"Sabia que, em 2018, quase metade da população empregada tinha apenas o ensino básico completo? Esta é uma das causas da expansão acelerada do sector terciário em Portugal, que responde também ao aumento das necessidades de consumo.
Este retrato é uma pequena viagem pelo universo de quem tem emprego no comércio e nos serviços, com alta rotação e baixas qualificações, em ambientes despersonalizados e virados para a facturação intensiva. Trabalhadores essenciais, na maior parte dos casos mal pagos, estão na linha da frente do atendimento ao público, sujeitos aos humores de quem estão a servir.
Como é o dia-a-dia destes anónimos sem os quais já não passamos? Conheça-o através de testemunhos concretos, em várias áreas de negócio e prestação de serviços."
Nunca trabalhei em atendimento ao público, felizmente, porque não tenho de todo feitio para isso, mas sou próxima de pessoas que trabalharam atrás de um balcão a vida inteira, pelo que pouco nestes relatos reunidos por Pedro Vieira me surpreendeu, ainda que a falta de civismo e a exploração me indignem sempre. Tendo ele mesmo durante alguns anos passado por empregos onde teve de “lidar com o outro”, como se diz frequentemente neste ensaio, Pedro Vieira recolheu seis testemunhos sobre trabalhos duradouros ou precários nas mais diferentes áreas: restauração, bilheteiras, posto de saúde, call center e vestuário. Nesta difícil tarefa de ter de lidar com gente todos os dias, vemos pessoas de idades diferentes, variando também as suas habilitações e expectativas, mas acabando por revelar bastante em comum, como a paciência e a diplomacia para aguentar certas situações. Provavelmente, isto só acontece com leitores inveterados, mas para mim, o testemunho mais interessante de “Em que posso ser útil” foi o do próprio autor, nos tempos em que foi livreiro em vários pontos da Grande Lisboa.
Histórias de quem tem como profissão servir/atender o "outro", o cliente, essa entidade que tem sempre razão mas que muitas vezes não tem. Gostei particularmente de ler sobre a experiência contada no call center da Apple, chegou a ser aflitivo ler o testemunho do rapaz. Gostei também de ler sobre a experiência do próprio autor que trabalhou em diversas livrarias ao longo de vários anos: de loja em loja consoante as reestruturações do grupo económico que detinha a livraria Bulhosa.
A escrita é muito fluida e escorreita, lê-se numa tarde, mas gostava que o autor tivesse aprofundado um pouco mais o tópico.
Pequenos retratos de pessoas que passaram a vida ou passaram pela vida de dar a cara a marcas ou serviços. Tenho consciência de que pode ser bastante difícil! E ouvi pequenas histórias semelhantes de outras pessoas que estiveram ao balcão de uma loja ou instituição!
Mais um livro em formato áudio a que tive acesso através da BiblioLED, a plataforma online das bibliotecas portuguesas que permite o acesso gratuito a livros.
Muito bom. Faz-nos olhar com mais atenção para quem atende ao público e refletir no nosso perfil enquanto parte desse público. A escrita é boa, as histórias são interessantes e lê-se de um fôlego!
Perspetivas muito interessantes e na primeira pessoa do que é servir o outro, seja num restaurante, numa loja, num centro de saúde ou num call-center. Um livro que nos vai fazer olhar para quem nos atende de modo diferente.
Uma compilação de testemunhos de quem faz (ou fez) atendimento ao público, seja no setor privado, seja no público. Relatos de experiências com constrangimentos vários e, também, algumas compensações simbólicas.
Este é um retrato necessário e importante que contrasta com a invisibilidade a que estão sujeitas as pessoas que trabalham com o atendimento ao público. No entanto, sinto que os testemunhos podiam ter sido mais desenvolvidos e organizados.
Um livro interessante (como têm sido todos os da FFMS que tenho lido) ,ainda que eu esperasse outra coisa.
A escrita de Pedro Vieira é corrida e agradável, organizada e até divertida. Contudo, esperava mais profundidade nas histórias relatadas e até mesmo um retrato mais centrado nas dificuldades por que passam as pessoas que diariamente trabalham no atendimento ao público, nos mais variados cenários, de um centro de saúde a um call center, de uma bilheteira a um restaurante ou a uma loja de um centro comercial (para me centrar nos casos relatados).
Talvez o primeiro entrevistado, Ricardo (o do call center) tenha sido aquele cuja história foi mais de encontro à ideia que eu levava. Ainda assim, as restantes histórias possuem matéria suficiente para ganharmos respeito por estas profissões tão mal tratadas por todos nós. Assédio, baixas remunerações, horários abusivos, clientes picuinhas, desequilibrados ou mesmo maus, etc...
Por isto, vale a pena a leitura, nem que seja para introdução ou inicio de alerta.
Neste "Retratos" da FFMS, Pedro Vieira relata-nos as vivências de quem trabalha (ou trabalhou) no atendimento ao público. É sempre útil perceber como é estar no lugar do outro e este livro mostra-nos isso mesmo. Aqui são contadas as histórias de uma rapariga que trabalha numa bilheteira, um rapaz que trabalha no serviço às mesas, uma rapariga que vende acessórios de desporto, um rapaz que trabalhou num call-center da Apple e um casal de reformados que trabalhou no atendimento num Centro de Saúde. São relatadas histórias alegre e outras muito exasperantes. A escrita é simples e com alguns toques de humor.
Pequeno ensaio da coleção retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos que aborda a temática do atendimento ao público. Com base na experiência pessoal do autor e de cinco entrevistados, Pedro Vieira mostra as dificuldades e alegrias do contacto com o público. Uma análise interessante e a proporcionar alguma reflexão.
É um livro bem escrito e que nos leva a uma perspectiva de quem faz o atendimento ao público. No entanto, é também uma perspectiva cheia de estereótipos e se esquece do outro lado: da fraca preparação ou vontade de atender esse mesmo público.