Elize Araújo Kitano Matsunaga era cheia de sonhos. Na infância, almejava sair do interior do Paraná em busca de uma vida melhor na capital. Mudou-se para Curitiba e escolheu ser prostituta de luxo. Entre um programa e outro, pensava em ser resgatada da vida degradante por um homem romântico, casar-se e ser mãe. Todos os seus desejos foram realizados. Ela subiu ao altar com o empresário Marcos Matsunaga em outubro de 2009. A tão sonhada filha nasceu em 2011. Seu mundo caiu um ano depois, quando resolveu dar um tiro na cabeça do marido, dentro da sala do apartamento em que moravam, e esquartejá-lo em sete pedaços usando uma faca de cozinha. Em seguida, colocou as partes do corpo em sacos de lixo e fez a desova numa mata de beira de estrada, onde foram devoradas por cachorros e urubus. O crime chocou o país. Na hora de confessar o delito, Elize disse que matou porque estava sendo traída e vivia sob constante ameaça de ficar longe da filha. E usa o amor materno para justificar a brutalidade de seu ato. “Não queria ser presa e ficar longe dela”, argumentou. Depois de matar o pai da sua filha, Elize iniciou uma saga para receber o perdão da menina. “Um dia, filha, quero te contar pessoalmente tudo o que aconteceu naquele apartamento. Mas, se você não me perdoar, eu entenderei”, escreveu. A menor, com 10 anos em 2021, já conhecia toda história da mãe assassina. No documentário intitulado Elize Matsunaga – Era uma vez um crime (Netflix), a viúva fala do sentimento de ter dado um tiro na cabeça do marido, mas omite os detalhes brutais do esquartejamento. “Há segredos na vida que a gente leva para o túmulo”, anunciou na TV. Os segredos que Elize quer enterrar com a sua morte estão revelados nas páginas desta obra.
Eu esperava ver mais detalhes da vida de Elize no pós-crime e sua vida no sistema carcerário, assim como foi o livro de Suzane, mas aqui o ensaio nos traz o background de Elize e de como ela e o marido se conheceram.
O livro te prende do início ao fim. Foi uma leitura difícil, todas os relatos das pessoas ao redor de Elize e Marcos foram extremamente angustiantes. Algumas cenas me deram náuseas. Para quem é sensível, fica o alerta: há muito, MUITOS relatos de violência e abuso sexual no livro.
Eu fiz 210 marcações, mas não consigo escolher uma para destacar. Me espantou a forma como Marcos se referia às mulheres, ele era um homem totalmente depravado. Violentíssimo. Nojento. Elize, por sua vez, é fria e narcisista, mas vem de um passado de sofrimento sem tamanho. Ela tentou mudar diversas vezes, mas só caiu em ciladas. Seu passado não apaga ou ameniza a brutalidade do crime que cometeu, de forma alguma.
No início, Ulisses atesta que Elize contou com um cúmplice. Porém, isso não foi provado em tribunal e o fato reaparece ao fim do livro como algo que não se tem certeza. A perícia não achou nada na tal serra elétrica. Mas, até aí, também não acharam sangue na casa onde o crime aconteceu (bizarro, né?). Mais um segredo que Elize levará com ela pelo resto da vida.
Tinha visto o documentário então já sabia da história. O livro em si não é necessariamente sobre o crime em detalhes. Conta toda a história da Elize e proporciona muito contexto sobre a sua vida até ao crime. Tem várias personagens extra para contextualizar que foram uma boa surpresa. Impressionante entender o mundo da prostituiçao no Brasil. Tem um ótimo flow, por vezes até me esqueci que o livro era sobre um crime porque parece mesmo uma ficção maior.
Devorei esse livro!! A história é viciante, os diferentes personagens, as narrativas, o relacionamento da Elize com o Marcos, enfim, tudo!! O jeito que o autor escolheu pra contar a história, simplesmente impecável. obs: estamos com ela, estamos fechados com ela
Achei um livro de true crime bem completo, inclusive conta outras histórias de garotas de programa, mostrando melhor como é o universo no meio do qual a Elize conheceu o marido. Acho que vale a leitura para quem gostaria de entender melhor o caso, que definitivamente marcou gerações.
In comparison to the dubious book "Suzane: Assassina e Manipuladora" (2020), there is a noticeable difference in the author's writing. Trying to incorporate literary elements, Campbell created detours by detailing Elize's past, rather than going straight to the bloody point, which undoubtedly motivated him to write this book. The anonymity lends a certain discredit. I couldn't understand why the author emphasized the convict's past sex life with such a wealth of details (some of them obscenely erotic). Chapter 2 looks like a Frankenstein's monster mix of "Lolita" (Vladimir Nabokov, 1955) and Raquel Pacheco (a.k.a. Bruna Surfistinha, a famous Brazilian former call girl). Nothing substantial there. Meh! By the way, it is perceptive that the author postponed the sordid details of the case by writing long and tedious paragraphs. Chapter 4 ended with the first meeting between Elize and her future husband, after pages and pages of stalling. It seemed like a book (about prostitution) inside another book (about the crime). By the way, the moralistic conclusions were unnecessary. Elize's proof that she was being betrayed is described in terrifying detail by the author in Chapter 9. She hired a team of private investigators to track down her husband and gather evidence in favor of her divorce. The author has written a fifth-rate horror movie script based on the fight that ended with Marcos' murder. The author's rhetoric is as macabre as the murder itself. As if the crime's cruelty wasn't enough, the author portrayed homo-affective relationships with cynicism and chauvinism. In the book "Suzane: Assassina e Manipuladora," I recognized the same sensationalist tone, which was disturbing. The crime and the author's narrative are both revolting.
Gostei bastante! Dá pra conhecer um pouco mais da vida da Elize, ver o que passou antes de cometer o crime e conhecer mais sobre as pessoas que a cercaram. A escrita é bem boa, a pesquisa bem vasta mas a única parte que acho meio delulu é que há diálogos que a gente não sabe EXATAMENTE se o ocorreram ou não.
4,5. É um livro sofrido/difícil de ler mas que te prende do início ao fim. Muita riqueza de detalhes, assim como no livro de Suzane. Só esperei mais sobre a vida pós crime.
a unica coisa que me irritou foi os dados aleatorios do nada que o autor jogou fora isso muito bem escrito e detalhado. elize nao fez nada de errado marcos monstro do lago ness
Confesso que esperava ler mais sobre a vida de Elize depois do crime, mas o livro foca-se sobretudo no passado dela. Em alguns momentos, os detalhes sobre outras pessoas e histórias paralelas são, na minha opinião, desnecessários e torna a leitura arrastada. As descrições são demasiado cruas e gráficas, compreendo a razão pela qual o escritor as inclui, no entanto dei por mim desconfortável e agoniada - tendo de fazer algumas pausas.
O que mais me marcou, porém, foi pensar no peso real da situação: independentemente dos motivos, uma vida foi perdida e muitas outras foram destruídas — familiares de ambos os lados. Vejo muita gente a defender Elize com frases como “antes Elize (Matsunaga) do que Eliza (Samudio)”, mas isso retira a gravidade do que aconteceu, não só a morte em si, mas também a forma brutal como o corpo foi descartado.
True Crime Br Depois de ler o livro do autor sobre Suzane, fiquei curiosa para conferir sua narrativa a respeito de Elize Matsunaga, a mulher que esquartejou o marido. Aqui nesse livro ele conta a história de Elize Matsunaga,a menina do Interior do Paraná que se tornou prostituta na adolescência,foi pra São Paulo,deu a volta por cima,se casou,teve uma filha e matou e esquartejou o marido. Devido o crime ser famoso e recente (2012) eu me lembro bem do caso.Porem quis ler esse livro, porque sabia que teria algo a mais,pois assim como no livro da Suzanne Von Hosstoff,o escritor não ficou somente no crime e na personagem principal,mas em outros aspectos interessantes também. É bom fazer um aviso: o livro se trata bem mais da vida trágica das mulheres, como Elize, na prostituição do que o crime em si. O que me deixou mais chocada nesse livro não foi a infância e adolescência difícil de Elise,mas sim as histórias das prostitutas.Ulisses adentrou profundamente nas histórias dessas mulheres, das humilhações que elas precisam passar pra ganhar o seu dinheiro e porque elas se tornaram prostitutas,e raramente foi porque elas quiseram,mas sim por necessidades da vida. Porém achei o livro anterior do autor (Sobre a Suzane Von Richtofen) melhor, pois foi mais objetivo. Nesse livro ele divaga demais por alguns assuntos, o que acabou deixando a leitura pra mim meio cansativa. Ps: Eu esperava ver mais detalhes da vida de Elize no pós-crime e sua vida no sistema carcerário, assim como foi o livro de Suzane. Porém através desse livro podemos ver que a vítima desse crime,o Marcos Matsunaga era um homem extremamente escroto,machista,misógino,incapaz de conquistar uma mulher,por isso recorria as prostitutas.Ele era um milionário apavorante e tenebroso. Podemos perceber através dele o que dinheiro não compra não é ?Porém Marcos encontrou alguém muito pior do que ele. "Me casei com uma puta e minha relação com ela é um programa sem fim." Ele também estava enganado. O programa teve fim. Marcos está morto. Elize está cuidando da vida.? Espero que o autor continue escrevendo mais sobre criminosas e criminosos Brasileiros.
Gostei do livro e achei a escrita muito fluida, mas me incomodei muito com a quantidade de dados estatísticos colocados aleatoriamente no livro sem contexto algum. No meio da história, logo depois de dizer que fulana não foi registrada pelo pai, o autor parava para o falar o índice de crianças que não tem o nome do pai no registro. Pra que?????
Fora isso, gostei da escrita.
“Excêntricos, amantes de armas e exímios caçadores, Elize e Marcos foram feitos um para o outro.”
“Em comum, as especialistas encontraram nela traços de narcisismo, imaturidade, autoestima baixa e estrutura psíquica infantil.”
“Quando estava engrenando no ramo da prostituição em 1999, Elize era tão carente de afeto que costumava se apaixonar perdidamente pelos clientes. Nessa época, uma cafetina experiente lhe fez um alerta: "Você nunca vai mudar de vida se envolvendo com fregueses. Sabe por quê? Porque eles vão te ver eternamente como prostituta". Quando subiu ao altar com um cliente, em 2008, Elize concluiu que a cafetina estava enganada. Mas ela não estava. No ano em que foi assassinado pela esposa, Marcos comentava com amigos: "Me casei com uma puta e minha relação com ela é um programa sem fim". Ele também estava enganado. O programa teve fim. Marcos está morto. Elize está cuidando da vida.”
“Para matar com as próprias mãos, são necessários três elementos básicos: desejo, coragem e força física.”
“Definitivamente, caçar não é apenas um esporte no qual o homem se arma e persegue um animal na floresta para matá-lo a sangue frio. Essa atividade tem a ver diretamente com o que somos capazes de fazer com a vida dos outros.”
“Raramente os políticos entravam em contato diretamente com as profissionais. Quem se encarregava da abordagem inicial eram os chefes de gabinete. Eles marcavam os encontros e faziam os pagamentos. Assim, os políticos ficavam blindados.”
“‘Ela [Gizelle] não sai com qualquer um, vou logo avisando. Moça elevada à quinta-essência, é ideal para encontros de negócios no exterior. Nasceu para satisfazer o homem na cama. Faz você realmente pensar em largar tudo e se casar novamente. [...] Faz anal sem reclamar e tem um rabo bem limpinho. Mulher que não dá o cu não deveria ser chamada de mulher. [...] Mas prepara o bolso que ela vai ordenhar seu pau com uma mão, enquanto pegará o seu dinheiro com a outra Mas valeu cada real investido […] Seu boquete me levou à Lua e me trouxe de volta à Terra em fração de minutos’”.
“Em 2013, Wyllys incendiou o debate ao acusar publicamente o Congresso brasileiro de conservador e hipócrita. O então parlamentar disse na época ter um levantamento exclusivo e inédito apontando que 60% dos 513 deputados usavam serviços de prostitutas. No dia 24 de janeiro de 2019, Wyllys abandonou o mandato alegando sofrer ameaças de morte. Seu projeto de lei foi arquivado sem ser votado, sete dias depois de ele abandonar o Parlamento.”
“Os estudantes concluíram que Elize era milionária, mas não imaginavam a fonte do dinheiro” Fácil fazer caridade com o dinheiro dos outros…
“É bom deixar claro: em caso de divórcio, Elize não teria qualquer possibilidade de acessar os bens da família Matsunaga. O único canal para ela se apoderar do patrimônio do marido seria se ele morresse, o que faria dela herdeira necessária.”
“Para o casamento de Marcos e Elize foram convidadas 200 pessoas, mas só a metade compareceu.”
"Foi uma festa estranha porque os convidados não estavam se divertindo.”
“Sua filha não é a única criança que viveu, vive e viverá sem o pai” trecho da carta escrita da Elize para o Marcos, falando sobre a primeira filha dele.
“Eu também cresci sem um pai e nem por isso eu destruí a minha vida. Não me tornei drogada nem alcoólatra, não caí em depressão achando que nada daria certo. Pelo contrário.”
“Antes de embarcar, ela foi a um shopping e comprou uma serra elétrica tico-tico, mesmo modelo usado por seu padrasto Chico da Serra em trabalhos em Chopinzinho.”
“Nunca foi provada a participação da tal terceira pessoa. O inquérito par apurar essa suspeita terminou com um carimbo de ‘inconclusivo’.”
“No entendimento do júri, no assassinato de Marcos por Elize, não houve ‘motivo torpe’ (matou por vingança e dinheiro) nem ‘meio cruel’ (a vítima ainda estaria viva quando foi esquartejada).”
“As pessoas vão esquecer o que você disse, as pessoas vão esquecer o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir.”
“No entanto, quando a criança tinha 8 anos, um coleguinha da escola a chamou num canto e contou sobre a trajetória, pontuando que Elize, sua mãe, era uma assassina fria e cruel, pois havia decaptado Marcos, o seu pai.”
Neste livro, ficamos a conhecer um pouco mais a história de Elize Matsunaga: uma rapariga do interior do Paraná que, ainda adolescente, entrou na prostituição, mudou-se para São Paulo, conseguiu dar a volta por cima, casou-se, teve uma filha e, mais tarde, matou e esquartejou o marido.
Conheci recentemente o caso no youtube e por isso quando soube que havia um livro, quis ler porque sabia que iria encontrar algo mais do que apenas a reconstituição do crime. E, de facto, o autor não se limita a falar do homicídio nem apenas da figura principal, mas explora também outros aspetos relevantes.
Convém, no entanto, deixar um aviso: o livro centra-se muito mais na vida difícil de mulheres como Elize, marcadas pela prostituição, do que propriamente no crime em si. O que mais me impressionou não foi a infância ou a adolescência complicada de Elize, mas sim os relatos sobre outras mulheres que seguiram esse caminho. Ulisses mergulha profundamente nas histórias delas, nas humilhações que enfrentam para conseguir sobreviver e nas razões que as levaram a prostituir-se — quase sempre por necessidade, e raramente por escolha.
Ainda assim, considerei o livro anterior do autor, sobre Suzane von Richthofen, mais cativante, pois era mais direto e objetivo.
Também esperava encontrar mais detalhes sobre a vida de Elize após o crime e o seu quotidiano na prisão, tal como aconteceu na obra dedicada a Suzane, mas esse não foi o foco. Por outro lado, o livro permite conhecer melhor quem foi a vítima, Marcos Matsunaga, apresentado como um homem arrogante, machista e misógino, incapaz de se relacionar com uma mulher sem recorrer a prostitutas. Apesar da sua fortuna, era descrito como uma figura opressiva e perturbadora, mas acabou por cruzar-se com alguém ainda mais perigosa do que ele.
No fim, fica a reflexão de que há coisas que o dinheiro não pode comprar, não é? Marcos acreditava que tinha um “programa sem fim”, mas enganou-se.
"Me casei com uma puta e minha relação com ela é um programa sem fim." O programa acabou. Marcos morreu. Elize está cuidando da vida.!
essa foi a primeira obra eleita pelo clube do livro maléfico que eu e meus amigos idealizamos.
sendo honesta, não é tão ruim quanto eu achei que seria. tenho muito pé atrás com livros de true crime num geral porque eles tendem a cair numa linha de ficar tentando chocar o leitor a todo custo, e não acho que o campbell fez isso tantas vezes. o que me incomoda, no entanto, é quando ele tenta ser técnico demais com coisas completamente desnecessárias - trechos como "Marcos ficou pensativo quando ouviu tal ponderação e argumentou com uma oração subordinada substantiva completiva nominal:" me fizeram questionar o que eu estava fazendo ali. me entristece que o autor não teve o mesmo questionamento. o livro de quase 400 páginas parece uma grande gambiarra pra unir todas as ideias que ele teve, e que não dialogam entre si. em alguns momentos parece que a história se propõe a ser um panorama dramático da vida das prostitutas nas grandes cidades do Brasil; em outros, parece querer ter uma precisão técnica para descrever fenômenos jurídicos da esfera penal (onde ele falha com frequência, diga-se de passagem); e em outros parece ser o que o título indicaria, a história de um crime famoso pela perspectiva da condenada. e justamente por essas coisas não terem diálogo algum entre si que o livro deixa muitas pontas soltas. qual era a finalidade de dedicar um espaço considerável da obra para falar do dono das casas bahia? isso não é retomado em momento nenhum. também não foi mostrada nenhuma justificava para submeter o leitor a detalhes da vida pessoal de várias outras pessoas que nada tiveram a ver com a morte do marcos matsunaga.
por um lado mais positivo, muito me agrada que o autor teve certa sensibilidade - ao meu ver - para tratar das (inúmeras) histórias das prostitutas da época da elize. inclusive, se esse fosse um livro especificamente focado nessa esfera, eu o acharia muito mais interessante. é uma pena que não foi assim
Esse livro deveria se chamar "Todo Mundo é Horrível", pq olha...
Ullisses é um contador de histórias tão bom que estou pensando até em ler o livro sobre Flordelis, apesar de não ter interesse algum no caso dela. O livro sobre a Matsunaga, apesar de me interessar menos pelo caso dela do que pelo da Suzane, foi uma leitura mais fluida e divertida, já que o autor era mais experiente.
Sei que algumas pessoas criticam o livro pelo foco demasiado no mundo da prostituição, mas achei essa parte interessantíssima! Claro, conforme eu lia sobre os clientes e o histórico de vida das GPs, fui perdendo a esperança na humanidade, renovando meus votos de solteirice eterna e lamentando a morte da minha ingenuidade. A realidade realmente supera a ficção! Porém, a leitura valeu muito a pena, tanto pelo valor informativo quanto para contextualizar a vida que Elize levava e o tipo de pessoa que acaba na prostituição, mesmo na de luxo.
Admito que, ao contrário de muitas mulheres, não saí com simpatia por Elize, não. Pelo contrário, até. Inclusive nunca entendi as acusações de que o autor passa pano para ela ou pra Suzane, seja nos livros ou nos podcasts que ele vai. Tive pena só da Penélope e da Chantal (cujas histórias de vida são horríveis), da ex-esposa do Marcos e dos animais mortos pelo casal sanguinário.
Um ponto alto do livro, na minha opinião, foram os comentários sarcásticos do autor (feitos em momentos propícios). Vários trechos do livro me tiraram uma risada sincera. Um deles foi o autor contando sobre um cara já nos 40 anos que teve Elize como primeira namorada. Ullisses, com seu humor característico, teve que apontar que o homem insistia já ter superado Elize há tempos... apesar de estar com os olhos marejados ao dar a entrevista e de ter cancelado com a atual namorada pra falar da ex por horas a fio kkkk
Enfim, super recomendo esse livro para quem curte o gênero.
Um dos crimes mais emblemáticos, que habita o imaginário popular, tanto por seu enredo inusitado, que envolve sexo, traição, dinheiro e poder, quanto pela crueldade do ato em si. Elize Araújo Matsunaga a primeira vista tinha tudo que uma mulher poderia querer: rica, bonita, jovem, com uma filha pequena e um marido executivo de uma das maiores empresas alimentícias do país. Mas por trás disso, havia um passado e um presente sombrio. No livro de Ulisses Guimarães conhecemos mais sobre a infância difícil, marcada por abusos de Elize, sua passagem pela prostituição e a conquista de Marcos, um outro personagem que também não era o que se imaginava a primeira vista. Quando ela se vê ameaçada de perder o que sempre desejou, Elize comete um crime inimaginável: mata e esquarteja seu marido em seu apartamento. Em meio ao drama de Elize, conhecemos a história de diversas garotas de programa cujas histórias se entrelaçam com a deles. Personagens cheios de traumas, dores, que mostram muito de uma realidade para a qual a maioria fecha os olhos.
"Quem matou esse homem tinha muito ódio no coração."
Comecei a leitura acreditando que a obra se limitaria ao crime e ao pós-crime. No entanto, encontrei 463 páginas que percorrem toda a trajetória de Elize e das pessoas que passaram por sua vida. Envolvi-me profundamente com a narrativa e, honestamente, por alguns instantes, cheguei a compreendê-la.
O livro retrata a vida de Elize Matsunaga em suas múltiplas faces: a técnica de enfermagem, a prostituta, a Kelly, a estudante de Direito, a mulher que esquartejou o marido. Chame como quiser.
A narrativa acompanha sua história desde o início da vida até o momento em que ela encerra outra. Trata-se de uma leitura impactante, capaz de despertar diversos sentimentos negativos: raiva, medo, tristeza, nojo e ansiedade. Ainda assim, por alguns minutos, também senti empatia.
Elize é, de fato, uma assassina. Mas Marcos a transformou em uma muito antes de ela puxar o gatilho.
Eu terminei essa leitura morrendo de medo da resenha... Eu me simpatizei com a Elize mano. É claro, não justifico e nem aceito o que ela fez. Matar alguém com essa crueldade não da pra aceitar. Porém, vendo pelo lado dela da história, é de se pensar em algumas coisas. Marcos também não era todo santo não, Elize sofreu poucas e boas mas mãos dele. Mais uma vez o autor me cativou e me prendeu na leitura. Os fatos são tão palpáveis, é claro que depois fui atrás das fontes pra confirmar algumas coisas e tudo é 100℅ verdadeiro nesse livro. Gostei bastante. Só não é perfeito porque acho q o autor divaga demais em certos pontos, ele conta muitas histórias de vida de personagens que não liguei muito. Enfim, basicamente fiquei meio a meio com Elize e Marcos, não aprovo suas ações mas também não crucifico nenhum dos dois. Super recomendo a leitura pra quem gosta de true crime.
Gostei muito do livro, leitura bem gostosa e te eixa intrigado a saber como as coisas aconteceram. Porém muitos dados estatísticos e informações nem sempre relevantes. Na minha opinião era melhor ter a explicação de alguns termos jurídicos do que estatística. Além de tudo, os diálogos, as falas do Marcos e da própria Elize, não necessariamente foram aquelas, uma vez que a própria Elize não deu entrevista para esse livro. Tudo baseado nos depoimentos e no que foi disponibilizado ao autor. Senti falta de um pouco mais de detalhes do crime e também algumas informações vão de confronto com a série da Netflix sobre o caso, série na qual a Elize aparece e da seus depoimentos. Apesar das minhas críticas kk a ironia do autor faz toda a diferença. Parabéns, Marcos e o dono da Casas Bahia são podres !!!!!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Achei esse livro incrível. Gosto muito de livros de true crime que não são estilo reportagem da Record, dando um apanhado geral sobre o crime, os envolvidos, e o que aconteceu. Nesse livro, é muito sobre o contexto: quem era elize, qual era o círculo de amizades dela, quem era Marcos, que tipo de vida eles viviam, etc. É um livro que mostra que acima de tudo, todos os crimes são humanos. Uma palavra errada, um lugar errado, o momento errado, pode despertar o gatilho de uma vida inteira de outra pessoa e acarretar no cancelamento do seu CPF
A todo momento lendo o livro eu me esquecia de que é uma reportagem sobre um crime chocante, e parecia estar lendo um thriller. Que história! Cheia de desgraças, sofrimento, crimes. Não há um ponto positivo na trajetória de Elize, e Ulisses paraece não se acanhar em escancarar isso. O autor também intercala os relatos com análises sociológicas e psicológicas dos grandes temas abordados no livro: traição, prostituição, abusos, preconceitos.
O que podemos fazer para previnir esses crimes? Impossível dizer, mas uma história como essa nunca poderia acaber bem.
que leitura surpreendente… eu diria que Elize Matsunaga e seu crime são o de menos nesse livro pelo quão amplo é o trabalho jornalístico que Ulisses fez retratando, principalmente, o submundo da prostituição. o recorte da violência e da realidade que coloca os mais variados tipos de mulher nessa condição dão, não somente um background para o desfecho do casamento de Elize (sem amenizar o crime), como também denunciam um sistema de opressão feminina frequentemente invisibilizado.
A gente precisa conhecer a história de forma ampla, por várias nuances e ambientes.
Toda a ambientação que Ulisses descreve em seu livro é muito bem escrito além de "personagens" com histórias que por vezes desconfiei em ser real porém eram verídicas.
A gente entende como a frieza de Elize surgiu, desde de sua mãe, uma infância difícil.
Um livro difícil de ler com histórias problemáticas que por suas vezes dão um certo desconforto em continuar.
Dou quatro estrelas, porque gostava que o autor falasse um pouco mais da Elize depois desta ter sido condenada, tal como no primeiro livro. Também achei chocante algumas histórias que o autor falou sobre algumas mulheres que envolviam principalmente abuso sexual e violência contra a mulher. Confesso que algumas partes foram difíceis de ler. No entanto, tal como no primeiro livro, a escrita do autor agarrou-me desde do início até ao fim, sem dúvida.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Elize Matsunaga fecha com chave de ouro a trilogia de True Crime de Ulisses Campbell. O autor mergulha na vida da mulher que chocou o país ao assassinar e esquartejar o herdeiro da Yoki.
O livro evita o maniqueísmo: não a inocenta, mas contextualiza a sua vida marcada por abusos, traumas e a dinâmica tóxica do casamento. Campbell explora como uma "princesa" se tornou uma assassina esquartejadora, oferecendo uma análise psicológica e social profunda. Leitura obrigatória e perturbadora.
"– Quando você era puta, bastava eu abrir a carteira que você abria as pernas. Agora é essa frescura de hoje não, dor de cabeça, boceta ressecada, gravidez...
– Amor, agora sou sua esposa. Serei mãe da sua filha. Não sou mais garota de programa.
– Quem disse que você não é mais? Quem?
– Para com isso, por favor!
– Uma vez puta, sempre puta. Puta sempre hei de ser! – concluiu o empresário fazendo trocadilho com o hino do Flamengo."
Apenas o melhor livro da trilogia Mulheres Assassinas. O história da Elize é muito interessante e as histórias paralelas são tão interessantes quanto. São tantas camadas… traição, intriga familiar, abuso. Esse é o livro que mais te prende. Depois de ler o livro, você não tem só uma visão diferente de quem a Elize é mas também de toda a concepção que temos sobre o mundo da prostituição.
Dentre todos os livros da trilogia, esse foi o único que me fez chorar. Eu amo como o Ullisses o escreveu. Ele, pessoalmente, abomina a prostituição mas teve todo um cuidado ao escrever e falar sobre a vida dessas mulheres. É um tema polêmico e envolto de muita misoginia mas o autor foi muito profissional e ético. Nós mulheres sabemos como podemos ser retratadas por autores/diretores homens, mas o Ullisses surpreende por sua escrita tão sensível. Acho que é esse o motivo por ele ser tão querido pelo público feminino. Sou fã dele! Livro FANTÁSTICO.
Primeiro contato com a escrita de Ulisses Campbell, simplesmente adorei. Embora eu tenha demorado um pouco á concluir a leitura por motivos de forças maiores, me pegava pensando no livro, lia sempre que podia. E digo: é quase impossível largá-lo. É viciante. Incrível. Com certeza, lerei mais obras do Ulisses.🤍📓
O livro é bom; ele usou uma estrutura em que contou a histórias de outras profissionais do sexo para “preparar” e talvez contextualizar a história de Elize. Apesar de interessante e relevante, achei que essas histórias acabaram ficando maiores que a do crime. No entanto, é um ótimo livro.
Além do crime, um livro que discorre sobre a realidade dura da prostituição e a vida difícil que fez de Elize uma pessoa fria e capaz de assassinato. A obra, como as melhores do gênero de 'true crime', humaniza mas não romantiza a história da criminosa.
Gostei muito do livro contar um pouco a história das outras pessoas que, de forma direta ou indireta, tiveram parte na vida da Elize e/ou do caso e das informações sobre a polêmica carreira das(os) profissionais do sexo.