No primeiro livro sobre a Gramática, os temas são literatura e gramática do português. Estas disciplinas vêm para suprir o material e para conferir uma ordenação mais fina ao pensamento do estudante que está iniciando sua jornada intelectual pelas Artes Liberais.
Sabe-se bem que existe um déficit nos estudos literários, bem como no de gramática básica do português, no Brasil. Projetamos este volume com vistas a sanar estes problemas, antes de o aluno começar a avançar para águas mais profundas.
Este livro constitui-se num introito. A boa assimilação do seu conteúdo fará toda a diferença no prosseguimento dos estudos.
Primeiramente é importante esclarecer que a Gramática apresentada nesta obra não é o livro-manual que encontramos na escola, mas sim o que os antigos gregos e latinos entendiam por Gramática, isto é, a arte de ouvir e falar, ler e escrever bem. Esta obra esclarece muito bem a relação íntima de literatura e gramática (no sentido atual, sobre regras da escrita), em que as regras gramáticas surgem da literatura, que por sua é influenciada por essas mesmas regras. Portanto, este é um guia de como entender bem a língua portuguesa, partindo do início da literatura desenvolvida com os gregos, avançando com os latinos e chegando ao português. A lição de casa resultante desse livro consiste em, no mínimo, 34 livros dessa cronologia além de uma revisão na gramática portuguesa atual.
Este livro, assim como o primeiro volume da coleção, é dividido em 3 partes:
A primeira de lições, nas quais o prof. Clístenes aborda a temática do quão entrelaçadas estão a gramática e a literatura - tanto que, na verdade, etimologicamente, ambas significam a mesma coisa, uma vez que 'literatura' vem do latim 'litera', que significa 'letra', e, por sua vez, 'litera' é uma tradução de 'gramma', em grego, que significa, também, 'letra'.
Nestas lições é apresentada uma lista de 34 livros, iniciando por Camões, Homero, Hesíodo, Virgílio, Horácio, entre outros, e seguindo por nomes como Agostinho, Dante, Pessoa e Cervantes - e, também, alguns livros da Bíblia.
Enfoca-se a prioridade primordial de se estudar latim e aprender a cantar, visto que ambas são habilidades indissociáveis da literatura e da gramática.
A segunda parte é composta por um guia de literatura, escrito pelo professor Mario Carbonera, no qual discorreu-se sobre a história da língua portuguesa, sua estrutura e desenvolvimento e aspectos basilares, tais como sintaxe, morfologia, fonética etc. Explicou-se de modo sucinto e claro que a gramática, longe de ser 'normativa' (no sentido pejorativo do termo, tal como se usa atualmente), impositiva, preconceituosa ou até mesmo 'opressora', muito pelo contrário! A gramática é o que torna possível a comunicação entre diversas pessoas diferentes. Afinal, se não houvesse certa uniformidade padrão, como poderia haver comunicação entre duas ou mais pessoas? (ainda mais: como eu poderia estar aqui, escrevendo estas palavras, e você aí, lendo-as, se não fosse pela gramática?) Evidentemente seria uma bagunça. E também se esclarece que cada sonoridade possui certas características peculiares, e que as palavras não são estruturadas em vão, elas se estruturam e se formam para causar efeitos específicos. Enfatiza-se bastante o fato de que a gramática não é uma imposição, mas sim que ela "é um conhecimento empírico que surge da observação do uso corrente que os poetas e prosadores fazem da língua", como afirma Dionísio da Trácia, primeiro gramático da história do Ocidente.
E a última parte do livro é justamente a obra integral de Dionísio da Trácia: "Arte Gramática", na qual se estabelecem os meios pelos quais a língua deve se estruturar (e no decorrer da explicação fica evidente a correspondência que a gramática possui com as categorias de Aristóteles - tais como substância e acidente - e também com os termos da própria Arte Musical - tais como ritmo, altura, duração etc.).
O livro como um todo é um estímulo à cultura, ao caráter, à leitura das grandes obras, à formação de um imaginário saudável. Um convite para que nos tornemos capazes de tomar posse de nossa plena capacidade expressiva - tanto em nossa realidade interna quanto externa, uma vez que uma é indissociável da outra.