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A charca

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Língua Morta n.º 123

Capa a partir de pintura de Max Ernst.

122 pages

Published August 1, 2021

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About the author

Manuel Bivar

4 books8 followers

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Community Reviews

5 stars
51 (49%)
4 stars
35 (33%)
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13 (12%)
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3 (2%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 16 of 16 reviews
Profile Image for Vítor Leal.
122 reviews26 followers
February 25, 2022
4.5

"São muito poucas as histórias felizes de homossexuais que se afirmam enquanto tal e conseguem continuar a viver no campo. O campo é o lugar de fuga, e a cidade o seu destino natural, o seu habitat"

https://www.youtube.com/watch?v=di-Kc...
(Manuel Bivar conversa com António Guerreiro e Diogo Vaz Pinto)
Profile Image for André Gamito.
15 reviews1 follower
May 19, 2024
Um livro que para mim muda tudo e que precisava de dizer aquilo que tem de ser dito. Em primeiro lugar, um livro fora de convenções, urgente, cheio de fôlego, intensidade, que rompe este véu dentro daquilo que é chamada a 'literatura', que ainda se escreve de certa forma sem se saber bem porquê, talvez porque a fórmula é segura, para nos dar uma abanão necessário acerca do mundo. Quando as críticas a este livro se focam na forma e nas estruturas narrativas, sabemos com que tipo de público estamos a lidar. Aliás, Manuel Bivar deve saber quem eles são, e este livro pode ser exatamente contra eles. Os acomodados, os que tudo sabem, os que exigem a sua ideia ao ato dos outros.

Há denúncias urgentes, há mudanças urgentes, e a urgência é para mim o ponto fundamental deste livro. A personagem quase que nos agarra pelo colarinho para gritar e dizer o que está errado, e a forma de escrita do livro parece-me essencial porque não está para perder tempo com literatices, descrições alongadas, demoras a que se davam os luxuosos escritores nas épocas do luxo e quando os livros eram escritos apenas para a classe que sabia ler. Aqui há uma estetização, é evidente, mas serve para amplificar a mensagem e a experiência da personagem. Num mundo altamente fragmentado, as deambulações não parecem descabidas. Não há razão para ordem naquela cabeça desordeira, isto não é uma tese formal, e ainda assim tudo se junta através de um fio condutor que deixa bem claro o que se pensa ali. Todas as ideias são argumentos que chegam à mesma conclusão e que fundamentam o sentimento de quem fala.

A máxima "show, don't tell" parece de facto, agora, um luxo. É preciso chamar os bois pelos nomes e incentivar à ação ou pelo menos começar o diálogo, e esta personagem tem dentro dele os problemas que temos tendência a ignorar nesta sociedade de técnicos sedentários, de entretenimento, de computadores, de podridão, de consumo, da perda do contacto com a terra, da inabilidade das mãos e do corpo, da burocracia castrante. Aquela "bicha rural" fez o que muitos já fazem hoje: fugir para o mato e revoltar-se contra a metrópole devoradora, nem que seja para sentir o que é atuar no mundo, sentir-se parte do território. As ruas não são das pessoas, são de turistas, ubers, gente amorfa e com pressa. A cultura é uma simulação de um ideal, tal como a escrita. Este livro mostra os grilhões mentais a que estamos presos em todos os aspetos.

Depois de ler este livro e reconhecer esta urgência, é-me agora difícil ler livros ociosos. Digo ociosos porque exigem do leitor um luxo de atenção à irrelevância em tempos com tanto para fazer, e este livro é de ação, não cheira a escritório, acorda o indivíduo para a radicalidade de uma distopia já em andamento mas que ninguém vê porque ninguém sai de casa, e quem o faz restringe-se à sua ilha pessoal ou a espaços altamente controlados e civilizados. Já quis escrever um livro assim porque vi parte desta realidade do abandono do interior, dos rios que são fios de lama, da seca extrema, da questões agrícolas, e surgiu um livro que dizia tudo isso e muito mais. Impactou-me brutalmente.

Não sendo a favor do sistema de rating, dou cinco estrelas pelo impacto que teve em mim e para tentar impulsionar a leitura de alguma maneira. Merece ainda releitura.
Profile Image for Diana.
45 reviews15 followers
May 7, 2024
O brando rumor do nascer do mundo.
Profile Image for José Pereira.
392 reviews22 followers
January 16, 2024
Mais uma (meia) desilusão na procura por valorosos escritores portugueses contemporâneos. "A Charca"não é um mau livro, e em alguns aspetos é digno de verdadeiro louvor, mas onde falha, falha confrangedoramente.
A leitura é prazerosa - a escrita tem um bom ritmo e raramente é aborrecida -, e a obra é percorrida por um sentimento palpável - uma raiva viva e entusiasmante - que agarra o leitor, e que não é fácil de pôr por escrito. Acho também interessante o tema do regresso contemporâneo ao campo, que, apesar de não ser explorado a fundo, nos traz algumas belas e sui generis descrições do mundo natural.
No entanto, há bastante por onde embirrar. A falta de conteúdo narrativo parece mais uma desistência do que um feito (algo que não é todo exclusivo deste livro; em certos meios, é o standard); o que o substitui - um fio de consciência excessivamente gasoso e geral - não é populado por ideias particularmente perspicazes e originais, especialmente quando o narrador se dedica ao comentário social (embaraçosamente básico aqui). A situação é piorada pelo já-mais-que-visto tom crítico, impolidamente sardónico que este adota na maior parte to tempo. O projeto geral do livro acaba por ficar, então, comprometido como que à partida.
De qualquer forma, recomendo a leitura. Foi-me muito recomendado, e é possível que a minha desaprovação se deva, essencialmente, a peculiaridades do gosto.
Profile Image for Paulo Bugalho.
Author 2 books71 followers
June 21, 2023
Podemos pender mais ou menos para o Apocalipse e em alguns a escolha terá mais a ver com o feitio, ou o humor com que acordaram, do que com a avaliação dos factos. Demasiada lucidez cega e, para quem se queira defender da vida, haverá sempre a constatação de que, até agora, as coisas têm continuado. As visões do fim, as canções de decadência, persistem ao longo dos séculos, e isso prova a persistência do resto, apesar de tudo. Olhando o clima, não faltarão dados para nos alimentar o medo, quer levemos a palavra clima no sentido literal quer a perspectivemos na amplitude maior do seu sentido. As coisas não parecem correr pelo melhor. Embora não falte gente a vir lançar avisos mais directos, é verdade que a literatura se habituou a pegar no caos e a transformá-lo em algo imaginário, lançado no futuro, ou num tempo ou espaço alternativos, alimentando a ficção com fuel metafórico - é terreno de onde se tiraram bons livros, seguramente. Já o autor deste parece ter optado (parece-nos que com sucesso) por uma via menos etérea e decido apresentar a distopia agora. Esta narrativa de um homem que foge para o campo e se interna na montanha, disposto a ripostar ao caos urbano com a reconstrução florestal e os gestos mínimos para ressuscitar um ponto de água, um ecossistema circunscrito que salve a espécie (a tal charca do título, que charca será apenas e no fim um pobre lamaçal) só não tem laivos de mito porque não consegue, precisamente, ressuscitar o paraíso, e vem encontrar na natureza a mesma morte que no interior das ruas, a mesma invasão, o mesmo apodrecimento, a mesma queda. O fio da narrativa não conterá muito mais do que isto mas serve para cortar a retórica que haveria em apresentar uma visão apenas ensaística de semelhante catástrofe. A rememoração de sevícias passadas à custa da homossexualidade do protagonista (quer quando pretende mostrá-la, à sexualidade, quer nos momentos em que a sonega, recorrendo a tentativas ascéticas), os passos dados na burocracia da restauração ambiental, os discursos técnicos sobre fauna, flora e respectivos parasitas, ou de revisão histórica (a análise gay do mito sebastianista, por exemplo), ou sobre a piromania como consequência natural da repressão económica, são pretextos para a exposição de um problema, e o problema, aparte hipérboles que talvez coubessem num romance de ficção científica (muito poucas, se lermos bem) é o presente. O presente contém, não o podemos negar, quase tudo o que Bívar lá coloca, mesmo que a ele lhe caiba, como autor (era o que mais faltava) dar-lhe a forma que pretende. Podemos sempre, consoante nos calhar o dia, apresentar argumentos contra estas feridas, mas não podemos negar a agilidade dos truques com que ele as apresenta. E a literatura é para isso que serve: não para sublinhar o que pensamos, mas para nos convencer de outras coisas.
Profile Image for Pedro Gomes.
Author 2 books18 followers
August 13, 2023
Com uma prosa exuberante, bem ligada e verbalmente prolixa, Manuel Bivar oferece-nos uma narrativa à primeira vista um pouco desconexa, em que não descortinamos imediatamente o sentido na colecção de episódios que mapeam um universo estranho. A sua natureza insólita é uma virtude; sendo que Bivar é completamente desabrido e impudente, não se coibindo por nada. É talvez estranho que haja menos vozes como esta, que falam do presente com uma aparência distópica, descrevendo-o como lugar pós-apocalíptico que efectivamente é. Nota-se que Bivar corre por fora, não tropeçando na tradição literária estabelecida, olhando-a com mera curiosidade.

Este livro não é sobre a contemplação, mas sobre a imersão. Não é sobre o conhecimento do todo, mas sobre a obscuridade das partes. Sobre a irrelevância da extinção, a permanente imanência da transformação. Há prenúncios do fim ou de um recomeço. A espécie sobrevive essencialmente em cativeiro.
Profile Image for Pedro João.
42 reviews2 followers
April 9, 2025
pútrido, primitivo, revoltante e irredimível – e por isso tão saboroso e tesudo e decadente. graças a deus que é breve, porque às vezes também já não há pachorra para mais cinismo PrOvOcAdOr e às vezes é só um bocado Pierre Guyotat de trazer por casa. mas eu precisava de raiva homossexual escrita em português, é verdade
"Ele não respeitava o casal de bichas a quem os aldeões tinham ateado fogo à casa simplesmente porque eram paneleiros, como todos os dias faziam questão de lhes chamar. Ele tinha vergonha delas, por antes de se terem ido embora, não terem puxado fogo à aldeia inteira, ao lar, à junta de freguesia, à mercearia, e à creche."
Profile Image for Washington Ricardo.
2 reviews
September 21, 2025
A narrativa, os conceitos apresentados e a perspectiva que o livro nos apresenta é forte e inventiva, mas ali, do meio para fim, a discrição e a fusão da bicha e do tudo com a natureza (que é a grande força do livro) dá lugar a um fluxo de consciência e a um comentário social chatos e batidos.

Recomendo muito a leitura. Na balança final vale a pena e certamente enriquecerá o repertório de quem o lê.
Profile Image for Paulo.
24 reviews
February 8, 2026
Apocalipse necessário, numa prosa inovadora e de fôlego que nos interpela e incomoda, com humor e ironia.
A descrição de D. Sebastiao é disso exemplo, desafiando o mito e uma certa portugalidade bafienta.
Os burocratas, as universidades, as redes sociais e a apatia generalizada, sem que se consiga olhar os lírios do campo, ou o dia ser limpo noutra feliz alusão a Sophia.
Nós, no nosso tempo, à espera do apocalipse.
Boa surpresa.
14 reviews6 followers
January 13, 2026
Um livro que põe o dedo na ferida e chama a atenção para a urgência da mudança, mas não faz sugestões.
A escrita crua ajuda a passar a mensagem da urgência. Há partes que achei excessivamente explícitas e repetitivas.
Displaying 1 - 16 of 16 reviews

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