, uma doença que mata aves voando no céu e uma epidemia que está desolando as cidades.
Ana Paula nos deu uma trama cheia de suspense e em nenhuma das passagens a violência é gratuita. Ou contrário, ela faz parte do desenrolar da história e da atmosfera de medo e estranheza que permeia a narrativa.
“Vem pelo ar também, não é mesmo? - Ainda é cedo para saber o que é isso.”
Além desses pontos, temos muitas detalhes que nos ligam a alguns assuntos, desde sua própria obra (Enterre seus mortos), passando pelas pragas do Egito, os filmes Bacurau e O fim dos dias e uma religiosidade muito forte.
As 112 páginas podem ser poucas mas são intensas e nos fazem ter uma leitura rápida e que prende (sou lenta pra ler e terminei ele em um dia), simplesmente pelo fato de tudo estar ligado e nos deixar curioses com o que vai vir em frente.
Essa foi minha segunda experiência com a escrita de Ana Paula Maia e continua me surpreendendo e fazendo querer ler mais.
Me costó terminarlo. No sé si era yo o el libro. Le tenía muchas expectativas porque desde que leí el primer libro de Ana Paula Maia quise seguir leyendo más.
Los cuatro anteriores a este me gustaron mucho. Se repiten los protagonistas de las novelas anteriores y eso gusta. A mí en especial me gustan los personajes, así que me contento de volverlos a encontrar.
A mí el tema de la pandemia, de sus inicios, ya me parecen lejanos pero aquí es un tema central que cambia todo. Por ratos no se sabe si todo es completamente ficticio o es una denuncia, pues el ejército de Brasil (aunque nunca se menciona se sugiere por libros anteriores) comienza a ser parte importante en la novela y se mencionan eventos que de repente y sí pasaron. Tendría que averiguar.
Me gustaron mucho las últimas 2 páginas porque muestran lo bien que escribe Ana Paula. Tiene una forma de ser breve pero muy acertada. Con un orden en las palabras que dan ganas de seguir leyendo.
Después de leer De ganados y de hombres y Así en la Tierra como debajo de la tierra, adentrarme en De cada quinientos un alma era casi inevitable. El universo de Ana Paula Maia te atrapa con esa mezcla de crudeza, misterio y silencio que va dejando poso. Pero esta vez, debo reconocerlo: no me ha enganchado con la misma fuerza.
Volvemos a encontrarnos con Edgar Wilson, ese hombre callado que arrastra cuerpos, animales, pecados y culpas por los márgenes del mundo. Aquí, en plena pandemia apocalíptica —con carreteras desiertas, animales desorientados y un aire casi sobrenatural—, el paisaje se llena de símbolos del colapso: gafas oscuras, cuerpos poseídos, fuego, silencio y plagas. Un fin del mundo en clave rural y sudamericana.
El reencuentro con Bronco Gil y el exsacerdote Tomás añade profundidad al relato, como si Maia estuviera cerrando un ciclo de personajes maltratados por la vida y por el sistema. Pero esta vez, algo no termina de cuajar: tal vez el elemento sobrenatural, más presente y más explícito, rompe un poco el hechizo seco y contenido de sus anteriores novelas. Tal vez la historia se siente más suelta, menos centrada.
Aun así, el poso queda. Porque Maia nunca escribe en vano. Su mirada sobre la violencia estructural, la redención imposible y la soledad del hombre sigue latiendo, aunque esta vez el fuego arda un poco más lejos del lector.
📢 Ana Paula Maia nació en Nova Iguaçu, Brasil, en 1977. Es escritora y guionista. Entre sus libros se encuentran O habitante das falhas subterráneas (2003), Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (2009) y Carvão animal (2011).
📢 Sus libros han sido publicados en Serbia, Alemania y Francia. Es autora, además, de numerosos cuentos, que forman parte de diversas antologías y han sido traducidos al alemán, al croata, al español, al inglés y al italiano. Su novela A guerra dos bastardos (2007) se destacó en Alemania como uno de los mejores policiales extranjeros.
🅞🅟🅘🅝🅘🅞🅝
He tenido mucha suerte con las últimas novelas conseguidas a través de #masacritica de @babelioenespanol . Me he encontrado con lecturas muy interesantes, fuera de los circuitos comerciales, que no habría leído si no hubieran llegado a mí de esta forma.
"De cada quinientos un alma" me atrajo en un primer momento por su título y su sinopsis para después conquistarme con la calidad narrativa de la autora y su narrativa profunda llena de metáforas.
Me encontré con una novela corta que se desarrolla en un futuro postpandémico donde el caos y el vacío se han apoderado del mundo conocido para llevarlo al límite de la desesperanza y la desolación. Sus personajes son turbios, crudos, rudos, llenos de debilidades pero valientes a la vez, enfrentados a crisis de fe y a la violencia humana que nos acosa día a día.
Me ha encantado cómo escribe Ana Paula, encontrándome párrafos muy buenos que me han invitado a parar y reflexionar. Quizás lo que menos me ha gustado del libro y ha hecho que baje un poco mi nota es que es demasiado abierto y falto de respuestas. Pero en general me ha parecido muy buena lectura y me ha dejado con ganas de seguir leyendo a la autora.
Qué mal, acabo de darme cuenta que este libro es la segunda parte de una trilogía luego de terminarlo. Por otro lado, eso es prueba de que es posible leerlo sin problemas como un tomo único pese a no haber leído antes la primera parte. Es un texto interesante y seductor, con un tono crudo y brutal, que no por eso carece de belleza. Se centra en tres personajes que deambulan por una carretera llena de horrores, algunos sutiles y otros no tanto, mientras se aferran a un propósito brumoso bajo el peso del fin del mundo. Ahora me toca buscar el resto de los libros que componen la serie.
Uma visão brasileira da Estrada de Corman McCormick. Apesar dos diversos relatos a respeito dos nossos dias, quando assisti um filme anunciando o fim do mundo decorrente de um abalo por meteoro, e ninguém, quase ninguém se coçou, e mesmo aquele poderoso de plantão, endinheirado, o a fez? Tomou um avião !!! Gosto muito do estilo da autora, a linguagem ajuda bastante, ainda assim não foi o suficiente para dar liga.
Um livro interessante que da continuidade a duas histórias incríveis, mas não chega aos pés delas. o catolicismo exacerbado me enjoou, mas o clima de fim do mundo e brutalidade dos personagens que ana paula maia cria sempre me fazem ter vontade de não largar o livro, realmente a leitura que ela proporciona é muito difícil de largar e muito facilmente leria mais umas 200 páginas desse.. necessitando do fechamento dessa trilogia!
Escolhi essa leitura sem nem olhar a sinopse. Queria um livro nacional de um(a) autor(a) contemporâneo(a).
O enredo me surpreendeu positivamente. Não é tão comum ver escritores brasileiros explorando mistério sobrenatural, horror e cenários pós-apocalípticos. Embora existam alguns nomes conhecidos no gênero, nossa literatura costuma seguir outros caminhos. Isso faz com que o livro seja uma surpresa em dobro: primeiro pela escolha temática, depois pela qualidade com que ela é desenvolvida.
Simplesmente MUITO bom, serviu muito suspense terror e mistério no final. Estou sem entender por que são três livros avulsos sendo tão curtos, podia ser um único livro com três partes porque o primeiro deixou tanto a desejar que quase não peguei esse aqui para ler e esse entregou tanto, a autora perdeu muito não fazendo um único livro de verdade. Ansiosa mas com medo do terceiro não ser tão bom quanto esse.
A receita de bolo da autora segue aqui. Isso não costuma me incomodar, inclusive acho que ela é muito boa com essa receita, mas nesse aqui falta coisas. Acho que se é o primeiro livro da autora pro leitor ele é melhor do que sendo o 6º. Enfim, não é ruim e valorizo o fato de ter poucas páginas, mas não é o melhor dela.
Eu amo a Ana Paula Maia e recomendo Enterre Seus Mortos para todo mundo, mas sei lá, a direção que ela levou a história nesse volume não me agradou muito não. O livro até tem seus momentos, cenas que tem o peso que eu espero de uma história dela, mas o escopo geral que a coisa parece ter tomado não me desceu. E é tudo que eu posso falar sem dar spoiler.
Uma boa surpresa do início ao fim. Um apocalipse visto de uma forma quase tranquilizante. Filosófica sem dúvida. Saber que a história de alguma forma continua em seus outros livros mesmo sem ser uma série anunciada é ainda melhor. Dá vontade de ir atras de todos, mesmo sem precisar. Muito bom mesmo.