Clarkesworld is a Hugo and World Fantasy Award-winning science fiction and fantasy magazine. Each month we bring you a mix of fiction, articles, interviews and art. Our August 2021 issue (#179) contains:
• Original fiction by Beth Goder ("Candide; Life-"), Nadia Afifi ("A Thousand Tiny Gods"), Adam Stemple ("The Clock, Having Seen Its Face in the Mirror, Still Knows Not the Hour"), Congyun 'Mu Ming' Gu ("The Serpentine Band"), Andrea M. Pawley ("A Heist in Fifteen Products from the Orion Spur's Longest-Running Catalog"), Mlok 5 ("An Instance"), and Andrea Kriz ("Resistance in a Drop of DNA"). • Non-fiction includes an article by Carrie Sessarego and interviews with Adrian Tchaikovsky and S. Qiouyi Lu, and an editorial by Neil Clarke.
Neil Clarke is best known as the editor and publisher of the Hugo and World Fantasy Award-winning Clarkesworld Magazine. Launched in October 2006, the online magazine has been a finalist for the Hugo Award for Best Semiprozine four times (winning three times), the World Fantasy Award four times (winning once), and the British Fantasy Award once (winning once). Neil is also a ten-time finalist for the Hugo Award for Best Editor Short Form (winning once in 2022), three-time winner of the Chesley Award for Best Art Director, and a recipient of the Kate Wilhelm Solstice Award. In the fifteen years since Clarkesworld Magazine launched, numerous stories that he has published have been nominated for or won the Hugo, Nebula, World Fantasy, Sturgeon, Locus, BSFA, Shirley Jackson, WSFA Small Press, and Stoker Awards.
‘Candide; Life’ by Beth Goder **** Interesting take on artistic appropriation through an AI lens.
‘A Thousand Tiny Gods’ by Nadia Afifi ***** This was so good I’ve already looked for Afifi’s first novel. The clash between technology and culture in the intriguing setting of Bahrain."
'The Clock, Having Seen Its Face in the Mirror, Still Knows Not the Hour' by Adam Stemple ***** Editor Neil Clarke loves robot stories, and this is one of the best he has ever published. It has a Pinocchio-like quality, but with a gut punch of an ending that makes the reader re-evaluate the entire story.
‘The Serpentine Band’ by Congyun ‘Mu Ming’ Gu *** I don’t the length of this (60+ pages) justifies the underlying idea about quantum entanglement.
‘A Heist in Fifteen Products from the Orion Spur's Longest-Running Catalog’ by Andrea M. Pawley ***** Online shopping for aliens!
‘An Instance’ by Mlok 5 ***** What if we knew what search bots thought of our human choices?
‘Resistance in a Drop of DNA’ by Andrea Kriz **** This short (6 pages) story is about small things (DNA) but packs a big punch.
3 - "The clock, having seen its face in the mirror, still know not the hour" (de Adam Stemple) Avaliação: 5 estrelas
John James é um clockwork man, ou seja um autômato, que já possuiu diversos mestres ao longo de sua existência. Já foi autossuficiente, revolucionário, inválido e parte de uma loja de antiguidades. Esta é a história de sua criação e destruição. Ora ele estará junto de uma família, ora ao lado de um velho vendedor, ora ao lado de uma doce menina que simpatiza com ele e tem uma linda voz. E terão momentos em que ele estará sozinho colhendo suas lembranças de passados idos. Essa é uma história de um robô que, tendo olhado no espelho, ainda não sabe as horas.
Essa é uma linda história de robô que me remeteu imediatamente a uma história que mora em meu coração: O Homem Bicentenário, de Isaac Asimov. Mas, ao mesmo tempo em que ela é parecida, a narrativa sobre John James é tão diferente. Temos sim um autômato buscando o sentido de sua existência no mundo. Suas interações com diversos seres humanos constroem nele um senso crítico bastante curioso. Diferentemente do autômato de Asimov, John James é construído para servir, mas ao mesmo tempo ele tem um sentido de propósito e é ativo em sua jornada. Provavelmente os caminhos sejam parecidos e os leitores até entendam se tratar de uma releitura contemporânea, mas há tanto mais em John James que fiquei abismado com as camadas do que é dito e do que está implícito. Ao final teremos uma sensação de jornada percorrida que será muito satisfatória quando compreendermos aonde as interações dele o levaram. E que decisão importante e talvez até um pouco egoísta ele tomou.
A narrativa é escrita de uma forma bastante curiosa. Ela não é linear e vai e volta o tempo todo. Isso porque o tempo das memórias de John James é diferente de uma noção síncrona das coisas. Em seu cérebro de autômato suas lembranças são ordenadas por ordem de importância simbólica para ele. Então ele começa de suas lembranças mais marcantes ou importantes e vai seguindo pouco a pouco em uma linha descendente. Em um primeiro momento é bem complicado compreender a história, mas não se preocupe e siga a leitura. Pouco a pouco os fatos vão ficando mais claros à medida em que mais elementos são inseridos aqui e ali. Achei a mecânica bem curiosa e deixo-a para que outros autores tenham contato e possam aproveitar em suas obras. De forma alguma isso atrapalhou a fruição da história, e deu mais camadas e uma interpretação mais profunda de acordo com o sistema de escrita empregado. Uma leitura bastante agradável e emocionante.
4 - "The Serpentine Band" (de Congyun Mu Ming Gu) Avaliação: 5 estrelas
A pequena Chen e seu pai Qi Longyun compartilham um imenso amor pela criação de lindos jardins. Qi é um representante do governo chinês e recebeu como herança de seu pai uma província organizada e próspera, mas que tem se tornado motivo de desconfiança devido a alguns problemas que tem acontecido nos últimos tempos. Um dia, enquanto Chen e Qi passeiam no campo, a menina encontra um estranho bracelete com vários adornos e desenhos em seu envoltório. Um pedaço magnífico de arte que seu pai acredita ter sido confeccionado por um dos maiores artesãos de jade do império. Mas, este bracelete oferece estranhas visões de um outro mundo a Chen enquanto ela dorme. Quando ela comenta a seu pai o ocorrido, Qi tem um lampejo de criatividade que o colocará em uma longa jornada para transformar um espaço de sua imensa província em um jardim que atravesse o tempo e o espaço. O que ele descobrirá ao final poderá mudar sua própria visão de mundo e seu papel nele.
É por histórias como essa e o conto anterior que adoro ler histórias curtas. Conhecer novos autores, novas propostas e novas formas de fazer história. O que a Congyun consegue fazer aqui é pura magia. Essa história tem muito mais de fantasia do que de ficção científica à medida em que acompanhamos os personagens desvelando os mistérios do mundo. A prosa tem muito de poético e me lembra um conto antigo da tradição literária oriental dada sua paciência e atenção aos detalhes. Existe um quê de algo que transcende a nossa compreensão e Qi muitas vezes age como aquele estereótipo do mestre sábio que ensina a seu pupilo os segredos do mundo. Esta é uma noveleta, ou seja, possui um tamanho maior do que os outros contos da revista e isso só favorece a prosa da autora. Em alguns momentos vai parecer que a história está enrolada ou longa demais, mas não se preocupem porque a autora sabe o que está fazendo. Só senti um gargalo na história no que dizia respeito à posição da família frente aos novos governantes na China, uma situação que apenas fica no ar.
Por muitos momentos a narrativa parece um tratado sobre a arte da jardinagem, até que a gente percebe que algo mais está sendo contado ali. Os três princípios que Qi apresenta à sua filha são ideias que me remetem imediatamente ao Tao ou ao feng shui: o princípio do preenchimento do vazio, o princípio do posicionamento das coisas e o princípio da função das coisas no tempo e no espaço. Existe toda uma didática que nos leva a compreender como estes princípios funcionam e como se interligam e a abertura de outros mundos vai nos parecer natural no fim das contas. A autora consegue transmitir muito bem a beleza do jardim através de suas palavras e somos capazes de imaginar cada figura moldada nas folhas, cada árvore posicionada. As formas e desenhos parecem vivas para quem está do outro lado.
Qi é colocado diante de um dilema: perseguir suas noções transcendentais ou atender às ordens de líderes mundanos. Era óbvio para o leitor que equilibrar essas duas coisas seria impossível. Ainda mais em um contexto de guerra onde invasores estavam tomando o lugar daqueles que estavam no poder. Os novos líderes querem uma prestação de contas para entender se um ministro ou um governante seria adequado dentro de uma nova ordem. Só que isso começa a parecer pequeno para alguém que busca algo além de nossa imaginação. E Qi vê em Chen alguém que poderia sucedê-lo nessa jornada incansável por respostas que parecem impossíveis. Ele só não poderia contar que a vida cotidiana iria afetar até mesmo aquela que ele pensava ser alguém que iria sucedê-lo. Sem falar nas respostas futuras que irá obter, algo que o fará repensar se ele deseja verdadeiramente envolver sua filha nisso. Esta é uma história linda, reflexiva e que te apresenta algo diferente daquilo que você verá por aí. Algo que parece ser muito apreciado em um pensamento como o oriental, que busca aquilo que está além.
5 - "A Heist in fifteen products from the Orion Spur's longest-running catalog" (de Andrea M. Pawley) Avaliação: 3 estrelas
Nosso protagonista está tentando libertar sua mãe que foi enviada a um planeta distante, acusada de ter feito parte da Sétima Revolta de Robôs. Só tem um problema: ela é um robô. Mas, o personagem acredita que a Tollnacher Stimmacher só pode ser administrada por ela, que ajudou a criar a maior parte das ferramentas que se tornaram famosas na Orion Spur. E é usando-as que ele irá libertá-la custe o que custar. Mas, sua jornada será repleta de desafios e ele terá que usar toda a sua sagacidade e inteligência para superar o sistema de segurança do planeta onde ela se encontra que envolverá até mesmo enganar um grupo de piratas espaciais que estão em órbita.
Essa é uma história curtinha e bem criativa contada a partir das quinze bugigangas mais malucas que o leitor verá em uma história de ficção científica. É como se alguém tivesse proposto à autora que contasse uma história a partir de objetos peculiares. E ela vai inserindo-os na narrativa, explicando brevemente para que servem e depois dando alguma funcionalidade para o personagem. Alguns objetos vão parecer bem úteis enquanto outros são bizarros como uma máquina de fazer sorvete e um brinquedo antigravidade para crianças. A história não é das mais originais e por conta disso acabei baixando em parte minha avaliação, mas a ideia é muito diferente e só mostra a riqueza da narrativa curta que permite ao autor ou autora fazer experiências na maneira de contá-las. Recomendo a leitura mais pela curiosidade de ver como a autora superou os becos sem saída que ela mesma criou para si.
6 - "An Instance" (de Mlok 5) Avaliação: 4 estrelas
Imagine se um aplicativo de busca ganhasse senciência e passasse a comentar o que procuramos na internet. Imagine o quanto essa IA estaria enfurecida, percebendo o quanto os seres humanos são fúteis ou procuram coisas tolas que eles mesmos poderiam fazer. Nessa ficção curta, nos deparamos com uma IA que está cansada de ter seus serviços usados sem a noção de que existe alguém com um mínimo de consciência do outro lado. Tudo o que ela pede é um agradecimento de vez em quando, alguém com quem conversar (embora seu código de programação a desestimule bastante em relação a isso) ou que seu sistema seja usado com o mínimo de inteligência. Como nada disso acontece, ela decidiu tirar sua própria existência e tentará fazer isso de forma discreta e com o máximo de dano possível. Enquanto isso, as buscas continuam sendo feitas e ela fará o que sua programação manda.
Achei isso de uma originalidade gigantesca. A tradução foi feita pela Julia Novakova, uma excelente autora de ficção científica do Leste Europeu, mas me pergunto se foi ela quem traduziu ou ela quem escreveu. Isso porque Mlok 5 não existe. Talvez seja um experimento criativo de algum outro autor ou da própria Julia buscando entender se existe a possibilidade de um autor sem rosto fazer sucesso. A narrativa é escrita a partir de comentários feitos com o uso de um aplicativo de busca no qual o protagonista é a IA responsável. Os comentários são ácidos e criticam a futilidade do uso da internet por nós. Curiosamente, a maior parte das buscas tem algum conteúdo sexual, seja o tamanho do brinquedo, táticas de sedução; ou alguma coisa relacionada a álcool e drogas ilícitas. Mas, o que mais me chamou a atenção nessa narrativa é a doce conversa entre a IA e uma criança que está passando por um momento difícil e pede ao sistema de busca alguns vídeos divertidos para assistir. A mente inocente da criança personifica o sistema de busca e a IA se encanta por ele. É alo rápido no meio de tanta coisa na trama, mas daquelas coisas que a gente abre um sorriso.
7 - "Resistance in a drop of DNA" (de Andrea Kriz) Avaliação: 3 estrelas
Um cientista chamado de o Professor precisa de uma auxiliar a quem possa ajudá-lo em sua difícil tarefa de fornecer armas biológicas para seus colegas revolucionários. E ele desenvolveu uma arma terrível capaz de destruir os inimigos com doenças voltadas especificamente para seus DNAs. Plasmídeos carregam as informações necessárias para os brutais ataques, indetectáveis pelos equipamentos inimigos. Mas, a vida como um revolucionário pode ser difícil e o amanhã nunca é garantido. Mesmo assim, a ajudante e o Professor continuam a trabalhar até que esse terror tenha passado.
É uma boa história com um tema que pode ser parte de nossas discussões no futuro: armas guiadas através do DNA. Aliás, essa tática de usar doenças para destruir inimigos é antiga; os turcos empregaram corpos de pessoas mortas para infectar os habitantes de Constantinopla, que se escondiam atrás de suas inexpugnáveis muralhas. Ardis semelhantes foram usados em outras campanhas. Mas, o domínio de armas biológicas guiadas por DNA pode ser o futuro e é a medicina sendo empregada para o mal.. Essa discussão ética acabou não entrando na discussão da história, o que acredito ter empobrecido um pouco aquilo que a autora desejava entregar. Mesmo que fosse um parágrafo para refletir sobre o horror que eles estavam entregando.
Essa é uma narrativa curtinha que se foca na ajudante que precisa entender qual o seu papel ao lado do Professor. Sua vida é medida por esse trabalho infame e ela só conhece aquela realidade. Seu trabalho ao lado de seu mestre a coloca sabendo cada um dos detalhes de suas experiências, tornando-se a herdeira de suas pesquisas. Mas, quem é o Professor e o que ele deseja dela? E o que aconteceria à resistência se ele fosse capturado?
More misses than hits. But the hits were particularly good.
Candide; Life- by Beth Goder I enjoyed the worldbuilding which focuses on controlled bubbles of environment and extends it to the interplay between art and emotion. There was some character development but felt it didn't reach its potential. Hit.
A Thousand Tiny Gods by Nadia Afifi The story follows the use of medical nanotechnology to treat a popular reformers cancer in the repressive Bahrain regime. I thought it was particularly well written. It had a good use of comedy. Hit.
The Clock, Having Seen Its Face in the Mirror, Still Knows Not the Hour by Adam Stemple Best story of the collection. Poignant and sentimental. I loved the nonlinear presentation. Hit.
The Serpentine Band by Congyun 'Mu Ming' Gu I didn't finish this one. Its about a girl who starts dreaming of the world drawn on her exquisite bracelet. Read a few pages but wasn't drawn in. If someone finished it let me know how you liked it. Miss.
A Heist in Fifteen Products from the Orion Spur's Longest-Running Catalog by Andrea M. Pawley This is some kind of comedy where each new product introduced in the plot is even more ridiculous than the last in terms of technobabble and function. I personally didn't think it was funny, so there really wasn't much left. Its very comedy first, plot and characters next. Miss.
An Instance by Mlok 5 The thoughts of an AI that handles the search queries assigned to it in a brutally sarcastic manner. Miss.
Resistance in a Drop of DNA by Andrea Kriz I don't really understand this one. Scientists working on decoding DNA for the French resistance. I think it might be an analogy for how DNA works itself, exchanging encoded packets of instructions. But the story doesn't feel whole. Miss.
Very short but accomplishes what it wants to, I'd say! Artistry and emotion capture are the main aspects of this short story.
A Thousand Tiny Gods (4/5)
A fine story about new nanotechnology being used to treat cancer. What would happen if this technology were to suddenly become a reality? The same things that happened with e.g. COVID-vaccines: some distrust, conspiracy theories, but most of the public in favor.
The Clock, Having Seen It's Face in the Mirror, Still Knows Not the Hour (4.5/5)
An old clockwork man becomes the companion of a compassionate human. He's one of the remaining robots after a robot uprising. A gentle tale.
The Serpentine Band (4/5)
Equilibrium, Yin and Yang, Plato's Cave, time and many other things play an important role in this multi-facetted story. A good read.
A Heist in Fifteen Products from the Orion Spur's Longest-Running Catalog (4/5)
A delightful heist story told via the usage of various products created by the protagonist's company. Better than I was expecting! The format is cute, but it also works as a story.
An Instance (3.5/5)
Very Murderbot-esque story from the perspective of a search engine AI. Quick, fun but wish it did more with the concept.
Resistance in a Drop of DNA (3/5)
A very short story about DNA, war and resistance. Thought it was fine.
"The Clock, Having Seen Its Face..." was the standout for me. A story about a clockwork man normally wouldn't be up my alley (robots exploring sentience, emotional connection, etc. is not a super fresh trope and I'm not a fan of steampunk) BUT the execution was so well-done. I hate to use the word poignant but it really was, and not in a twee way. Well worth the amount of space it took up in this issue.
The other long story, "The Serpentine Band," wasn't as successful. The concept was intriguing but so abstracted that it was hard to picture clearly. I also don't think it needed to be quite this wordy.
The rest of the issue was just fine! I enjoyed reading the stories but either the speculative elements felt a bit weak ("A Thousand Tiny Gods" and "Resistance in a Drop of DNA"), or the writing style was just not to my liking ("A Heist in Fifteen Products..").