As tecnologias, os algoritmos e seus modos de tratamento e armazenamento, bem como os fluxos de dados, não beneficiam todas as populações nem enriquecem do mesmo modo todas as comunidades e localidades. As plataformas, muitas vezes articuladas junto a Estados ricos e poderosos, são enormes máquinas de captura e armazenamento de dados pessoais, responsáveis por criarem bilhões de perfis de usuários, que depois são usados para promover influência comportamental para fins de propaganda comercial, ideológica ou política.
Neste livro, pesquisadores, professores e militantes destrincham o conceito de colonialismo de dados e discutem a forma como ele estaria se engendrando nas estruturas sociais, econômicas e políticas de uma forma que ainda não é consensual. Há tensões importantes a serem percorridas e a busca de uma definição e de uma análise operacional desse conceito e outros conceitos como colonialismo digital e imperialismo de dados tecem o panorama das reflexões aqui apresentadas.
"A realidade social estaria dividida entre dois universos: "deste lado da linha" e do "do outro lado da linha". Ou seja, tudo que está do outro lado da linha, fora do centro da modernidade ocidental, seria desconsiderado. O que acontece longe do centro é inexistente, uma vez que sequer é visto ou considerado. Não importa o que acontece na favela carioca, em Caracas ou em Bogotá. Ninguém vê."
quando se fala de colonialismo de dados é muito importante pararmos de focar no individual e sim ir pra uma escala global, pois é somente assim q conseguimos ver a dimensão do problema e como deveríamos nos proteger do colonialismo moderno
Prazeroso de ler, resolutivo e bem situado. Como uma coletânea de artigos, acaba sendo um pouco repetitivo nas referências teóricas, mas as apropriações são bem particulares e interesantes. Recomendo!
Guardei duas coisas: Capitalismo de vigilância e a capitalização total da vida humana. Cada passo dado será transformado em insumo para gerar lucro para alguma empresa.