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Os versos da morte

A tradicional imagem da morte, tal como a conhecemos – um esqueleto carregando uma foice – tem suas origens na Idade Média. Os Versos da Morte é o primeiro testemunho literário dessa imagem de que se tem conhecimento. O livro, escrito entre 1194 e 1197 pelo monge Hélinand de Froidmont, trata de um tema sensível ao homem moderno: seu destino inevitável. Com essa tradução de Heitor Megale, em edição simples e bem-cuidada, o leitor brasileiro tem acesso privilegiado às origens desse instigante mito.

88 pages, Paperback

First published January 1, 1197

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Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews49 followers
July 3, 2023
A MORTE A TODOS NIVELA

Estes versos do monge Hélinand de Froidmont foram escritos entre 1194 e 1197, e têm como protagonista a morte. O tom do autor varia em alguns pontos do texto e há um momento em que ele parece se indignar com a ideia de que Deus pudesse não existir – na sua visão, tudo então seria permitido, e “entre o ser humano e o porco/ não há diferença” –, mas o principal do seu sentimento é tratar a morte como uma figura que tem ânsia pelos ricos. Ela é, portanto, uma justiceira de classe.

Os versos têm o encanto do imaginário medieval e prestariam muito bem como livro de cabeceira. A edição apresenta ilustrações da morte de diversas épocas (geralmente ela é um esqueleto sorridente) e tem uma pequena apresentação de Heitor Megale. Seguem pequenos trechos:

Morte, tu me obrigas a mudar
Nesta estufa em que meu corpo sua
Todos os excessos do século.

*

É louca maneira de apostar
Não temer a Deus a não ser que Ele ameace.

*

Morte, tu que proíbes economizar
O dinheiro que se deve empregar.

*

Os longos prazos tu os reduziste,
Tu és astuta; que estejam desconfiados.
Surpreendes o dorminhoco em seu leito,
Ao rico tomas o deduzido
E reduzes a beleza a nada.

*

Tomar emprestado à alma é pouco prudente,
Ela não tem nada para penhorar,
Pois está nua no último dia.

*

E mostra que tudo é nada:
O que a voracidade toma,
O que a gula lambe.
[…]
Para a morte, tudo é igual: a manjedoura
E o celeiro, salmão e molusco;
Aos prazeres ela diz: “Vento”.

*

A morte libera o escravo,
A morte submete rei e papa
E paga a cada um seu salário.


***

Excelente leitura dessa um tanto subestimada Idade Média.
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