Los poemas de Mundo , el libro más reciente de Ana Luísa Amaral, convierten lo cotidiano en universal y nos adentran en los aspectos más pequeños y humildes de esta una abeja, un ciempiés, un cigarrillo, una aguja, un caballo... Y en ese universo de lo ínfimo, un manto de magia lo cubre las mesas hablan, los insectos tienen una vida interior tan compleja como la humana, los libros clásicos conversan entre sí, la historia universal es solo una nube que se desvanece. Pero en ese mundo mágico –el nuestro– también hay injusticias y dolor, y Amaral no es indiferente a ello. Habla, con delicadeza y gran respeto, de los desposeídos, de la esclavitud moderna, de la discriminación por nuestro color de piel, de nuestra indiferencia ante la miseria que nos destruye a todos. Con la fuerza de quien sabe que las palabras tienen el poder de crear y modificar el mundo, los poemas de este libro siembran en nosotros, con cada sílaba, la semilla de un bosque indestructible de esperanza y lucidez. Mundo representa la mejor puerta de acceso al universo de una de las mayores poetas vivas de Europa, Premio Reina Sofía de Poesía 2021, cuya obra ha sido comparada con la de Emily Dickinson y Wisława Szymborska.
ANA LUÍSA AMARAL nasceu em Lisboa, a 5 de Abril de 1956. Doutorada em Literatura Norte-Americana com uma tese sobre Emily Dickinson, ensinou Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto. Autora de oito livros de poesia e dois livros infantis, está representada em diversas antologias portuguesas e estrangeiras e foi traduzida para várias línguas, como castelhano, inglês, francês, alemão, holandês, russo, búlgaro e croata. Faleceu a 6 de Agosto de 2022.
Estão lado a lado, naquela praça em frente da igreja, nesse calor de quando o mundo oscila na linha de horizonte, e o rio quase defronte: uma miragem
Estão lado a lado, sujos de pó, as cabeças tombadas para a frente, unidos pelo jugo desigual, a carroça apoiada no muro mas pronta a ser unida aos corpos deles
Estarão feitos assim: velhos amigos, os corpos encostados mesmo neste calor, pela aliança muda?
Arreios, cabeçadas, todos os instrumentos do que parece ser mansa tortura mais o freio, ou bridão, parecido com aquele colocado na boca das mulheres que desobedeciam,
e era isso há muito tempo, pelo menos quatro séculos, ou semelhante ao que se usava nos escravos, cobrindo-lhes a boca para que não se envenenassem, porque se recusavam a viver escravos e era isso quase agora, no século passado
Mas eles não criam caos nem desacato, não se revoltam nem tentam o veneno se o freio agudo lhes fere, pungente, gengiva, língua, osso
Só se encostam quietos, um ao outro, cabeças derrubadas para a frente, à espera do chicote que chegará depois com a carroça, pronta para a entrega das coisas humanas, o comércio
Ando com a sensação de que a Ana Luísa Amaral já escreveu melhor e que está muito mais segura na tradução do que na criação. Neste livro, há 5 poemas maiores: "Soneto...", "Ode ao cigarro", "Das sagas...", "As cores da servidão" (um dos melhores), "Comboio para Cracóvia" e "A casa e o tempo". As tentativas de certo humor, associado a referências do quotidiano e a um bestiário nem sempre resultam. Talvez o soneto ou a ode sejam os dois grandes poemas do livro. Só por eles, já vale a pena lê-lo.
Foi preciso perdermos Ana Luísa Amaral para eu saber que ela existia, que a poesia dela existia e que eu a adoro. Este livro é a coleção de poesia mais preciosa que tenho neste momento. Temas tão simples, mas palavras tão bonitas e inspiradoras que me fizeram apaixonar logo no primeiro poema. Adoro a forma como ela escreve, adoro o seu vocabulário. A simplicidade aliada à beleza. A clara influência de Emily Dickinson na sua escrita (aquele hífen final que não se sabe bem o que é). Tudo
Os meus poemas favoritos são "A Aranha", "O Pavão", "O Jogo", "A Luta" e, mesmo não fumando, a "Ode ao Cigarro" (principalmente a segunda parte).
Há livros que conversam connosco e este conversou comigo, porque, mesmo que os seus versos não sejam biográficos, há receios, divagações e detalhes do quotidiano bastante credíveis; há emoções que nos embalam os passos e que, por isso mesmo, toldam a forma como observamos o que nos rodeia. E é esse mundo, interno e externo, que se tece ao longo destas páginas. Com uma simplicidade fascinante, há muita vida a acontecer aqui.
No sé si lo que no me gustó fue el verso o la traducción. La edición de Sexto Piso, que es muy bonita, tiene cada poema lado a lado con su original en portugués - y es fácil darse cuenta de que la traducción se toma muchas libertades, cambiando las palabras y alterando el ritmo de forma que no me termina de convencer. De cualquier modo, la verdad, no me pareció muy interesante.
Os meus poemas preferidos: "A centopeia: cena quase bíblica" "A pega: as outras cores do mundo" "o peixe" "O pavão: o voo, do que é útil" "O vento e a flor" "Girassol" "A mesa" "Dois cavalos: paisagem" "Ode ao cigarro" "O sopro" "Falando em línguas" "A luta"