Por que alguns tipos de documentário e formas não narrativas são considerados os mais interessantes, emocionantes e provocativos filmes produzidos nas últimas décadas? Obras de diretores como Ross McElwee (Bright Leaves), Agnès Varda (Os Catadores e Eu), Abbas Kiarostami (Close-Up) e Ari Folman (Valsa com Bashir) têm chamado a atenção dos espectadores que, ao mesmo tempo, encontram dificuldades para categorizá-las. Às vezes descritos como documentários pessoais ou filmes-diário, esses ecléticos trabalhos são, na verdade, mais bem entendidos como variações cinematográficas do ensaio, conforme argumenta Timothy Corrigan nesse estimulante e indispensável livro. Desde Michel de Montaigne, os ensaios têm sido vistos como uma categoria literária mas, apesar de pioneiros como Chris Marker, ainda são raramente discutidos como uma tradição cinematográfica. Ao se aprofundar na longa relação entre literatura e cinema, bem como trazer novas interpretações e modelos teóricos, o autor oferece aqui conceitos que mudarão esse cenário.
Corrigan estabelece - e essa parece ser uma noção comum à grande maioria dos teóricos deste campo - que o filme ensaio seria algo entre o cinema experimental e o documentário, mas com um elemento em particular: a presença constante da reflexão subjetiva, não apenas como tema ou discurso, mas inclusa de alguma maneira na forma dos filmes. A partir disso, as variações dentro do gênero ( ensaios de viagem, ensaios retratísticos, diários ensaísticos, etc) seriam basicamente variações nos modos de operacionalizar essa subjetividade. Outro elemento crucial para a essência do filme ensaio seria o encontro, a experiência pública que permeia o modo como a subjetividade é articulada.
Além de outros autores sobre filme-ensaio e dos próprios cine-ensaístas, há também um diálogo muito pertinente com alguns autores de outras áreas, especialmente Henri Lefebvre e Michel de Certeau na discussão sobre o espaço social em relação à subjetividade, e com Paul Virilio a respeito das mudanças nas configurações do olhar a partir da metade do séc XX (industrialização da visão).
A estrutura do livro intercala o texto teórico com ensaios sobre os filmes citados, o que parece uma solução bastante apropriada. Um dos principais conceitos abordados ao longo do texto é o do sujeito ensaístico, que varia de acordo com cada estilo de filme-ensaio, e a forma do livro estabelece uma espécie de diálogo entre os dois eus do próprio autor - o Corrigan teórico e o Corrigan ensaísta. Há longos ensaios sobre Bright Leaves, Carta à Sibéria, Blue, A Hipótese do Quadro Roubado, Close-up, entre outros, e também sobre ensaios literários e fotográficos, utilizados no início do livro, como os ensaios de Montaigne e um ensaio fotográfico de Chris Marker.
In a shameful manner I have to confess that probably 40% of the films mentioned in this book I have yet to see. However, I think essay film is the simpler mode amongst the myriad methods of practicing—as Deleuze argued—cinematic thinking. It is a form of expressive subjectivity through experiential encounters in a public domain. It is, as Timothy Corrigan writes in this book, a refractive cinema.
Interesting phenomenon that discussed in this book as well is the Kittlerian approach on looking the development of essay film; meaning that essay film is a product of the lightweight technology and its implication to the mode of production. The ubiquitous of video essay we encounter in the platform like YouTube nowadays is byproduct of the merging image-production technology. It all started by Chris Maker and Montaigne to the omnipresence of information inside one YouTube channel.