“De uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta maravilhas, mas as respostas que nos dá a nossas perguntas”. Assim termina a citação de Italo Calvino que Flávia Péret escolheu para abrir seu livro. Ao ler a frase, pensei que isso também pode ser dito da literatura. E quais são as perguntas destas Instruções para montar mapas, cidades e quebra-cabeças? Para começar: “Toda viagem é uma fuga?”. Uma jovem mulher que ainda não completou 30 anos compra uma passagem de ônibus, só de ida, Belo Horizonte–Buenos Aires. Assim começam textos que transitam entre o diário, o conto, a crônica, o romance, que acompanham a viagem, tornando sua a economia dela: carregar o mínimo necessário.
Tentar a leveza, apesar do peso da incerteza e da precariedade. Confiar na sorte, nos encontros, nos acasos. Deixar-se levar por essa cidade estrangeira que poderia facilmente se tornar um lugar-comum de turista brasileira, porque são muitas as referências que antecedem a viagem: livros, livrarias, cafés, passeios. Mas experimentar outros roteiros é a condição de quem viaja com pouco dinheiro, tendo que trabalhar, andar de ônibus e metrô, e assim conhece lugares e pessoas invisíveis para os que já sabem o que querem encontrar.
[trecho do Posfácio . por Paloma Vidal]
Edição bilíngue: português e espanhol Livro disponível para download gratuito
admiro o fato de que muitos argentinos dedicam suas vidas a desconstruir a história oficial do país para que uma outra história (violenta, assustadora, cruel, mas, no entanto, real) possa emergir. nós, brasileiros, fazemos exatamente o contrário.