Numa época em que o maior movimento de protestos antirracistas #BlackLivesMatter continua na ordem do dia, nada mais urgente do que celebrar alguns dos grandes nomes da História e da cultura negras que fizeram e fazem a diferença. De Martin Luther King a Marielle Franco, de Cesária Évora a Barack Obama, este livro inclui mais de 50 histórias biográficas de pessoas excecionais e pioneiras algumas, icónicas, outras, menos conhecidas que levantaram questões, ultrapassaram barreiras, abriram caminhos, superaram expectativas e inspiraram gerações. São exemplos de coragem, perseverança e liderança que não deixam esquecer como chegámos aqui e que nos lembram que podemos e devemos ir ainda mais longe.
Explorando as raízes e influências de pessoas negras que se posicionaram contra um mundo que nem sempre as aceitava, este livro é o ponto de partida perfeito para uma discussão informada sobre o racismo e a tolerância.
Um excelente livro que nos dá a conhecer tanto homens como mulheres negros, que deixaram, e alguns ainda continuam a deixar, a sua marca no mundo que, infelizmente, ainda liga muito à cor da pele.
Nao é um estudo extensivo, nem tem essa pretensão, mas é uma excelente iniciação aos temas do racismo, xenofobia, igualdade de género, etc...
Numa época em que, cada vez mais, a consciência racial se torna um tema emergente, livros como o “Raízes Negras” surgem como um passo na direção certa para a descolonização da mente e da história. Através de uma linguagem simples e acessível aos mais jovens, a obra compila as histórias de várias personalidades negras e do seu contributo para a humanidade e para o movimento da dignificação racial, nomes que foram relegados à sombra de uma narrativa que beneficia o mito de uma génese social protagonizada por brancos e que Lúcia Vicente e Gilda Barros, num esforço conjunto, tentam desconstruir. Pelo meio, sublevam-se também alguns temas de igual importância, ainda que de forma ténue, como o feminismo e a identidade de género. Para cada personalidade são reservadas duas páginas, uma para ilustrações e outra para uma biografia resumida. Constam alguns nomes mais famosos, como o de Rosa Parks e Nelson Mandela, e outros menos conhecidos, como o de Laudelina de Campos Melo e Ida B. Wells. Além do carácter educativo, é fundamental referir o impacto que este livro tem na representatividade de pessoas negras. Finalmente, uma criança negra poderá pegar num livro em português, escrito em Portugal, e rever-se de forma positiva. Uma obra necessária e objectiva com uma estética muito bem conseguida, indicada essencialmente para crianças e jovens, mas também para adultos que, tal como eu, cresceram nas amarras de um silenciamento forçoso dos verdadeiros agentes da nossa história.
TW: Menciona Racismo, Segregação, Violação e Preconceitos
O tom deste livro é importantíssimo, uma vez que coloca uma bandeira na consciencialização racial. Enquanto sociedade, não deveríamos «ver cor», se isso significasse que já não catalogamos e que, muito menos, discriminamos terceiros por essa característica. No entanto, enquanto escolhermos esse caminho como forma de, consciente ou inconscientemente, perpetuarmos desigualdades, é urgente ver cor. Porque isso implica procurar representatividade e igualdade. Além disso, implica uma luta constante, cujo principal objetivo será sempre desconstruir e erradicar preconceitos. Nesta obra maravilhosa, que adquire força nas palavras e nas ilustrações, há espaço para elevar personalidades negras, tendo em conta o seu percurso e as suas conquistas. Com uma linguagem acessível e bastante objetiva, é uma leitura que nos enriquece. E que, sobretudo, nos mostra qual deve ser o nosso lado nesta História.
Tenho voltado a consumir livros infanto-juvenis, numa procura das melhores obras para recomendar à minha filha, daqui a uns anos. A biblioteca onde vou costuma adquirir novidades literárias e foi lá que me deparei com este livro. A curiosidade falou mais alto e trouxe esta beleza para casa.
Arte numa página, breve biografia na outra, assim nos são apresentadas várias personalidades negras que contribuiram para que a comunidade negra fosse ouvida, que os seus direitos fossem estabelecidos e que também impulsionaram em outros movimentos como o feminismo e a comunidade LGBTQIA+. A linguagem é acessível, os acontecimentos são descritos de forma muito breve, levando-me a pesquisar mais sobre algumas delas.
Nomes como Rosa Parks, Martin Luther King Jr., Michelle e Barack Obama e Marsha P. Johnson são bastante conhecidos, anualmente relembrados em diversas ocasiões de cariz interventivo ou de celebração. Contudo, deparei-me com nomes que nunca tinha ouvido falar, como Alda do Espírito Santo, Helena Lopes da Silva e Josephine Baker.
Eu considero-me uma pessoa com alguma cultura, nas diversas áreas. No entanto, envergonha-me que não tenha reconhecido muitas das pessoas que este livro apresenta, algo que procuro remediar em breve. Por outro lado, e em troca de ideias com o pai da minha filha, tentámos lembrar das aulas de História, na escola, se alguma vez teríamos aprendido sobre estas pessoas. Não sei como se encontra o programa escolar atualmente mas, do que me recordo, o que é lecionado sobre escravatura, direitos dos negros e a guerra colonial é ínfimo! E, verdade seja dita, os portugueses (principalmente os que são da idade do meu pai ou antes dele) não gostam de falar sobre a guerra colonial porque: ponto 1, estiveram lá e recusam-se a partilhar os horrores que presenciaram e praticaram sobre os negros; ponto 2, viveram nas colónias e exploraram os negros para todo o tipo de trabalho e, com o final da ditadura e independência das colónias, deixaram de o poder fazer; ponto 3, aqueles que consideravam Portugal como uma potência detentora de várias colónias que gerava riqueza, assim que as perderam, gerou rancor, uma vaidade e não aceitação dos acontecimentos; ponto 4, vergonha pelo que fizeram ou pelo que os antepassados fizeram aos negros. A lista é enorme, estes são alguns exemplos. Mas o certo é que nem na televisão falam muito sobre a guerra colonial. As poucas reportagens ou documentários feitos são automaticamente alvo de críticas e alegada desinformação dos factos, tanto pelo lado dos brancos, como pelo lado dos negros.
Livros como "Raízes Negras" são cruciais para a educação das crianças. Não só para as que se podem rever nas várias áreas de ciência, política ou desporto, como para a realização de que a História Negra foi abafada, desprezada, adulterada até, por países como EUA e Portugal. Promovendo a empatia, respeito pelos outros, viver em harmonia com pessoas de todas as raças, etnias e credos, as crianças ensinarão aos adultos, trocando a intolerância por amizade, o ódio por amor.
Confesso que só depois de começar a ler este livro é que me "caiu a ficha" e apercebi-me de que não era o primeiro livro desta autora que lia. Recordei-me então de Portuguesas com M Grande. Ao reler o comentário que escrevi acerca deste último livro, fico com a sensação de que Raízes Negras foi mais bem tratado a nível de revisão dos textos finais. O glossário no fim do livro é muito bom, ainda que o tenha sentido algo tendencioso quando a autora escreve coisas como "erradamente" (penso que o livro ganharia mais se a autora evitasse alguns juízos de valor, mesmo que ela tenha, e tem, toda a razão do lado dela). Vale a pena ler este livro e apreciar as bonitas ilustrações. É um livro sobre pessoas que se destacaram e que, para isso acontecer, tiveram talvez de lutar mais do que outras, que por qualquer razão (ou várias razões) possuíam já uma vantagem inerente. Isto significa que, para as pessoas retratadas neste livro, o sucesso foi mais difícil de alcançar, pelo que todos eles nos merecem a devida homenagem. Haverá algum dia em que ser alguma coisa (homossexual, negro, deficiente) "fora da norma" (e o que é "a norma?) deixará de ter relevância? Continuemos a lutar para que o mundo avance, tendo estas personalidades como exemplos a seguir e forma de desconstruir preconceitos tão intrinsecamente alojados nas nossas maneiras de pensar.