Como sempre, Thais não decepciona.
FINALMENTE TIVEMOS O BURN DO SLOWBURN! (burn mesmo, tivemos 2 pequenas cenas de sexo aqu) E reitero que isso aqui é melhor de ler de uma tacada só... Foi sofrido ter que esperar para ler essa parte 2.
Então, basicamente, eu amei o worldbuilding, o conceito do rio de sangue e magia (tcharaaam o nome da duologia), e tudo o mais. Tem um monte de raça diferentona lá, nerzho, orrem, sesserat, dralai... mas eu só decorei mesmo como são os humanos e os iirazi. E, na boa, é o que importa. Não senti falta de imaginar detalhadamente a aparência de todo mundo lá.
Eu amo essa coisa de "não sabemos tal coisa sobre esse mundo, e precisamos descobrir" daí inicia a investiação antropológica, arqueológica e o que for. Então CARAMBA, eu me diverti pra caramba com isso aqui. Também tem as luta usando magia, mudando de dimensão (dentro e fora do rio), a tensão entre os personagens, a guerra, as surpresas...enfim, tudo isso foi apresentado de um jeito muito bom.
Agora vamos âs coisas que não gostei tanto assim:
Achei a transição para o romance apoiada demais em coisas muito sutis. É muito fácil os detalhes de como a atitude deles em relação ao outro foi mudando passar despercebida, aí ficar com aquela impressão de que foi de uma vez. Eu até voltei para verificar, porque logo de cara pareceu muito
23:59 - que bosta que eu tivemos que vir juntos DE NOVO!
00:00 - pqp, quero transar.
Isso porque enquento eles processavam o que sentiam um pelo outro, tinha algo mais chamativo acontecendo: a gente tava descobrindo finalmente que merda tinha acontecido com o rio para as ondas terem acontecido. E também qual era o papel da Assembleia e do Conselho magi na treta toda do livro.
Sobre isso, o desenvolvimento do romance deles (parte Romance de romantasia) e o desenvolvimento jornada que seguiram (parte mais fantasia de romantasia) parecia duas coisas paralelas. Parece ser comum no subgênero romantasia (Fantasy Romance), mas da forma como a classificação de gêneros me serve, isso foi um pouquinho frustrante. Para mim só tem um motivo para separar gêneros e subgêneros: organizar o que eu quero ler no momento. Daí eu, pessoalmente EU, não separaria tanto RdSeM de uma história de gênero fantasia per se. É que tem um romance slowburn que acontece ali, mas... Na maior parte, a história só foi me entregando muita coisa que o Ícaro leitor de fantasia curte.
TANTO É QUE... Mesmo sabendo que é slowburn, eu fiquei meio frustrado porque não teve nem um pouquinho de burn na parte 1. Mas ok... Gostei muito de como isso foi construído agora na parte 2. O ritmo fluiu muuuuito melhor aqui.
Mas enfim, o Ícaro leitor de romance esperava que na romantasia tivéssemos o desenvolvimento do romance aconteceu não só em paralelo com a jornada fantástica, mas que isso acontecesse de uma forma mais "ligada". Dar passos na jornda seria dar passos no relacionamento. Não dá para não pensar na relação e nos sentimentos pensando no problema a ser resolvido, porque tá tudo unido. MAS até agora só li uma história de romantasia que entregou isso: Radiance, da Grace Draven (disponível apenas em inglês, infelizmente).
Divagações â parte, também ficou uma coisa que não ficou tão claro para mim: aquela bomba de poder que ferrou com o Eker. Qual a relação disso com toda a treta que vimos desenrolar aqui? Deixando a pergunta mais clara: Por que a Assembléia fingiu que aquela bomba não aconteceu? O que exatamente ela queria apagar ali? Tipo... Aquela bomba era uma ótima coisa para continuar fazendo o que eles fazem desde o início, que é manter a guerra. Eu realmente não entendi isso HAHA Se alguém souber, responda essa review explicando, por favor.
De resto, maravilhoso. Me diverti horrores. Tenho dito, Thais Lopes deve ser reconhecida como uma referência da literatura fantástica brasileira. É MUITO MELHOR que uma penca de autor branco rico que recebe aplausos por umas histórias mal construídas por aí...