Nesta coletânea organizada por Marisa Lajolo, onze grandes escritores retratam situações em que, na defesa de interesses pessoais, nem sempre o direito do outro é levado em conta. Você vai testemunhar momentos da vida em que a opção entre o certo e o errado se faz necessária. Uma boa oportunidade de leitura e reflexão sobre a conduta de cada um de nós.
MARISA LAJOLO é pesquisadora, crítica literária, autora de literatura juvenil e professora universitária. Deu aula na Unicamp e hoje é professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Em 2009, em parceria com João Luís Ceccantini, organizou a obra Monteiro Lobato, livro a livro: obra infantil (Editora Unesp/Imprensa Oficial), eleita pelo prêmio Jabuti o melhor livro de 2009 na categoria não ficção.
Em 2012, seu livro Gonçalves Dias, o poeta do exílio (FTD) foi premiado pela Academia Brasileira de Letras.
Gostei muito de toda a obra, retratam problemáticas com críticas muito bem construídas, sendo fáceis de ler e até prazerosas. Meus contos favoritos foram: O dia em que matamos James Cagney, de Moacyr Scliar, uma crítica à mídia e à banalização da violência; Casa de Bonecas, de Katherine Mansfield, um conto que retrata o elitismo, a divisão de classes sociais a partir de figuras femininas infantis; A nova Califórnia, de Lima Barreto, que retratou a ganância com uma narrativa extremamente cativante por ter um plot misterioso, cheio de suspense; Os gatos pardos da noite, de Lourenço Diaféria, o conto mais difícil de ler por retratar a violência policial e o racismo de uma forma crua e realista — apesar de ser um conto bem curto — criticando sobretudo a banalização do sadismo dos policiais que voltam às suas vidas normalmente, justificando um assassinato como apenas um acidente e dizendo a frase que deu título ao conto: "à noite todos os gatos são pardos", sem deixar de lado, obviamente, a questão racial. Por último, mas não menos importante, o conto Paloma, de Álvaro Cardoso Gomes, a carta de um detento à sua mãe, talvez o conto mais emocionante do livro.