A comunista Alexandra Mikháilovna Kollontai (1872 – 1952) é, sem sombra de dúvidas, a mais destacada revolucionária russa de sua geração: indicada para o Comitê Central bolchevique no VI Congresso do partido (1917), foi a primeira mulher eleita para os Comitês Executivos do Soviet de Petrogrado e dos Soviets de toda a Rússia. Opondo-se à linha majoritária entre os bolcheviques (de apoio crítico ao Governo provisório de Kérenski) ao lado de Lênin, à época em que ele proferia suas famosas Teses de Abril, Kollontai ajudou definir os rumos daquela que viria ser a primeira revolução socialista vitoriosa da história.
Nomeada Comissária do Povo para Assuntos do Bem-Estar Social após a Revolução de Outubro, Kollontai esteve na linha de frente das lutas das operárias e camponesas contra o patriarcalismo opressivo enraizado na sociedade russa. Travou, ao longo de toda sua vida, uma luta em duas frentes: por um lado, contra o chamado “chauvinismo masculino”, existente mesmo entre os revolucionários comunistas; e, por outro lado, contra o feminismo burguês: “Por que razão, então, a mulher operária deveria buscar uma união com as feministas burguesas? Quem, de fato, seria beneficiada no caso de tal aliança? Certamente, não a mulher operária”.
Alexandra Mikhailovna Kollontai (Russian: Александра Михайловна Коллонтай — née Domontovich, Домонтович was a Russian Communist revolutionary, first as a member of the Mensheviks, then from 1914 on as a Bolshevik. In 1923, Kollontai was appointed Soviet Ambassador to Norway, one of the first women to hold such a post (Diana Abgar was earlier).
Leitura essencial e visionária, que antecipa debates atuais sobre emancipação feminina, luta de classes e transformação social. Kollontai escreve com clareza, firmeza e paixão política. Profundamente inspirador para quem busca entender as raízes do feminismo socialista.
Kollontai traduz questões estruturais complexas e mostra que o caminho da emancipação feminina é parte da revolução social. Analisa de forma precisa as dificuldades das trabalhadoras: jornadas exaustivas, falta de proteção social e a dupla opressão dentro e fora de casa. É um diagnóstico contundente da invisibilidade das mulheres no sistema econômico.
A diferenciação entre feminismo burguês e feminismo proletário demonstra como, sem a transformação das estruturas de classe, a luta das mulheres se torna limitada. Um dos pontos mais inspiradores do livro é mostrar como a revolução socialista pode garantir condições reais de igualdade: creches, socialização do trabalho doméstico, garantia de direitos trabalhistas e autonomia plena para as mulheres. Um projeto de sociedade mais justa para todos.
O livro inteiro é um chamado para a ação coletiva. Sua escrita é carregada de energia revolucionária, que atravessa o tempo e continua a inspirar movimentos sociais.
Foi meu primeiro contato com literatura comunista e achei que as questões são bem definidas e com um texto muito atual apesar da data que foi escrito. Trouxe ótimas reflexões para meu trabalho de pesquisa.