Nestas Memórias, Francisco Pinto Balsemão guia-nos pelas suas origens beirãs, pela extensa família, pelo bairro da Lapa, a Quinta da Marinha, a Duque de Palmela e o mundo das suas viagens; mas leva-nos também ao universo da sua infância, ao Liceu Pedro Nunes, à Faculdade de Direito, à Força Aérea e à sua incursão pelo ensino universitário. Não fica, no entanto, por aqui: abre-nos as portas das empresas familiares, do Diário Popular, do Expresso, da SIC, e não só; apresenta-nos os meandros da política – no seu melhor e no seu pior –, desde a aventura da Ala Liberal e o PSD, até hoje, não esquecendo alianças e traições. Muitas, muitas histórias, onde perpassam aventuras e devaneios, mas nas quais sobressaem os amigos e, primordialmente, a Mulher, os filhos e os netos. Aqui se escalpeliza toda uma vida, um percurso ímpar que contribuiu decisivamente para formar o Portugal de hoje. Memórias é uma janela aberta para a vida deste homem e uma visita guiada pelo seu caminho e pela sua obra.
Li o livro e também gostei do discurso de Francisco Pinto Balsemão, em São Bento, aquando do 40º aniversário do VII Governo Constitucional. Foi, sem dúvida alguma, primeiro-ministro de Portugal no momento mais difícil do pós-25 de Abril.
Gosto sobre tudo da forma (construtiva) como enfrenta as críticas menos favoráveis e lida com o código deontológico dos jornalistas. Neste caso, verdade seja dita, os jornalistas nunca precisaram cavar longas trincheiras para aceder às fontes de informação ou travar grandes batalhas em defesa da liberdade de expressão ou do direito de informar.
Podemos ser tolerantes com os intolerantes? com o devido respeito, faço minha a sua reflexão.
1,7 kg de livro, uma nova forma de aliar a literatura à musculação. Como todas as biografias, esta também é parcial, ajusta várias contas antigas e é auto laudatória. FPB foi uma parte importante da história de Portugal dos últimos cinquenta anos e o seu testemunho, ao longo de quase mil páginas, é um contributo importante para a compreender, nas componentes política e empresarial e, principalmente, no seu papel protagonista na comunicação social como responsável pela criação do melhor semanário e estação de televisão lusos, onde, apesar de algumas concessões comerciais de necessário mau gosto nesta última, o fator de diferenciação foi a ética e a qualidade. Não é grande literatura mas está bem escrito e tem interesse suficiente para ser, quase, um page-turner.
Peguei neste calhamaço pensando que iria ler uma autobiografia, o titulo podia ser enganador. Mas no caso não é, são Memórias, contadas de uma forma quase cronológica mas com capítulos mais ou menos individualizados por grandes temas. Resumem uma vida longa e cheia.
Essencial para perceber muito do que foi a história recente de Portugal, não só por ter sido fundador do PPD, primeiro-ministro e deputado, como por ser o fundador do Expresso e do gigante português de comunicação social chamado Impresa.
Podemos certamente por vezes questionar se a visão dos temas será tendenciosa ou unilateral, não pretende ser um livro de história mas sim um livro de alguém que viveu essa história e a sentiu assim. Não se coloca na cabeça dos outros para fazer esse contraditório, seria impossível, mas reflecte e apresenta as razões da sua opinião e visão dos factos.
Interessante também muitas das personagens e relações internacionais que teve, e das quais certamente Portugal se poderia ter aproveitado melhor. Mas somos bons nas invejas e nas capelinhas, nos jogos de bastidores e nas maledicências, e não sabemos aproveitar o que cada um de nós poderia trazer para deixar Portugal ou o Mundo um pouco melhor do que o encontrámos.
Balsemao deixou-o, à sua maneira e valorizando aquilo que para ele era o mais importante. Para mim, agradeço-lhe não tanto pela SIC ou pela governação do país, agradeço-lhe pelo Expresso que me construiu muito enquanto pessoa que sou, que me abriu horizontes e ajudou na minha formação cultural. E agradeço finalmente por este quase um mês de leitura, de recordações e de sorrisos, que foi lembrar algum do tempo que também foi e é o meu!
Ao contrário de muitas autobiografias de ex-políticos, este livro não se deixa ficar com medo de dar a genuína opinião que tem sobre as pessoas que conheceu e as experiências que viveu. Isto não é necessariamente sempre um elogio, Balsemão consegue ter opiniões tontas, mas é refrescante ler uma biografia que não deixa dúvidas que foi escrita pelo próprio por inteiro e com a sua verdadeira opinião.
Balsemão é exaustivo ao longo de 950 páginas (sempre que não quer contar algo anuncia-o), os capítulos sobre o Expresso e a SIC são especialmente interessantes, mas também passa (possivelmente sem se aperceber) a imagem de alguém um pouco pomposo e incapaz de compreender como alguém não gostaria de trabalhar para ele (parece sempre estar à procura de uma régua para medir o sucesso dele contra o de outros).
Mais do que qualquer outra coisa, é uma obra que mostra bem o lado humano de Balsemão, além do lado profissional, numa escrita bastante fluida.
Um livro apaixonante como se nota a paixão de quem escreveu.
Francisco Pinto Balsemão, um homem que fez discretamente muito pra Portugal sem que o poder e Suíça a cabeça. Obrigado por ter contribuído para que este país, hoje, seja uma democracia.
Corremos muitos riscos, atualmente a muita gente que demagogicamente diz o que vem a boca e não a cabeça, ou se calhar a cabeça é de lamentar Tenho muita pena de não ter conhecido como pessoa podia ser sua filha adorei ouvir as suas entrevistas a forma como se posicionar na vida e o testemunho desse amor que tem pela mãe dos seus filhos pela sua mulher e que hoje já não existe. Estaria aqui a escrever muito mais mas correria o risco de ser repetitiva até sempre.
História de vida de uma figura muito importante da história de Portugal e que acaba por contar tambem a história do país nos anos pós 25 de Abril. Tudo é contado em grande detalhe e com poucos filtros - por vezes um pouco repetitivo mas o resultado final é muito positivo e importante leitura para qualquer Português.
Uma visão unilateral, e obviamente tendenciosa, da vida e forma de pensar e agir de uma das figuras mais omnipresentes dos corredores da sociedade portuguesa do secXX.
Este livro foi para mim uma agradável surpresa. Apesar de alguns pormenores pessoais que poderão ter menor interesse trata-se de uma pessoa com inegável impacto na história recente de Portugal pelo que a sua vida merece ser conhecida. Viu o antigo regime por dentro esteve envolvido na criação do PSD foi primeiro-ministro, esteve envolvido na criação do jornal Expresso e da SIC, participou em reuniões do grupo Bilderberg, conhece detalhes interessantes sobre a Ongoing e sobre a criação do BPP entre muitos outros exemplos de situações que viveu e de pessoas importantes que conheceu. Ao contrário do que temia no início as mais de 900 páginas do livro não eram assim tanto. Leitura obrigatória para quem se interessa pelo que acontece em Portugal.