Esse livro é simplesmente surreal.
Fayola e Kieza são personagens que te fazem criar afeto por elas por parecerem pessoas reais. A escrita intercala entre pontos de vista das duas e uma narração em terceira pessoa, e isso nos dá uma perspectiva muito mais próxima pois conseguimos ter uma proximidade com ambas, ao mesmo tempo que vemos elas por outro ângulo.
O livro tem uma escrita delicada, mas que ao mesmo tempo toca na gente, deixa uma marca em nós e nos transforma. Algumas reflexões são apresentadas de forma prática, e a relação que criamos com as personagens nos faz sentir isso como se fosse um sentimento nosso, não delas.
A pessoa que eu era antes desse livro não é a mesma que está escrevendo isso. Eu mal consigo expressar direito o que esse livro fez comigo. Não posso comparar a minha vivência (branca e não caminhoneira) com a delas, mas posso dizer que elas tocaram meu coração e me ensinaram muito sobre afeto, me mostrando que nem sempre ele vem da forma que a sociedade impõe ele a nos, mas isso não significa que ele não é válido ou "menos" que outros.
Se eu já adorava a autora antes, agora nem existem palavras para a admiração enormesca que eu sinto por ela