Resultado de cinco anos de pesquisa e quase duzentas entrevistas, a história de uma das mais relevantes personalidades artísticas do Brasil de nosso tempo.Aliado apenas à própria intuição, Ney Matogrosso abriu um caminho único na música brasileira. Enfrentou as intransigências do pai militar e os dogmas da Igreja católica, sobreviveu aos anos de chumbo e à sombra da aids, manteve-se firme diante das promessas de riqueza do showbiz, das críticas a seu "canto de mulher" e da vigilância das censuras.O jornalista e biógrafo Julio Maria passou cinco anos perseguindo a trilha de Ney para contar a história de um dos personagens mais transformadores da cultura do país. Visitou a casa em que ele nasceu em Bela Vista do Mato Grosso do Sul, a vila militar em que viveu a conturbada adolescência com o pai em Campo Grande e o quartel da Aeronáutica que o abrigou como soldado no Rio de Janeiro. Encontrou um irmão mais velho do qual a família não tinha notícias, levantou documentos de agentes que o observaram durante a ditadura e localizou fatos raros da fase Secos & Molhados. Ney Matogrosso — A biografia vai às camadas mais profundas da história de Ney para entregar a vida de um artista que pagou caro por defender seu direito de ser livre."Leitura emocionante, Julio Maria vai fundo no retrato do artista que marcou para sempre a vida brasileira. […] O namoro com Cazuza, a força com que Ney assistiu à morte de tantos namorados e amigos pelo vírus da aids, as atuações em teatro na juventude e em cinema na maturidade, a dignidade e sabedoria de sua aproximação e chegada à velhice (que nele nunca parece combinar com esse nome), tudo no livro mostra um ser humano fascinante, que engrandece a percepção da nossa vida como sociedade." — Caetano Veloso
Uma biografia que narra não só a vida artística de um dos maiores e mais respeitados músicos brasileiros (com algumas passagens mais aprofundadas da vida íntima), mas explora bastante uma período musicalmente riquíssimo da música nacional (de ditadura e censura a letras, diga-se) e destrincha o funcionamento e os mandos do mercado fonográfico na era do vinil. O texto é bem fluido e agradável de ler.
O paulista Júlio Maria nasceu em 1973 e é repórter, crítico de música e escritor. Venceu, em 2015, o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo sua biografia de Elis Regina, intitulada “Nada será como antes”. Seu livro de 2021, “Ney Matogrosso, a biografia”, foi sucesso de público e de crítica e conta a rica história de um dos artistas mais originais e audaciosos da música brasileira. Ney de Souza Pereira (que depois assumiu a persona artística Ney Matogrosso) nasceu no dia 1 de agosto do ano de 1941 na cidade de Bela Vista no interior do estado de Mato Grosso (antes da divisão). Começou relativamente tarde na música tendo atuado como balconista, soldado da aeronáutica brasileira, artesão e responsável pela iluminação de espetáculos musicais antes de destacar-se como vocalista da banda “Secos&Molhados” que imortalizou canções como “O vira”, “Sangue Latino”, “O patrão nosso de cada dia”, “Rosa de Hiroshima” e “Flores Astrais”. Incomodado com o que considerava autoritarismo e arrogância do guitarrista e principal compositor dos “Secos&Molhados”, João Ricardo, deixou a banda em 1974 e iniciou uma bem sucedida carreira solo que chega aos dias atuais em que o artista, mesmo octogenário, exibe grande vigor e resiliência. “Ney Matogrosso, a biografia” narra, com muita fluidez e objetividade, os grandes momentos da vida de Ney. A relação terna com a mãe, a relação difícil com o pai militar, o abandono da casa dos pais, a breve mas importante passagem pela aeronáutica, a gradual imersão no universo da música, a coragem de abandonar uma banda de sucesso (que chegou a realizar um feito considerado impossível por muitos: bater em vendagens nada menos do que o "rei” Roberto Carlos, então no auge) e iniciar uma carreira solo em que a versatilidade é a marca registrada (é considerado pela revista Rolling Stone a “terceira maior voz brasileira de todos os tempos) já tendo trafegado com desenvoltura por muitos gêneros como MPB, bossa nova, samba, pop rock, rock progressivo, glam rock, frevo, fado, rock e baião, a descoberta da bissexualidade, suas aventuras e desventuras com mulheres e homens, os anos difíceis da AIDS pré coquetel em que pessoas próximas como o ex namorado Cazuza e o parceiro Marco de Maria foram as vítimas mais notórias, a trajetória de um artista inquieto e sempre em busca da originalidade. A despeito do autor narrar com excessivos detalhes certos aspectos que considerei um tanto irrelevantes como a passagem de Ney pela seita chamada “Santo Daime” é uma ótima pedida como muito bem ressalta Caetano Veloso na “orelha” do livro:
“A biografia de Ney Matogrosso escrita por Júlio Maria é leitura emocionante. [...] Para mim, muita luz e muita cor sobre uma figura que marcou o país, que me recebeu de volta, ainda sob a ditadura, ao fim dos longos dois anos e meio de exílio. [...] Ney se mostrava realista e inabalável em sua livre revolução de base hippie. [...]Júlio Maria vai fundo no retrato do rapaz que marcou para sempre a vida brasileira”.
Ney Matogrosso realmente é um gigante da música brasileira. Assisti ao filme "Homem com H" nos cinemas e imediatamente fiquei curiosa para ler a biografia que o inspirou, que não decepcionou. Ney parece ter um pé em todos os principais momentos da história brasileira recente, influenciando-os, mas poucas vezes deixando-os o influenciar. O canto, o estilo, o modo de agir, desde a cultura hippie até o estrelato, das drogas, da ditadura, aos dias de praia e cultos pagãos - trata-se de uma história de vida cuja documentação, via biografia, era imprescindível. Como leitora (quase) do novo milênio, muitas das referências contidas no livro fugiam da minha bagagem de conhecimento - o Globo de Ouro, RPM, Luli & Lucina, entre outros -, de modo que precisei recorrer ao Google e à minha mãe com alguma frequência e, ainda assim, acho que deixei muita coisa passar. De toda forma, fico feliz de ter cruzado com a obra, que me tirou de uma ressaca de leitura na qual me encontrava há anos. Obrigada, Ney!
Fluído e fácil de ler, descreve e humaniza uma grande personalidade da cultura nacional. Quanto mais lemos mais admiramos o artista e o ser humano. Recomendo a leitura.
A experiência de escrever sobre livros é uma verdadeira saída de zona de conforto literária. As fronteiras que atravessei e que me deixaram uma impressão muito boa foi a das biografias. Além de falar sobre a pessoa biografada, elas se tornam aulas de história, me levam a conhecer o que não vivi e a lembrar do que passei.
E mais uma a me encantar é a de Ney Matogrosso.
Um retrato da afirmação do teatro e de um novo rumo na música brasileira.
Um novo cenário borbulhante que despontou nomes como Lucélia Santos, Stepan Necerssian, os próprios Secos e Molhados, os Mutantes, Elis Regina, a tropicália, a jovem guarda, Simone, Belchior, Ednardo, Sá, Guarabira, Rodrix e tantos outros que surgiram nessa época e sentiram o peso que se abateu depois do AI5.
Ler essa biografia é ver o nascimento de um ser que hoje aos 80 anos ferve demais seu sangue latino e apaixona com sua música e personalidade. Isso sem falar no fato dele ser precursor em tantas coisas que libertariam a arte num período em que ela era vigiada, vetada e expulsa por sua autenticidade e protesto.
É ver como um fenômeno nasce e como as mesmas forças que o criaram, o fizeram se dissipar. E uma das forças renascer e se tornar umas das pessoas mais importantes do nosso país.
Ney Matogrosso é e sempre será uma referência em nome de música, domínio de palco, cenografia, figurino e dança.
Que trabalho incrível de pesquisa, entrevista e texto! As mais de 400 páginas foram devoradas em poucos dias; nas quais Ney se revela, em vez de se explicar. Quebrando o coração e encantando a alma de quem lê. Isso sem falar de Ney sendo ele, audacioso, corajoso, e o mais importante: livre.