O Debate de Guel Arraes e Jorge Furtado, é, nas palavras dos próprios autores, uma peça “escrita na urgência dos acontecimentos políticos do Brasil no ano de 2021”. O tempo é um futuro próximo: outubro de 2022, quando ainda perduram as ameaças da pandemia (há uma nova cepa, dez vezes mais contagiosa), mais exatamente no dia do último debate do segundo turno das eleições presidenciais disputadas entre o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e o ainda presidente Jair Messias Bolsonaro. O cenário é o terraço do prédio de uma estação de TV, onde os jornalistas Marcos, editor do telejornal da noite, e Paula, apresentadora do mesmo noticiário, se encontram em pausas para cafés, cigarros e conversas sobre o próprio debate, as eleições, posições políticas, paixões e ideias, e suas – também nossas – vidas. “Como de hábito nos textos de peças de teatro, a apresentação dos personagens tem uma clareza sucinta, assemelhada aos ideogramas.” diz o sociólogo e escritor José Almino no posfácio do livro. No decorrer dos encontros, eles irão lidar com o conflito de fazer jornalismo em tempos de manipulação da informação, diante da (im)possibilidade de isenção da imprensa, da importância da tolerância e do respeito à democracia. Um debate sobre paixões privadas e ideias públicas.
Praticamente um ensaio do que vamos experimentar no próximo ano. Narrativa interessante, provocativa e, até certo ponto, documental. Vai perder um pouco da validade em outubro de 22. Até lá, um excelente exercício pra refletir e pensar como se portar, como se comunicar e o que esperar do debate público.
Vai ser lançado como filme, dirigido pelo Caio Blat. O texto não me chamou muito a atenção, mas um filme protagonizado por Débora Bloch e Paulo Betti vale a ser visto.