O pórtico, já fora do mundo, sem uma envoltura de paredes, anuncia uma extensão ilimitada. O carrilhão, nunca visto, soa nas proximidades, sem ter sido construído. Não há um caminho que venha ter aqui. Talvez exista a sombra de um caminho, com todos os seus arredores, onde caminhamos como sombras. É necessário apenas um passo. Naqueles breves momentos em que os guardiães se afastam, o pórtico abre. Alcançá-lo é esquecer o caminho, esquecer a passagem, esquecer de guardar. Há, então, uma inesperada inversão, deixamos de ser os esmerados caminhantes até ao absoluto, porque ele aparece em nós.
Raquel Loio é Doutorada em Filosofia (Universidade da Beira Interior), tendo desenvolvido uma investigação sobre a capacidade humana para sonhar lucidamente ou para viver lucidamente o sono sem sonhos, articulando a tese da multiplicidade dos tempos vitais da filósofa María Zambrano, com literatura relevante da filosofia da mente e com o pensamento budista. Realiza consultoria filosófica na área da lucidez do sonho e sono. É Investigadora colaboradora no Praxis - Centro de Filosofia, Política e Cultura sediado na Universidade da Beira Interior. É Mestre em Antropologia Médica (Universidade de Coimbra), com uma dissertação acerca da forma como as práticas médicas atribuem significados a determinadas doenças, e Licenciada em Enfermagem (Instituto Politécnico de Viseu), tendo exercido a profissão no período de 2008 a 2015 maioritariamente na área da Toxicodependência.
Autora de oito livros de romance filosófico escritos numa perspetiva atemporal. Através de uma prosa poética, desconstrói ideias para uma aproximação da essência e compreensão profunda de questões existencialistas como o medo, o amor, a meditação, a sabedoria. Seja em intrigantes monólogos interiores ou em inusitados diálogos, a narrativa assume uma qualidade espontânea, intuitiva e onírica.
Desenvolve pinturas de um modo espontâneo e intuitivo, com referências oníricas, sendo que algumas ilustram as capas dos seus livros. A lucidez do sonho e sono tem sido uma componente pessoalmente vivida desde a infância, com uma progressão menos associada à atitude de controlo dos sonhos e mais relacionada com o testemunho. Paradoxalmente, é fortalecida a concretização do desígnio.