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Poemas

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616 pages, Paperback

First published January 1, 1996

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António Franco Alexandre

16 books20 followers
António Franco Alexandre nasceu em Viseu em 1944. Estudou Matemática em Toulouse, Harvard e Paris, onde também estudou filosofia. Em 1975, volta a Portugal e é convidado para leccionar Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Estreou-se como poeta na década de 60 mas foi sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou como uma das mais significativas da actual poesia portuguesa. António Franco Alexandre surpreende por uma ostensiva negação dos valores lógicos do discurso sendo largamente reconhecido pela sua linguagem inovadora. A. F. A., que na poesia portuguesa contemporânea não se sabe situar – "Não sei quem é a minha família, não sei se existe..." –, continua a tomar como influência maior os grandes textos bíblicos. Foi para os poder ler que esteve diversas vezes em Jerusalém a estudar hebraico. "É uma cultura que hoje quase desconhecemos...", diz ele. Outras obras: Distância (1969), Dos Jogos de Inverno( 1974), Cartucho (Ed. dos Autores, 1975, Obra Colectiva com J.M. Fernandes Jorge e Hélder Moura Pereira); Os Objectos Principais (Centelha, 1979), A Pequena Face (1983), Visitação (1983), As Moradas 1&2 (1987), Oásis (1992), Poemas (1996), Quatro Caprichos (1999; prémio APE de Poesia); Uma Fábula (2001), Duende (2002) e Aracne (2004). A Assírio & Alvim editou todos os livros excepto Cartuchos e Os Objectos Principais. Vale a pena ler todos.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
785 reviews145 followers
July 16, 2023
18 meses lento de leitura paulatina de textos belíssimos. pouco a pouco. descobrindo um discurso poético potente.

"A boca que beija é a fonte do mito
quebrar e partir faz parte to rito."
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
August 23, 2024
8.5/10

"Hoje tudo me dói, de não saber
como fazer que a tua chama te incinere,
ou que não tenhas tu nunca existido,
ou fosse eu cego e surdo à tua boca.
Quando souberes que é teu este retrato
feito de cor fingida e falsa luz
irás de porta em porta declarar
que não me conheceste, ouves, ou vês;
que é tudo imaginário; que uma vez
me deste uns dedos de conversa, mas
apenas desejando ser cortês;
que sou um monstro mudo mal cortado
e nem mereço ser esquartejado
pelo pouco que vale o entremez."

***

"se sem razão nenhuma insisto que tua é a noite
não consigo imaginar o inferno vê-lo contudo é fácil
é esta herança deixada pelos homens Duvido chegues a tempo de salvá-la
vale-te da minha ignorância para sair enquanto é tempo
enquanto é de noite e o teu destino incerto"

***

Para mim este livro é quase perfeito: a sua única imperfeição é o facto de precisar de ser reeditado. Li uma cópia das BLX e dentro de dias terei de me separar dele — e essa realidade começa a pesar, estava a gostar do livro mas quando cheguei aos "Dos Jogos de Inverno" passei a adorá-lo; sei que gostaria de o ler e reler continuamente, que seria uma boa companhia para as minhas noites insones. Sinto-me como se estivesse quase a despedir-me de um amigo que vai partir de viagem.

Agosto 2020
Profile Image for Vítor Leal.
121 reviews25 followers
December 16, 2021
Olhar dentro do espelho deu-me ideias
do que seria um animal perfeito;
já penso transformar-me, ter maneiras,
asas talvez, ou tromba vigorosa;
dizer adeus aos fios, e adquirir
o encanto popular de um percevejo
ou o hieratismo de uma louva-a-deus.

(...)
Profile Image for Tiago Aires.
322 reviews37 followers
December 23, 2021
1.

Fosses tu deus, seria eu santo
alimentado a areia e gafanhotos,
sem cessar meditando o único nome
que o horizonte deserto não contém.
Sonho que acordo dentro do meu sonho
para o saber mais certo e mais real;
como o místico leio nas entranhas
da ausência a tua sombra desenhada.
E no entanto és gente, és sangue e terra,
corpo vulgar crescendo para a morte;
incerto no que fazes, no que sentes
e cioso do tempo que me dás.
Porque sei que me esqueces é que lembro
cada instante o que perco e não vem mais. (p.479)

***

19.

Já nasceste a saber o que eu não sei,
o que o lume na água mais procura;
se me dás de beber vou ter a sede
incessante da fonte mais impura.
Cada noite te peço que imagines
uma outra fina, elementar tortura,
como essa, de nunca mais arder
o corpo que no corpo se insinua.
Por cada gesto teu, leio almanaques
de vãs filosofias, para ter
a réplica prevista à sua altura;
por cada lábio, sou mais sábio que
toda a corte celeste talmudista;
e ainda não sei o que ao nascer sabias. (p.497)
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
February 21, 2015
*
quero dizer-te: não morras.

Nem me digas quem és, quem foste, como sabes
a língua que se fala sobre a terra.
Ao lume lanço
toda a vontade de viver, ser vivo,
a cautela do ar, ardendo em torno.
Passarei, terás passado em mim, só quero
dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.
Profile Image for MT.
201 reviews
October 24, 2021
“O que será de ti quando eu deixar
esse planeta só na sua elipse
e me for às galáxias imperfeitas
ditar da criação o último eclipse.
Que outros corpos terão na tua sede
a fonte inacessível e primeira;
que gesto nunca antes concebido
trará ao mundo a terra verdadeira.
Não há no universo outra casa assim
habitada por bichos com ideias;
talvez em vez de gente melhor fôra
entregá-la ao descanso e ao proveito
de uma etérea companhia.
A ti confio a feira; volte um dia,
e com asaa nos pés esteja refeito
o divino baloiço das estrelas,
aprenderei contigo a impaciência
que em ti não use, para bem servir-te;
e então não serei mais, nos teus desenhos,
ausente das imagens e paisagens,
o caracol que pousa na moldura;
e enfim no carrocel terei lugar seguro.”


(pas de deux), Carrocel
Profile Image for Bruno.
3 reviews21 followers
May 4, 2022
É o meu poeta vivo favorito, a que só retiro uma estrela, porque Carrocel, o conjunto de poemas inéditos, é pouco conseguido, ainda que veja "Pas de Deux", o poema de encerramento dessa colecção e do livro, como o texto ideal para completar uma carreira recheada de numerosos momentos incandescentes como esse.
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