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Museu da Revolução

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Conheci Jei-Jei numa manhã cinzenta que dediquei a visitar o Museu da Revolução. Preparava-me para observar os expositores do primeiro andar, onde se dá conta da resistência ao colonialismo, quando senti crescerem os rumores de uma manifestação de protesto no Jardim 28 de Maio, do outro lado da rua.

Notara-a já à chegada, uma pequena concentração de Magermanes, os trabalhadores emigrantes que haviam prestado serviço na velha Alemanha socialista e agora, há muito regressados, continuavam a reivindicar uma parte dos seus salários que diziam estar retida pelo Governo. Agitavam cartazes e bandeiras, e por um momento parecia que os dias festivos do nosso próprio socialismo estavam de regresso.

A certa altura ouvi dois estampidos e desci para a entrada do Museu a fim de espreitar o que acontecia lá fora.

484 pages, Paperback

First published July 1, 2021

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88 people want to read

About the author

João Paulo Borges Coelho

26 books17 followers
Escritor e historiador moçambicano, ensina História Contemporânea de Moçambique e África Austral na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo e é Professor Convidado no Mestrado em História de África do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, assim como às questões de segurança regional no Sul de África e à política da memória.
Recebeu em 2004, com o romance As Visitas do Dr. Valdez, o Prémio José Craveirinha da Literatura, a maior distinção literária em Moçambique. Com O Olho de Herzog recebeu o Prémio Leya 2009. A sua obra literária inclui ainda outros quatro romances ( As Duas Sombras do Rio, 2003; Crónica da Rua 513.2, 2006; e Campo de Trânsito, 2007; Rainhas da Noite, 2013), dois volumes de estórias da série Índicos Indícios (Setentrião e Meridião, ambos de 2005; e duas novelas (Hinyambaan, 2008; Cidade dos Espelhos).

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Pedro Leite.
7 reviews
October 29, 2021
Um livro de escrita poetica sobre a história de Moçambique. Retratos dum pais que se contruiu a partir duma guerra de libertacao, que afirmou um projeto de socialismo africano, atravessou uma guerra civil e enfrentou os tempos da globalização. O museu da Revolução é um livro sobre memorias e esquecimento escrito a partir duma pluralidade de olhares. Um obra sublime!
Profile Image for Ana Rocha.
9 reviews1 follower
September 19, 2022
Várias estórias que finalmente nos contam a História de Moçambique.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
May 15, 2023
“Museu da Revolução” convoca uma série de reflexões em torno da escrita, essa arte de tecer histórias e de dá-las a ver. Foi esse o motivo - quiçá o único - que me fez não desistir do livro e aguentar estoicamente um virar de página sem fim à vista. Começo por falar de “economia narrativa”, conceito que o autor faz questão de ignorar, de tal forma se estende em descrições que confundem as noções de essencial e acessório e que nada acrescentam à história. Não exagero se disser que metade das páginas são supérfluas, o que faz com que o interesse se dilua e o tédio se instale com frequência. Mas há, depois, essa intensa corrente que percorre a linha do pensamento e se derrama em palavras que, alinhadas, mostram de que forma se ergue um livro. Um livro que é, em si mesmo, um “museu” feito de objectos raros ou banais, tornados únicos pelas histórias que encerram e que vão muito além de uma simples legenda na vitrina.

“Museu da Revolução” possui as particularidades de um livro de viagens. De Maputo a Vila de Sena, nas margens do Rio Zambeze, não muito longe da fronteira com o Malawi, cinco pessoas viajam numa carrinha Toyota Hiace, uma “chapa”, verdadeiro símbolo de movimento e de liberdade para os moçambicanos. Na necessidade de recuperar histórias que conhecem apenas pela metade, memórias prestes a desvanecer-se, retalhos de vida que importa reconstruir, reside o sentido da viagem. O percurso leva-os a atravessar a história recente de Moçambique, o estigma de sucessivas guerras sempre presente, a paisagem transformada por décadas de destruição e incúria. Do Chokwé a Vilanculos, do Chimoio a Maringue, a mesma realidade: Pessoas conformadas com uma situação de abandono, a desigualdade e as assimetrias cada vez mais presentes, os dilemas adensados pelo sofrimento anónimo. O final trará com ele algumas certezas, mas muitas dúvidas permanecerão.

Assente no diálogo entre narrador e um dos viajantes da carrinha, “Museu da Revolução” tem no real o seu ponto de partida. Nele, a ficção assume-se como um espaço de liberdade onde se forjam novas histórias destinadas a unir as pontas deixadas soltas por acaso ou porque sim. João Paulo Borges Coelho faz questão de assumir o jogo da escrita: “Se não sabes, inventa.” Narrador e “informador” trocam frequentemente impressões quanto à plausibilidade e adequação dos episódios ficcionados, moldados à medida das necessidades. Este “turismo da memória”, esta viagem a um passado que ecoa no presente, remete para a noção de museu a que o título do livro alude, obrigando-nos a ver cada uma das peças como parte de um todo. Um todo desagregado, imprestável, à semelhança do Museu da Revolução, privatizado e depois encerrado. O tom metafórico torna-se dominante, permitindo realçar os fundamentos da escrita de ficção. A arte de escrever “segura” o livro. No demais, estamos conversados.
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