Fernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.
It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.
The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.
Este volume reúne vários escritos de Pessoa acerca de Salazar, cada vez menos admiradores e cada vez mais críticos do «tiraninho», acompanhados de comentários de Manuel S. Fonseca. É interessante lê-los cronologicamente, e os comentários são várias vezes úteis. Destes três salazares uma leitura apressada e descontextualizada pode servir a várias vontades pouco desinteressadas. Mas é preferível lermos Pessoa de viva voz sobre «esse seminarista da contabilidade» (p.121) e as suas reflexões e acções sobre o intelectual em ditadura e sobre a evolução do regime, algumas premonitórias.
Por grande poeta que fosse, não sei se se poderia qualificar a mente sempre oscilante e permanentemente indecisa de Fernando Pessoa como grande referência em matéria de política portuguesa. Ainda assim, não deixa de ser interessante ler estes textos em que se expõe as suas ideias políticas e os seus variegados pensamentos sobre os diferentes acontecimentos políticos da nação, no primeiro terço do século XX; mais que nada, confere um pouco de vida à aridez dos livros de história.
Pessoa começa por receber o novo ministro das finanças com um otimismo cauteloso, e chega mesmo a defender a Ditadura Militar que o havia convocado. O desenvolver dos acontecimentos prontamente mostra, no entanto, ser este otimismo pouco fundado. À medida que a astúcia política de Salazar se revela no subtil puxar de cordéis que eventualmente o empurrará para a presidência do conselho, Pessoa começa a ter as suas reservas. E quando o governo já salazarista acaba por forçar a Maçonaria, a que o escritor pertencia, à clandestinidade, ele já não esconde o seu desprezo por Salazar, quer com humor mordaz, quer com genuíno desalento.
Talvez este desalento seja o que torna estes textos mais interessantes; não são estes os escritos de um Salazar, um Cunhal ou um Soares, pessoas que comandaram a direção dos eventos políticos da sua época, mas aqueles de alguém que está fundamentalmente alienado da vida política, sujeito às suas curvas e contracurvas e impotente, essencialmente impotente, face às guinadas que vai dando. Talvez por grande parte de nós se sentir também assim seja tão fácil identificar-se com Fernando Pessoa, mesmo se não concordando plenamente (ou minimamente) com as suas visões políticas mutáveis.
Concordo pelo menos, nos sentimentos que manifestou em relação aos grandes do regime nos últimos anos da sua vida.
Olhem, vão p’ra o Salazar Que é a puta que os pariu.