Uma definição. Sou coisa de difícil explicação! O que consigo explicar: Transmontana. Economista, pós-graduada em Direito Penal Económico e Direito Administrativo. Tenho dois gatos. Pratico SwáSthya Yôga. Já não danço sevilhanas. Comovo-me com as palavras do Joaquín Sabina e do Chico Buarque, com as pinceladas da Paula Rego e com o cheiro a terra molhada em entardeceres de Verão. Dos livros que leio, percebo que fui construindo uma geografia óbvia, os latinos, os mediterrânicos, os sul-americanos. A última coisa que tentei aprender: italiano! Falo e escrevo mal, consigo ler! A próxima coisa que quero aprender: fotografia! Talvez porque muitas vezes, ou em regra, as imagens explicam melhor do que as palavras. Enfim, a insuficiência das palavras!
A vida é engraçada, parece que amansa uns e enfurece outros.
Esta foi a primeira peça escrita por Raquel Serejo Martins e, talvez por isso, não me parece tão ágil nos diálogos nem tão coesa no enredo como em “Requiem por Isabel”, que adorei. “Preferia Estar em Filadélfia” é uma espécie de “Amigos de Alex”, em que quatro amigos de infância são convocados para estarem presentes no funeral de um outro amigo comum. No final, recebem a chave para se dirigirem ao apartamento luxuoso de Luís onde devem aguardar a chegada do advogado que os chamou. Desde as primeiras frases trocadas entre eles percebe-se que desconhecem o que levou o amigo a suicidar-se, visto que já pouco contacto mantêm entre si, sendo este reencontro a oportunidade para rememorarem os tempos de uma existência remediada nos subúrbios e para fazerem um balanço pouco positivo da sua vida adulta.
Paulo- Não tenho nenhum motivo para brindar. Pedro- Estamos os quatro aqui, juntos, claro que tens motivos para brindar. Pedro- Paulo! Paulo- Aos nossos defeitos! Todos-Aos nossos defeitos! Lúcia- (de olhos no Paulo) À indiferença! Júlia – Ao egoísmo! Pedro – Ao comodismo. Lúcia – À insegurança. Paulo – Ao abandono. Júlia – À inveja. Pedro –Não era inveja, Júlia, era apenas pobreza.