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Vida Desinteressante: Fragmentos de Memórias

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Nesta reunião de textos ― mistura de memórias, ensaios, anotações e crônicas ―, uma das mentes mais brilhantes de sua geração entremeia literatura, poesia, filosofia e política para refletir sobre si mesmo, mas também sobre as transformações do mundo ao seu redor.

Entre fevereiro de 2014 e maio de 2017, Victor Heringer assinou setenta textos para o site da Revista Pessoa. Na coluna “Milímetros”, o escritor registrou um pouco de tudo: o cotidiano, as referências literárias, a infância no Rio de Janeiro, a mudança para São Paulo, as novas e as velhas amizades, os sebos, as viagens, a política, o noticiário e um Brasil em franca ebulição.

Vida desinteressante traz uma prosa situada entre memórias, ensaios, anotações e crônicas ― ou anticrônicas, como aponta Carlos Henrique Schroeder, que assina a organização e a apresentação deste volume. São pensamentos luminosos de um escritor inquieto, que absorvia, a quente, as transformações de um mundo trepidante e de um país às vésperas do colapso.

As reflexões oscilam entre a ironia mordaz e a ternura funda, sem nunca deixar de lado o estilo irresistível, perspicaz e de rara sensibilidade, que remete a Machado de Assis, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Lydia Davis, Carlos Drummond de Andrade e Hilda Hilst.

264 pages, Paperback

Published September 20, 2021

11 people are currently reading
121 people want to read

About the author

Victor Heringer

19 books92 followers
Victor Doblas Heringer (Rio de Janeiro, 27 de março de 1988 – Rio de Janeiro, 7 de março de 2018) foi um escritor brasileiro. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2013, pelo romance Glória, e foi finalista do Prêmio Oceanos 2017, por O Amor dos Homens Avulsos.

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
December 27, 2021
Toda vez que eu termino um do Heringer eu fico um pouco mais triste. Esse daí em especial, já que é o livro mais próximo do escritor. Essa proximidade cotidiana mesmo, que se faz nas coisas pequenas que permeiam as semanas e se arrastam por elas como sua própria matéria.

Para além desse cotidiano pessoal, o livro trata desse cotidiano geral muito próprio dessas nossas últimas gerações. O fim do governo Dilma, a intensificação da internet como ferramenta de massa, crises de refugiados e outras realidades que vivemos todos em comunhão nos anos de 2014-2017, quando eu, adolescente que era, me sentia confuso e incapaz de me situar dentro disso tudo. Bom saber que não era só eu que me sentia sem sítio, e que até alguém como o Victor se sentia perdido.

E em meio ao sentimento de estar perdido, o que resta é construir esses nossos castelos no ar. Mas de fato, o que Victor Heringer construiu se assemelha mais a uma igrejinha do a um castelo. Sem pompa e sem adornos, mas que permanece a proteger e confortar todos nós que continuámos nômades no tempo e no espaço.
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
786 reviews145 followers
September 6, 2024
Neste volume de crónicas Heringer consegue, em seus textos curtos, transmitir emoções complexas e provocar reflexões intensas, fazendo com que os leitores se identificassem com suas observações.
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
June 9, 2022
Sinto-me tão amiga do Victor. Quando ele fala do Rio de Janeiro e de São Paulo em suas crônicas, é de uma elegância* e ternura*
Profile Image for Andre Aguiar.
477 reviews116 followers
Read
April 16, 2023
um choro alegre triste, uma ladainha,
rememoração diante do fim.
e, diante do fim, tudo é perigo,
mas também tudo é possibilidade
- até o passado.
Profile Image for Fernanda Lacerda.
29 reviews
March 13, 2025
Grata por me fazer ver o documentário do Herzog e por ouvir Travadinha, por me encantar com a redefinição de ironia, por me apresentar à saudação lacrimosa, por me acolher profundamente com a história do sebo de Friburgo, o mesmo que eu também ia.
Que sejamos sempre os bobos que acham as coisas bonitas.

“É necessário, ainda outra vez, escutar a bruta e oca poesia dos leilões de gado para descobrir como não ser gado” - sobre Werner Herzog e seu incrível documentário sobre leiloeiros de gado na Pensilvânia e a última poesia possível do capitalismo.

“Para atingir o mais profundo da verdade, é necessário inventá-la”.

“A prova de um inteligência de primeira ordem é a capacidade de sustentar duas ideias opostas ao mesmo tempo e ainda conseguir funcionar”.

“O caráter artístico dionisíaco não se mostrar na alternância de lucidez e embriaguez, mas sim em sua conjugação”.

“Só o fim nos une. Foi sempre contra o fim que cantamos, escrevemos, pintamos? Foi sempre contra a morte que erguemos arranha-céus e inventamos o trem. Contra o apocalipse, nossas ilhas utópicas. Contra a morte, nossas árvores genealógicas. Mas as árvores estão com os dias cortados e as ilhas, caras. Acabou a ciranda das revoluções e contrarrevoluções. A morte do indivíduo acabou. Acabaremos juntos. Agora todos sabem como se sentia Augusto dos Anjos.
O tempo já não é uma linha reta. A história deixou de ter futuro linear. Adeus, seta envenenada do Progresso: tiro n'água.
Este é tempo líquido, tempo enchente, tempo tudo”.


Profile Image for Luiz Eduardo Antonello.
91 reviews5 followers
January 3, 2023
que descoberta linda para o fim de 2022
victor heringer foi um dos melhores escritores da geração da qual fez parte - com um texto interessante, poético bonito, consegue destrinchar as angústias e alegrias de viver nesse início de século XXI, nessa vida desinteressante interessantíssima
as crônicas reunidas nesse livro cobrem aspectos diversos do estar vivo por agora e ter sentimentos conflitantes em relação ao mundo, às cidades, ao ser jovem, à arte, a tudo.
(quero agora ir aos romances de victor e provavelmente me apaixonar mais ainda)
Profile Image for Vinicius Mizobuti.
30 reviews2 followers
February 14, 2025
Já tinha lido e gostado bastante dos romances do Victor Heringer, mas não sabia muito o que esperar dessa coletânea de crônicas. Seria só um lançamento para surfar no hype que surgiu após a morte do autor? Terminando o livro, no entanto, vejo que não. É um baita livro, que merecia mesmo ser publicado, principalmente pelo recorte temporal que ele cobre, de 2014 a 2017.

Pela lente do Victor, relembramos um pouco daquele período bizarro que o Brasil viveu, mas não por uma descrição dos eventos marcantes, e sim pela descrição do cotidiano. Um exemplo cômico disso é a crônica "Ascensão e queda da coxinha de frango", e de como, no auge de 2015, "...ficou difícil comer coxinha em total impunidade. Será um ato político?". Ou em "Assando um bolo enquanto cai a República", em que ele comenta o hábito que adquiriu de se pegar pensando "E se a República estiver caindo agora? O que direi aos meus amigos? Que quando caiu a República eu estava traduzindo um trecho de Suetônio? Com sono no escritório? ... Aparando as unhas com um cortador de R$2,99?".

Além dessas, com teor mais político, também tem algumas que aumentam nossa intimidade com o autor, como as crônicas que ele faz para família, amigos, ou para comentar impressões pessoais dele sobre o mundo. Uma das que mais gostei foi a "O paulistano não existe", porque reconheci nela minha própria experiência mudando para a cidade. "Na Pauliceia, a identidade é mais desvairada e democrática: aqui sou carioca, mas também sou alemão, latino-americano...Até brasileiro eu acabei sendo em São Paulo".

É uma pena que o Victor tenha deixado esse mundo tão cedo, porque acabo esse livro com a vontade de que ele se estendesse até os dias de hoje.
Profile Image for Thays Pretti.
Author 3 books8 followers
November 28, 2022
Victor Heringer continua sendo um dos escritores contemporâneos com os quais eu mais me conecto no sentimento e no modo de perceber/entender o mundo. Lê-lo em suas crônicas nesta obra infelizmente póstuma só reforça essa certeza. Tenho um amor tranquilo pelas palavras dele e um ódio profundo por ele ter ido embora cedo demais.
Profile Image for Guilherme Semionato.
Author 13 books77 followers
December 6, 2021
Estranho como o amor que ele parecia sentir pela vida (em evidência aqui) não foi suficiente. Um belo livro, mas (...)
Displaying 1 - 18 of 18 reviews

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