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100 Crônicas Escolhidas: um alpendre, uma rede, um açude

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Com humor, ironia e ternura entrelaçados, os textos desta reunião de crônicas apresentam um amplo retrato do Brasil e sua gente, tocando em diversos assuntos cotidianos. O leitor encontrará aqui drama, comédia, crítica, folhetim, relato de sonho, prosa poética e “núcleos e embriões de romance”, como afirmou Antonio Carlos Villaça.

Conforme o crítico André Seffrin, “A rigor, a autora destas crônicas é uma de nossas maiores conquistas no gênero, ladeada por José de Alencar e Machado de Assis, Antonio Torres (o de Verdades indiscretas) e João do Rio, Cecília Meireles e Rubem Braga, Nelson Rodrigues e Paulo Mendes Campos.”

Com sua característica escrita pungente e observadora, a autora desvela histórias que comovem aos leitores e leitoras. São chamados a uma realidade inquietante, entre terrível e feroz, mas que também pode se mostrar bela através da intermediação da palavra.

Rachel de Queiroz costumava a dizer, com humildade, que o jornalismo era “mais profissão que vocação”; hoje, porém, enquanto leitores de sua obra, podemos observar como a união da jornalista e da ficcionista se deu para o bem maior da literatura brasileira representada nesta antologia necessária: 100 crônicas escolhidas.

416 pages, Paperback

Published August 8, 2021

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About the author

Rachel de Queiroz

96 books130 followers
Quinta ocupante da Cadeira 5, eleita em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Candido Motta Filho e recebida pelo Acadêmico Adonias Filho em 4 de novembro de 1977.

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003. Filha de Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, descende, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar, parente portanto do autor ilustre de O Guarani, e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas no Quixadá e Beberibe.

Em 1917, veio para o Rio de Janeiro, em companhia dos pais que procuravam, nessa migração, fugir dos horrores da terrível seca de 1915, que mais tarde a romancista iria aproveitar como tema de O Quinze, seu livro de estreia. No Rio, a família Queiroz pouco se demorou, viajando logo a seguir para Belém do Pará, onde residiu por dois anos.

Em 1919, regressou a Fortaleza e, em 1921, matriculou-se no Colégio da Imaculada Conceição, onde fez o curso normal, diplomando-se em 1925, aos 15 anos de idade.

Estreou em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queiluz, publicando trabalho no jornal O Ceará, de que se tornou afinal redatora efetiva. Em fins de 1930, publicou o romance O Quinze, que teve inesperada e funda repercussão no Rio de em São Paulo. Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca.

O livro, editado às expensas da autora, apareceu em modesta edição de mil exemplares, impresso no Estabelecimento Gráfico Urânia, de Fortaleza. Recebeu crítica de Augusto Frederico Schmidt, Graça Aranha, Agripino Grieco e Gastão Gruls. A consagração veio com o Prêmio da Fundação Graça Aranha.

Em 1932, publicou um novo romance, intitulado João Miguel, e em 1937, retornou com Caminho de pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira, com o romance As três Marias. Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance O galo de ouro.

Cronista emérita, publicou mais de duas mil crônicas, cuja seleta propiciou a edição dos seguintes livros: A donzela e a Moura Torta, 100 crônicas escolhidas, O brasileiro perplexo e O caçador de tatu. No Rio, onde passou a residir em 1939, colaborou no Diário de Notícias, em O Cruzeiro e em O Jornal. Escreveu duas peças de teatro, Lampião, em 1953, e A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro, além de O padrezinho santo, peça que escreveu para a televisão, ainda inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu o livro O menino mágico, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu, entretanto, das histórias que inventava para os netos. Dentre as suas atividades, destacavam-se também a de tradutora, com cerca de quarenta volumes vertidos para o português.

Foi membro do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até sua extinção, em 1989. Participou da 21ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando especialmente na Comissão dos Direitos do Homem. Em 1988, iniciou sua colaboração semanal no jornal O Estado de São Paulo e no Diário de Pernambuco.

Recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980; o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981; a Medalha Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar (1983); a Medalha Rio Branco, do Itamarati (1985); a Medalha do Mérito Militar no grau de Grande Comendador (1986); a Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais (1989); O Prêmio Luís de Camões (1993); o Prêmio Moinho Santista, na categoria de romance (1996); o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2000). Em 2000, foi eleita para o elenco dos “20 Brasileiros empreendedores do Século XX”, em pesquisa

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Profile Image for Tiago.
240 reviews20 followers
December 21, 2023
Uma coleção de crônicas de Rachel de Queiroz escrita nos anos 40 e 50. A escrita é muito boa, como já nos acostumamos ao ler Rachel de Queiroz, e os temas das crônicas são os mais variados possíveis. Há comentários sobre o cotidiano do Rio de Janeiro, recordações da infância e de pessoas do Ceará, além de algumas análises políticas e sociais a respeito do Brasil. No período abrangido pelas crônicas, tivemos eventos relevantes como o fim da segunda guerra mundial, a queda (e a volta) de Getúlio Vargas. Outra temática que aparece em algumas crônicas é a respeito da vida de escritor e a respeito da fama (e de como ela pode nos tornar reféns dela). Há temas que continuam atuais e que Rachel tratou de forma magistral: a democracia, a polarização e as elites. É um livro para ir lendo aos poucos ao longo do ano.
Profile Image for CanteliMarcio.
116 reviews5 followers
August 28, 2026
Nesta obra o leitor encontrará muito mais do que relatos cotidianos: há drama, comédia, crítica, prosa poética e etc. Rachel escrevia suas crônicas com uma autêntica "alma de romancista".

É bem verdade que, por serem relatos jornalísticos, alguns textos carregam um caráter mais datado, intrinsecamente ligados à época em que foram publicados. Contudo, esse detalhe não desmerece a obra de forma alguma. Pelo contrário: impressiona notar como ela tratou de forma magistral temas que continuam assustadoramente atuais, como a democracia, a polarização política e até mesmo os dilemas e as amarras que acompanham a vida de um escritor e os perigos da fama.
Profile Image for Harvey Hênio.
708 reviews3 followers
July 28, 2022
Rachel de Queiroz é, indubitavelmente, uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos.
Autora de clássicos imorredouros como “O Quinze”, “Três Marias”, “Dôra Doralina” e “Memorial de Maria Moura” a autora se esmerou em discorrer com uma dramaticidade contagiante e com uma prosa escorreita e, ao mesmo tempo, “encorpada”, sobre a condição feminina, a situação das populações do campo, sobre o patriarcalismo e o autoritarismo assim como sobre a insensibilidade de nossas elites e a resiliência do sofrido povo trabalhador brasileiro.
Um lado pouco conhecido da autora é o seu lado cronista.
Este volume, publicado originalmente em 1958, traz 100 crônicas escolhidas pela própria autora dentro do período que vai de 1940 a 1958 e é uma oportunidade excelente para conhecer a verve de Rachel de Queiroz ao abordar temas do cotidiano deste período.
A autora escreve praticamente sobre tudo; dos efeitos desastrosos da Segunda Guerra Mundial ao papel das mulheres no esforço de reconstrução, da condição do homem do campo às injustiças sociais nas grandes cidades, da infância pobre e sofrida à “puxões de orelha” nas nossas insensíveis elites (com destaque para uma interessante “conversa” da autora com um membro de nossa “família real”), de profissões de fé na resiliência de nosso povo à denúncia do descaso para com a situação das populações sertanejas (inclusive com a chocante denúncia de canibalismo no campo brasileiro).
Tudo isso escrito com muito talento e com uma verdadeira “alma de romancista”.
É oportuno dizer que alguns textos são por demais ligados à época em que foram escritos o que lhes dá um caráter algo datado mas esse detalhe não desmerece a obra como um todo.
Boa pedida!

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