O Irão entrou a pés juntos no Século XXI e sabe tirar partido da sua geografia eclética para proporcionar a quem o visita actividades na montanha, no deserto, na costa do Mar Cáspio ou do Golfo Pérsico.
Se gostam de pessoas, vão perder-se de amor por estas gentes. Se não gostam de pessoas, eles vão fazer com que mudem de ideias. É impossível voltar do Irão sem uma mão cheia de novos amigos. Aliás, a mim aconteceu-me começar a fazer amigos iranianos aqui mesmo, no Porto, muito antes de aterrar em Teerão. E é impossível voltar a casa sem repensarmos o nosso conceito de hospitalidade. Os portugueses são simpáticos e sabem receber? Com certeza. Mas os iranianos rebentam a escala!
Sandra Barão Nobre nasceu em França, em 1972. Em 1980 volta para Portugal com a família e vive em Portimão, no Algarve, até ao fim dos estudos secundários. Em 1995 licencia-se em Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa. Desempenha funções na Telecel, na Câmara de Comércio Uruguaio-Portuguesa (em Montevideu), na Fundação de Serralves e na livraria on-line WOOK, onde trabalha entre 2003 e 2015. Nos entretantos, nunca parou de viajar. Em 2011, cria o Acordofotografico.com — um site onde homenageia o ato de ler — e em 2014 parte de mochila às costas para fazer uma volta ao mundo.
As minhas viagens começam quando uma notícia, um documentário, um filme, uma fotografia, uma música, um livro – quase sempre um livro! – ou até mesmo alguém que admiro que inculca uma imagem na cabeça e começo a ver-me nesse lugar.
De Sandra Barão Nobre, biblioterapeuta de profissão, já tinha lido há alguns anos “Uma Volta ao Mundo com Leitores”, livro que apreciei menos pelos leitores e mais pelo espírito indómito da autora. Eu, que sou extremamente caseira e cautelosa, era incapaz de partir à aventura sozinha ou com uma amiga, como ela fez em 2014, mas gostei de ler os seus relatos e peripécias. Desta vez, a trabalhar para uma agência de viagens, é ao Irão que Sandra Barão Nobre nos leva com a sua escrita ágil e a sua mente aberta, um país onde esteve por três ocasiões, entre 2016 e 2019. “Três Vezes Irão” é um livro pequenino, com um grande poder de síntese, mas que consegue incluir tudo o que é relevante sobre o país: história, religião, arquitectura, literatura, um incidente a comprovar a falta de liberdade, outro de assédio sexual de que nem o hijab a poupou e um enorme apreço por um povo que tenta esticar um pouco os limites e que SBN considera um dos mais hospitaleiros do mundo.
Num troço dessa avenida, de seu nome Enghelab, onde fica a Universidade de Teerão, vi uma das maiores concentrações de livros por metro quadrado da minha vida, livros que se vendem expostos nos passeios, amontoados nos assentos de motorizadas, nas malas escancaradas de carros, em livrarias modernas de montras amplas e em galerias comerciais que albergam apenas livrarias e alfarrabistas.
Neste livro de viagens ao Irão, Sandra Barão Nobre relata -nos algumas vivências das suas idas a um dos países que mais me suscita sentimentos dúbios, apesar de nunca ter visitado o país. Gostei muito do contexto histórico e geográfico que nos foi apresentando, à medida que nos revelava algumas experiências marcantes que a autora vivenciou. Gostei bastante deste livro, apesar de curto, a Sandra conseguiu passar para o papel,de uma forma bastante interessante o que, na perspetiva dela e segundo a sua experiência in loco, o Irão é em termos sociais, políticos, religiosos e culturais.
“As minhas viagens começam quando uma notícia, um documentário, um filme, uma fotografia, um anúncio, um livro – quase sempre um livro – ou até mesmo alguém que admiro me inculca uma imagem na cabeça e começo a ver-me nesse lugar”.
Este livro é mais do que uma narrativa de 3 viagens ao Irão. Acompanhar as peripécias de Sandra Barão Nobre é como ouvir o relato de uma amiga regressada de férias, que vai partilhando as imagens, sons, sabores, emoções vividas, sem esquecer os momentos menos “glamorosos” de dúvida e receio. É a experiência genuína, sem querer “dourar a pílula”. Lê-se muitíssimo bem!
Muito curto mas muito interessante. "Três vezes Irão | viagens anotadas" conta as visitas de Sandra Barão Nobre ao Irão e, para além do seu tom de livro de viagem, é também uma reflexão sobre o Irão visto de fora e sobre a mulher dentro do Irão - por um lado a história e cultura de milénios, gente hospitaleira, comida única, por outro a teocracia patriarcal e conservadora, chamando sempre a atenção para o simples facto de que estes dois lados quase nunca se tocam. Esta dualidade suscita a confusão de Sandra Barão Nobre, confusão que transpira pelas páginas e chega até nós - como contemplar estes dois mundos em simultâneo? Há possibilidades reais disso acontecer sequer?
Este livro permitiu-me explorar o Irão, sem sair do lugar, através do olhar de uma viajante apaixonada por este país. Fui transportada para os locais através dos seus relatos pessoais e senti que estamos constantemente todos (a Sandra e os seus leitores) a tentar captar a essência deste país e das suas pessoas.
Uma leitura muito interessante e que nos esboça um retrato de um país cheio de cultura, de Vida e de mistérios a descobrir! Num Mundo cada vez mais feito de extremismos, de ódio e de ignorância, conhecer um pouco mais da realidade de cada país e do seu povo afigura-se essencial, para desconstruir estereótipos e combater todas as formas de discriminação.
Tudo nesta vida é discutível. Quiçá, o conceito de liberdade à cabeça.
Há livros que nos levam a viajar sem precisarmos de sair de casa. E depois há Três Vezes Irão, que nos arrasta sem piedade para Teerão, Yazd e Shiraz, para as ruas vibrantes, para os olhares furtivos e para as conversas sussurradas entre o chá e a censura. Nobre não escreveu apenas sobre o Irão; levou-me até lá, fez-me sentir a poeira das estradas, a hospitalidade genuína do povo iraniano e a tensão silenciosa de um regime que dita as regras do quotidiano.
Do esplendor persa à revolução islâmica, das práticas religiosas à repressão política, este livro não é só um relato de viagens – é um convite à reflexão sobre a liberdade, a identidade e as múltiplas camadas de um país que raramente nos chega de forma tão íntima.
E Teerão? Teerão é quase uma personagem neste livro – suave e brutal, bela e caótica, cheia de contrastes. Mais que aprender sobre o Irão, senti que o vivi um bocadinho (e isso, para mim, é a melhor coisa que um livro pode fazer).