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Revolucionários Que Eu Conheci

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A autora, que a certidão de nascimento confirmava ser Maria Armanda Pires Falcão, marcou o meio jornalístico, sobretudo durante o verão quente de 1975, com o seu estilo muito próprio de opinion maker, populista e sensacionalista, assumidamente anti-comunista, anti-esquerda e anti-revolucionária.

Com uma carreira jornalística iniciada no Diário Popular, onde a partir de 1966 lançou a coluna de crítica mundana "Bisbilhotices", depois continuada no Diário de Lisboa, embora com menor sucesso, assumiu após o 25 de Abril a direção dos jornais O Diabo, O Sol, O País, e depois novamente O Diabo. Uma trajetória e uma personalidade que se dão a conhecer na entrevista, conduzida por Carvalho Ramos, na edição de Natal de 1977 da revista Eva.

Foi, portanto, uma figura feminina, há que sublinhá-lo, muito controversa: uns, reconheciam nela uma mulher corajosa, defensora dos valores democráticos; outros, viam-na como uma desbocada, facciosa e virulenta, apostada em fazer regredir as conquistas da revolução.

Revolucionários que eu conheci, editado em 1977, com ilustrações de CID, reúne uma série de crónicas que publicou na imprensa cerca de um ano antes.

Quando foi editado em Braga, pela Editorial Intervenção, de Paradela de Abreu – que já havia lançado Acuso, de Henrique Cerqueira, que aqui evocámos recentemente – o livro já era conhecido, pois a maioria das crónicas que o compunham (9 em 12) fora publicada nas páginas do semanário O País, onde o livro foi anunciado a 25 de Junho de 1976: "A nossa directora, Vera Lagoa, que há vários meses anunciou ter em preparação um novo livro a que daria o título «Revolucionários que eu conheci», entendeu que seria mais oportuno começar a escrever esses capítulos nas páginas de «O PAÍS». Brevemente, pois, todas as semanas sairá uma crónica dedicada a uma figura. O que não impedirá que, mais tarde, essas mesmas crónicas venham a ser compiladas num volume."

A notícia avançada em primeira mão cumpria dois propósitos: primeiro, deixar "um aviso" dirigido aos potenciais visados – quem seriam?; segundo, aguçar o "apetite dos nossos leitores". Tratando-se das confidências da já mui célebre Vera Lagoa, a jornalista “sem medo” que mais vezes respondera em tribunal por abuso de liberdade de imprensa, não estava esse apetite garantido?

Estávamos nas vésperas da realização das primeiras eleições para a presidência da Republica após a revolução de Abril. Aconteceriam em 27 de Junho de 1976. Neste clima pós-revolucionário, extremamente partidarizado e em que a imprensa escrita assumia sem pudor o seu posicionamento político, O País prometia desmascarar "certos «revolucionários» de fresca data, de conveniência, de oportunismo", que andavam agora a difamá-los, acusando-os de reaccionários ou fascistas. Uma afronta que pagariam "com língua de palmo", ameaçava o jornal.

Para que não ficassem dúvidas sobre o empenho que punham naquela campanha sanitária e sobre o tipo de “armas secretas” de que dispunham, fizeram logo ali, no anúncio da nova rubrica, em 25 de Junho de 1976, um exercício ofensivo, tomando por alvo o jornalista Urbano Tavares Rodrigues, que publicara recentemente no semanário O Jornal a comunicação que apresentara no colóquio da Intervenção Socialista, realizado em Maio, sobre "A recuperação da direita na Imprensa".

No mês de Julho, as figuras e os temas em destaque n’O País foram a eleição do General Ramalho Eanes para a presidência (a quem Vera Lagoa rendeu uma entusiástica homenagem e brindou, com uma carta amistosa e reconfortante: "Sr. Presidente, merece o meu respeito") e a própria diretora do jornal, Vera Lagoa, que entretanto fora julgada no Tribunal da Boa Hora por acusação de injúrias ao anterior chefe de estado, o General Costa Gomes, num artigo de opinião intitulado "Perdi-lhe o respeito, Sr. Presidente" que publicara, em Setembro de 1975, no semanário O Tempo.

No final de um mês tão intenso, O Pais voltou a anunciar, na primeira página, a publicação das crónicas "Os revolucionários que eu conheci…”, sublinhando o seu propósito "amplamente construtivo" e desafiando os leitores a participar enviando quaisquer elementos que tivessem na sua posse de modo "aumentar o manancial de documentação que serve já de base ao muito que está escrito."

Entre Agosto e Dezembro de 1976, foram publicadas nove crónicas, com a seguinte nota explicativa da autora: "Era minha intenção escrever um livro sobre os «Revolucionários» que tive a oportunidade de conhecer, durante a chamada «longa noite fascista». Noite fascista que não me beneficiou mas beneficiou - e muito - os «revolucionários» a que me refiro. Fá-lo-ei. Sim. Com estas crónicas agora começadas a publicar, pois, como o livro poderia demorar um certo tempo a aparecer, achei que poderia perder a oportunidade. A oportunidade de revelar quem era e o que é determinado punhado de homens que bajularam, se adaptaram, serviram o antigo regime e hoje são os mais ferozes adeptos do «processo revolucionário em curso». ...

283 pages, Paperback

First published January 1, 1977

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Vera Lagoa

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Catarina Cota.
4 reviews
July 2, 2024
Sou fascinada pela Vera Lagoa (Maria Armanda Falcão), pela sua irreverência, pela forma como nunca seguiu a carneirada e pelo seu sentido de humor satírico brilhantemente aguçado. Algumas das crónicas aqui apresentadas já conhecia e levaram-me a adquirir o livro, as restantes - que desconhecia - foram uma verdadeira surpresa.
Profile Image for Tania Cunha.
170 reviews14 followers
June 5, 2022
Conjunto de crónicas, muitas publicadas no jornal “O País”, visando “desmascarar” quem, no pós-25 de abril se afirmava como esquerdista convicto, mas que, segundo Vera Lagoa, durante o Estado Novo atuou de acordo com outros paradigmas.
Não aprecio o estilo, mas reconheço o valor que terá tido à época. Não gosto deste tipo de crónica, mas acredito que , só quem tenha vivido a época , tenha efetiva capacidade de avaliar.
Profile Image for Zé Filipe Melo.
75 reviews2 followers
April 5, 2023
Conheci Maria Armanda Falcão (Vera Lagoa) por intermédio da série 3 Mulheres da RTP.
Quer fosse pela sua figura ou pelo magnífico papel desempenhado pela Maria João Bastos fiquei curioso para ler este livro que é mencionado na segunda temporada da série (O Pós-Revolução) e dei por mim a ler o texto que ia lendo com a entoação que a atriz usava na série.
O livro em si, principalmente para um jovem que viveu poucos anos no século XX, está escrito com o humor próprio da escritora e repleto de referências que tirando um ou dois nomes que fomos ouvindo falar nas aulas de português (Ary dos Santos e Stau Monteiro) não passam de um desfile de ilustres anónimos rodeados por um ambiente que nos é estranho.
Ainda assim é interessante navegar nos meandros da revolução e perceber como houve personalidades que conseguiram trocar de fação como quem muda de camisa.
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