Jump to ratings and reviews
Rate this book

Inventário de Predadores Domésticos

Rate this book
O que caracteriza o predador? Seu apetite? Sua selvageria? Sua objetividade?

Ao mergulhar no universo de Verena Cavalcante, é justo dizer que um matador, sobretudo um assassino doméstico, também age com extrema discrição. Assim como um louva-a-deus reconhece o momento exato de se fartar com suas vítimas (ou seu parceiro), um ser humano dedicado também escolhe a hora certa de observar e cortejar: a hora certa de agir.

As criaturas de um bestiário compilado pela autora nos guiam como cicerones pela história, nos conduzem a vários desses lugares sombrios, nos ofendem, oferecem detalhes de uma infância dolorosa que muitos preferem — compreensivelmente — esquecer. Sentimos na pele a temperatura da noite mais solitária da floresta e dos dias mais quentes do verão.

Neste Inventário de Predadores Domésticos, entre histórias novas e revisitadas, Verena Cavalcante não nos poupa da violência e da animosidade que habitam nossas selvas urbanas. Embora boa parte do livro se passe em cidades interioranas, o horror que nos é apresentado assume uma forma muito mais abrangente, algo que o leitor vai reconhecer e rememorar de suas memórias de infância.

Os primeiros anos de nossa existência são realmente marcantes no trabalho da autora, mas ela não se esquece que todo predador também evolui, se torna mais hábil, mais competente. Em cada conto, ela também coloca o leitor frente a frente com seus demônios adultos e suas transgressões, mas se dedica sobretudo àquele momento de transição para a vida plena, a adolescência que — como ovos de besouros jogados ao relento — acaba por gerar um novo ser à luz da lua.
Inventário de Predadores Domésticos propõe uma visita àqueles tempos de encantos, brincadeiras e bruxarias, tempos que passaram, mas que nos marcaram para sempre; histórias empoeiradas, antigas e ancestrais. Visões devastadoras de um lugar e tempo que, se não mais existem, jamais nos deixarão em paz.

Ao longo de seus nove anos, a DarkSide® Books cultivou muitos talentos brasileiros e agora se prepara para uma nova safra neste Halloween: Verena Cavalcante chega junto a mais sangue nacional na casa. Neste Dia das Bruxas tão especial, os leitores vão conhecer também novas obras de Bruno Ribeiro, Marco de Castro e Paula Febbe. O sangue corre quente na literatura nacional.

240 pages, Hardcover

First published January 1, 2021

15 people are currently reading
164 people want to read

About the author

Verena Cavalcante

30 books9 followers
Verena Cavalcante é mãe, escritora, tradutora, revisora de textos e professora de idiomas. Formou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) e atualmente também divide seu tempo com o estudo da psicanálise. Verena publicou seu primeiro livro, Larva em 2015, aos 25 anos. Em 2018, lançou seu segundo livro, O Berro do Bode. Sua voz única e visceral carrega um alto teor de verdade, especialmente quando aborda a infância e os terrores do universo feminino. A realidade na ficção de Verena Cavalcante é absolutamente chocante, e ela mergulha em diferentes universos (femininos e masculinos, infantis e adultos, mágicos e mundanos) de maneira bastante peculiar. Nesses tempos pandêmicos, vive reclusa em uma casa no interior de São Paulo com dois gatos, dois cachorros, um homem, um bebê, e seus demônios.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
30 (52%)
4 stars
17 (29%)
3 stars
8 (14%)
2 stars
2 (3%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books572 followers
Read
April 20, 2023
A todos que se interessam por horror latino-americano como leitores ou por estudo, vale incluir Verena Cavalcante nessa conversa.

A primeira parte do livro traz horrores da infância, contos do ponto de vista de pré-adolescentes, com toda uma sorte de sentimentos, desejos e perigos que essa época nos traz, algo incomum de se ver em literatura que quando retrata essa fase costuma "purificá-la" e fingir que nessa idade não somos tão violentos quanto vulneráveis. Gostei de vários. Fiquei mal com vários.

A segunda parte é mais heterogênea, traz mais elementos insólitos enquanto a primeira é mais realista. A Verena tem um jeito de criar imagens perturbadoras que funciona muito bem. Gostei dos mais experimentais.

Deixo um trecho do conto final procês:

"Você acorda na madrugada e vê uma mulher careca com maquiagem de palhaço encostada na parede do lado da janela. Ela se aproxima, sobe nos pés da cama, de gatas, e chega o rosto perto de você. Você não consegue gritar, mas tenta fechar os olhos. Só então percebe que eles já estão fechados. Você continua vendo tudo".

Profile Image for Irka Barrios.
Author 76 books37 followers
March 4, 2022
Ler "Inventário de predadores domésticos" é como se aproximar de um escorpião: você sabe que em algum momento ele te atacará. Mas não sabe quando. E é irresistível observar a dança de seu ferrão.

Verena nos apresenta contos duros que exploram nossas baixezas, nossas sujeiras internas sem colocar as personagens mulheres (ou meninas ou moças) em situação de vítimas. Explico: a forma com que ela descreve, um olhar ingênuo, infantil, proporciona outras cores ao que há de mais horrendo no ser humano. Mais um parêntese: a simulação da voz do personagem, com os prováveis erros de fala, em geral não me empolgam muito. Mas Verena consegue contornar muito bem esse problema, o que demonstra seu talento.

Um olhar interessante, original.
"Inventário de predadores domésticos" não é um livro estático. Ele pulsa, como um coração. E te acerta em cheio. Estrelinha para o conto "Tijolo", que chegou a causar reações físicas nesta leitora tão acostumada com o horror.

Verena Cavalcante segue a linha de Maria Fernanda Ampuero e Silvina Ocampo.
Uma beleza de edição da Dark Side Books.
Profile Image for Igor Pinheiro.
14 reviews
January 26, 2025
Acho que o livro peca pela falta de avisos de gatilho para temas sensíveis, como abuso, racismo e violência, que aparecem de forma recorrente e, em minha opinião, nem sempre são tratados com o devido cuidado ou profundidade, muitas vezes apenas chocando ou reforçando estereótipos.

Em alguns contos, há um destaque para uma situação de vulnerabilidade social de alguns personagens e marcação para que isso seja identificado, geralmente, é com esses personagens falando errado de maneira caricata e/ou em uma situação de extrema pobreza. Algumas das agressões, especialmente racistas, são jogadas no meio de contos sem função alguma para o desenvolvimento, a não ser mostrar que personagem x ou y é errado, mas isso nunca é mostrado com clareza. Há uma romantização da pobreza e o uso de estereótipos ligados a personagens racializados me incomodaram profundamente e acho que faltou sensibilidade na abordagem de questões sociais. O uso da palavra "mulato" em um dos contos me incomodou bastante.

A escrita, marcada pelo excesso de adjetivação e por longos fluxos de pensamento, se atrapalha em frases de 5, 6 linhas nem sempre bem estruturadas. Por mais que a intenção disso seja reproduzir a perspectiva infantil, a escrita acaba soando artificial e repetitiva. Além disso, os personagens têm vozes muito semelhantes, o que prejudica a individualidade dos contos.

A estrutura dos contos também se torna repetitiva: a inocência leva inevitavelmente à tragédia, quase sempre culminando em violência ou abuso.

Há contos que tentam inovar no formato, com o uso de um diário ou de cartas, mas mesmo nesses casos, a repetição de temas e a falta de desenvolvimento consistente enfraquecem o impacto. Apesar de algumas ideias interessantes, a sensação geral é de potencial mal aproveitado. Um ou outro conto se destaca por fugir da fórmula ou explorar uma ideia mais bem elaborada, mas terminei o livro sentindo que ele tenta ser mais profundo e impactante do que realmente é ao mergulhar nesse tanto de violência.
Profile Image for Fernando Paladini.
Author 5 books12 followers
July 27, 2023
Confesso que foi difícil me adaptar ao estilo de terror da Verena Cavalcante, que é bem distante de um terror clássico a lá Stephen King. É um terror diferente, mais cru, mais real, mais mundano.

Isso, em certos aspectos, me incomoda, pois se quero saber de crimes, vou ver Datena ou ligo em qualquer programa policial. De qualquer forma, é inegável dizer que esses contos me marcaram, mesmo eu achando alguns exagerados e "apelativos", principalmente os que envolvem crianças.

Os contos mais para o meio e final do livro me chamaram mais a atenção, principalmente um relacionado a revolução haitiana justamente quando estava vendo um vídeo do canal História Pública sobre esse acontecimento histórico. Claro, esse é apenas um dos que eu verdadeiramente gostei e achei extremamente criativos. Por esses contos e também por todos aqueles que me marcaram, mesmo eu não concordando com seu conteúdo e com sua forma, dou uma merecida nota 5/5.
Profile Image for Ricardo Santos.
Author 12 books25 followers
September 8, 2023
Esse livro de contos de Verena Cavalcante não é para leitores de estômago fraco. Mas não se trata do choque pelo choque. É um horror denso, que mostra sua razão de ser. Afinal, acompanhamos o pior do ser humano, registrado de forma vívida e arrojada por uma autora que procura, ao desafiar a linguagem, elevar a potência dos temas abordados.

A infância é aqui retratada como um pesadelo, numa ciranda de crueldades, sangue e dor, em que vítimas e algozes estão inseridos em dinâmicas brutais, ora sutis, ora escancaradas. A leitura causa asco e revolta, mas também fascínio. A autora nos faz refletir sobre os predadores do cotidiano, e como a cultura do abuso pode ser mais complexa do que queremos admitir. E tudo isso é dito de uma maneira, na verdade, de várias maneiras, que entra por baixo de nossa pele e permanece por lá muito tempo depois da última página.

Como bem disse o escritor Eric Novello, Inventário para Predadores Domésticos se alinha à nova geração do terror latino americano escrito por mulheres, em que o presente e o passado da região, com seu histórico de violências privadas e sociais, ganham uma análise contemporânea e visceral pela chave do sobrenatural, do gótico, do gore, do psicológico, do trash.

O livro em si é uma obra de arte, uma edição em capa dura com ilustrações de insetos que se conectam aos textos, dando assim mais uma camada simbólica a cada história. É uma experiência de leitura completa.
Profile Image for Ivandro Menezes.
Author 5 books27 followers
June 25, 2022
Há alguns anos quando me deparei com a prosa de Verena Cavalcante fui tomado por entusiasmo e encanto. Como feiticeira, encanta com seus contos repletos de personagens ordinários, de reveses, lástimas e medos. Como artista, pinta cenários aterrozantes, que flutuam entre o real e o insólito. Não, não há fantasmas saltando após o rugir de uma porta, nem garras afiadas cortando a carne dócil de um desavisado. Aqui o mal vem de dentro, do âmago, do coração humano e suas contradições. O medo desponta enquanto espelho, e nada aterroriza mais que a imagem que nos olha de volta.

O encanto inicial persiste diante de seu Inventário de Predadores Domésticos (Darkside, 2021). A fauna e flora catalogados por Verena passeiam pela infânica (v. a epígrafe, "A infência é o molde dos monstro"), pela condição e idiossincrasias da violência contra e do ser mulher e pela maldade humana. E o faz a partir de diferentes perspectivas, construindo em diversos contos narradores crianças e/ou mulheres que parecem perdidas entre o torpor de suas lástimas e a loucura emergente.

Mas de que fogem? O que aterroriza seus narradores e narradoras? Podem ser coisas mais físicas, como a menina que tem medo de ir a escola desde que um coleguinha desapareceu (Macaúba) ou um garoto que teme que os coleguinhas contem ao pai que ele fez troca-troca (Tijolo); ou das pressões externas e sociais, como velhice a abandono (Ralo), as pressões pela maternidade (O berro do bode) ou o abuso sexual infantil (Picada).

O modo como narra, as escolhas estéticas e narrativas, o modo de usar desde a linguagem, ora mais oral, ora pouco mais formal, faz do livro uma coleção de espécimes interessantes. Fascinam pelo tamanho reduzido, pelas cores, venenos e potencialidades.

Verena reúne e expõe a sua coleção de insetos, de seres esquisitos, perigosos, nojentos e, sobretudo, contratidoriamente fortes e frágeis, numa sequência impressionante de espécimes. Ela abraça o terror não como quem nele se deleita, mas como quem não o nega no entrelace com o real. O sobrenatural desponta não como oposição ao natural, mas enquanto uma de suas mais legítimas dimensões.

Ao longo do livro, é possível perceber uma série de referências, que vão desde Shirley Jackson, Leonora Carrington, Stephen King, The Cure a outras mais recentes como Mariana Enríquez e Samanta Schweblin. Aliás, ouso dizer que Verena ocupa merecidamente um lugar entre o séquito de autoras latinas do quilate das que acabei de citar e de María Fernanda Ampuero, Andrea Jeftanovic, Giovanna Rivero, Fernanda Trías, e de brasileiras como Irka Barrios, Paula Febbe, Andrea Berriell que tem trazido a lume as cores do horror, terror e medo que costumam negar ao real.

P. S.: Entrevistei a Verena Cavalcante num dos episódios do Lavadeiras do São Francisco. Vale a pena conferir.

Disponível em: https://www.literaturabr.com/2022/06/...
Profile Image for Mothy Pancakes.
26 reviews1 follower
January 6, 2025
Achei esse livro bem difícil de ler. Não só por conta das cenas gráficas, mas pelo modo que é escrito.

Parágrafos longos demais, quase sem pontuação. Sei que a intenção era de contar as histórias como se crianças estivessem contando, seguindo a linha de pensamento sem coerência que um infante teria, mas deixou a leitura extremamente cansativa.

Quanto aos contos em si, a maioria conta situações que são infelizmente cotidianas. Que poderiam acontecer com qualquer um. Lembrar disso da uma sensação ruim no estômago, mas às vezes o choque de realidade é bom, e me fez valorizar mais algumas coisas ao meu redor.
Profile Image for Jaqueline.
553 reviews47 followers
November 20, 2023
Na minha cabeça esse livro é dividido em duas partes: a primeira tem histórias narradas por crianças. São crianças diversas, com vozes próprias, que sofrem todo tipo de violência, mas que também se tornam agentes da violência. E esse é o problema pra mim, a quantidade de violência gratuita, que me deixou com a impressão de ser apenas para chocar, o choque pelo choque, não gostei disso. Mas a segunda parte, é nessa que a autora brilha. São contos com um horror do cotidiano misturado com um sobrenatural, que vão pelo insólito, meio esquisitos, eu adorei.
Profile Image for Ana Clara.
11 reviews
December 21, 2025
Livro excepcional muito pesado porém retrata como na infância pode moldar a sua vida toda, o livro retrata diversas realidades e de como os pais os afetam. Ele retrata fielmente como a cabeça de uma criança funciona nos mostra pensamentos que faz realmente vermos o personagem como uma criança, ele nos coloca no lugar delas e nos faz sentir oque sentem. Recomendo muito
Profile Image for Roseli Barros.
14 reviews
January 5, 2024
Ótimo livro, com alguns contos melhores que outros. Foi indicação de um amigo. Achei bem sombrio e um tantinho drmático.
Profile Image for Camila.
238 reviews18 followers
December 17, 2024
Muitos dos contos são de um terror/horror baseado no que a gente vê de pior no que tem de pior no mundo real. Crianças são muito vulneráveis e também muito cruéis e os contos vão de encontro a isso, mostrando crianças sofrendo e também sendo as causadoras de dores gigantescas.
Outros contos são insólitos e de uma prosa muito bem escrita pra passar as sensações insólitas.
Doeu mesmo, Verena, mas tá desculpada pq é uma obra incrível.

Meus contos preferidos:
Berço
Caixa
A voz de minha mãe
Olhos de bisavó
Missiva póstuma
O berro do bode
Me espera
Visitante na janela
Sorriso nos lábios
Displaying 1 - 14 of 14 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.