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Chatear o Camões: Inquérito à Vida Cultural Portuguesa

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Recolha de crónicas do jornalista João Pedro George, nas versões originais e completas, dedicadas à análise do meio cultural português, com especial destaque para o meio literário. Com ilustrações de Miss Inês.

«Estranhamente, ou não, as pessoas da cultura, muito mais do que os políticos, têm dificuldade em lidar com a crítica, mostram um reduzido poder de encaixe, gostam de desautorizar quem pensa pela sua própria cabeça e não está constantemente a ponderar cada palavra com medo de ferir susceptibilidades infantis. É isso que explica, parece-me, que qualquer desacordo ou discordância de pontos de vista tenda a ser encarado como um ataque pessoal ou uma tentativa de salpicar de lama os «figurões», fruto da inveja e do rancor.»

640 pages, Paperback

First published September 1, 2021

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About the author

João Pedro George

33 books22 followers
JOÃO PEDRO GEORGE nasceu em Moçambique, a 13 de Fevereiro de 1972. Licenciado em Sociologia, Mestre em Sociologia Económica e Histórica e Doutor em Sociologia da Cultura, com a tese Luíz Pacheco: maldição e consagração no meio literário português, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou entre 1998 e 2008, como professor assistente convidado.
É autor de obras como O Meio Literário Português (1960-1999), Não é Fácil Dizer Bem, Puta que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco ou O Que é um Escritor Maldito? Estudo de Sociologia da Literatura.
Em paralelo, depois de ter colaborado na imprensa (O Independente e Periférica), na secção de crítica literária, divide a sua actividade como tradutor, editor de textos, revisor tipográfico e ainda como escritor-fantasma, trabalhos que lhe permitiram, durante anos, viver exclusivamente da escrita.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Vicente.
129 reviews12 followers
October 16, 2021
Qualquer sociedade é uma sociedade mais capaz se valorizar devidamente o trabalho de pessoas como o de João Pedro George, autor de "Chatear o Camões: inquérito à vida cultural portuguesa".
Num conjunto de ensaios e artigos, somos levados a passear pelas agruras da cultura em Portugal, através das intrigas e rodriguinhos que, quase sempre de forma descarada, vão dando de comer a uma boa e repetida meia-dúzia de "iluminados". Logo no ensaio inicial, onde o autor escalpeliza as relações profissionais de Mega Ferreira, ficamos com uma ideia genérica daquilo a que a obra se propõe: pôr o dedo na ferida sem olhar ao proprietário da mesma.
Confesso que nem sempre aprecio ou concordo com as justificações com que o autor defende determinada posição, sobretudo quando essa defesa assenta na mera enumeração da repetição de palavras, ideias ou conceitos, mas o trabalho tem todo o mérito, sobretudo porque é resultado de uma honesta pesquisa das fontes.
Este livro traça, de certa forma, nos seus diferentes textos, um problema endémico na sociedade portuguesa: a corrupção, o amiguismo e o partidarismo, sobretudo em áreas afectas ao funcionalismo público, em que os interesses e a famosa "cunha" se mostram no seu verdadeiro esplendor, como podemos verificar no ensaio "A ministra da cultura e a Biblioteca Nacional de Portugal".É um livro importante, só que seja por nos abrir os olhos para algumas realidades que eu, pelo menos, desconhecia. Parabéns ao autor pela coragem e dedicação a uma causa que não costuma estar do lado da nobreza mas que é, na sua essência uma nobre actividade.
Profile Image for Tiago Aires.
322 reviews37 followers
December 23, 2021
«e é preciso, por vezes, uma boa controvérsia para animar o esfriado cadáver da nossa vida cultural. (p.176)

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«Para quê gastar o latim? Sim, para quê? A resposta é simples; para avacalhar, para troçar dos rebanhos de Panurgo, para satisfazer a minha vontade incoercível de escárnio, porque às vezes me dá ímpetos de achincalhar. Porque os ridículos me interessam, dão-me vontade de escrever permitem-me debochar dos espertalhões.» (p.194)

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«Estranhamente, ou não, as pessoas da cultura, muito mais do que os políticos, têm dificuldade em lidar com a crítica, mostram um reduzido poder de encaixe, gostam de desautorizar quem pensa pela sua própria cabeça e não está constantemente a ponderar cada palavra com medo de ferir susceptibilidades infantis. É isso que explica, parece-me, que qualquer desacordo ou discordância de pontos de vista tenda a ser encarado como um ataque pessoal ou uma tentativa de salpicar de lama os «figurões», fruto da inveja e do rancor.
Não conheço outro modo de estar no meio cultural e intelectual que não seja o de provocar o debate de ideias, o de suscitar a tensão criadora, o de pôr em causa as imagens preconcebidas» (p.247)

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«Em suma, se este livro fosse um concerto, abandonaria a sala a meio.» (p.261)

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«O pensamento de Lourenço sobre Portugal organiza-se em torno de duas grandes ideias. A primeira não é verdadeira e a segunda não é original.» (p.367)

Profile Image for Helder Rocha.
21 reviews3 followers
August 31, 2023
10 estrelas por ter coragem de desmascarar tantas fraudes.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

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