Nos séculos XVI a XVIII, milhares de mulheres, algumas muito jovens, provenientes dos estratos superiores da sociedade portuguesa, encerraram-se ou foram encerradas para toda a vida em conventos de clausura.Muitas delas não sentiam particular vocação religiosa. Em geral, era por imposição dos pais, preocupados em deixar a herança nas mãos dos primogénitos masculinos, que faziam a sua entrada nos claustros.Essas vocações forçadas levaram a que, num grande número de conventos, o comportamento das religiosas estivesse longe do que seria esperado. A recusa da clausura esteve na origem de tentativas de fuga e de distúrbios psicológicos atribuídos a intervenção demoníaca – e objecto, por isso, da vigilância da Inquisição.Sucederam-se também graves desvios às regras estabelecidas, nomeadamente no que dizia respeito à castidade e à obediência. Até que a própria sobrevivência da instituição monástica foi sendo posta em causa.
ARLINDO MANUEL CALDEIRA nasceu em 1946. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1972), é investigador integrado do Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar (CHAM/FCSH-UNL). A sua principal área de pesquisa é a História de África (particularmente Angola e golfo da Guiné), sobre a qual tem publicado vários livros e dezenas de artigos. Foi galardoado com o Prémio D. João de Castro atribuído pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, em 1998.
2/10 Foi impossível ler isto sem pensar na Irmã Auria e na Irmã Paula e fazer comparações como que eu vivi com elas e me lembrar da conversa que tivemos sobre como elas tinham sentido o chamamento para irem para freiras (uma paz e desprendimento que eu nem consigo imaginar) Não sei porque é que alguém me ofereceria este livro no Natal, é zero o meu género Juro que ter ido em missão não me torna super interessada em viver em mosteiros, não precisam de me mostrar o quão mau era Nunca escolheria este livro para mim e custou-me a ler Ui e quando começou a enumerar o que as religiosas comiam em cada celebração do ano, quantidades e a divisão entre a abadessa e as restantes, perdeu-me completamente Nunca li nada tão seca Mas pronto, até foi ok tendo em conta as expectativas que tinha
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Este livro é excelente. Não me canso de o ler. Fica complicado "memorizar" todos os pormenores, porque, obviamente, é um livro escrito por um historiador e não tenho o dever de memorizar todos os acontecimentos... Mas é bastante viciante devorar mais e mais e reler as mesmas histórias! Tem sem dúvida muito sumo para artistas criadores (e alimento para investigadores, claro).
Uma panorâmica muito informativa do Portugal monástico dos séculos XVI, XVII e XVIII. Realidades sociais que não se confinam às paredes dos conventos mas deixa-nos a porta entreaberta para as mais variadas curiosidades antropológicas.