Já não restam superlativos para caracterizar a música de João Gilberto. Com sua voz e seu violão inigualáveis, o criador da bossa nova foi reverenciado no mundo inteiro – até nos deixar, aos 88 anos, em julho de 2019.
Escrito pelo produtor e pesquisador musical Zuza Homem de Mello, Amoroso é a primeira biografia dedicada ao baiano de Juazeiro. Personagem tão apaixonante quanto idiossincrático, João Gilberto é aqui retratado pelo prisma de sua arte. De Salvador a Tóquio, passando por Nova York, Rio de Janeiro e Cidade do México, somos levados aos estúdios, teatros, bares, clubes e festivais por onde João circulou, e conhecemos os compositores, arranjadores, instrumentistas, produtores, jornalistas, técnicos de som e empresários que cruzaram seu caminho.
Melômano de conhecimento enciclopédico, o autor reconstrói a trajetória musical de seu amigo e ídolo em prosa leve e alegre, sempre elegante e precisa – como ensinou João.
what a exquisite portrait of our greatest (and most excentric) Brazilian musician, brilliantly painted with quirky stories of a genius of creativity! ♡
Um livro sobre a vida de um dos maiores artistas deste nosso país sem memória já é razão suficiente para reforçar sua leitura. Um homem que, muito reservado, pouco disse, mas muito cantou acaba padecendo no livro da falta de uma perspectiva mais intimista com o homem, não tanto com o gênio ou com a figura mundialmente conhecida. É, basicamente, uma elegia escrita por alguém que, não apenas era fã, mas que quis lhe assegurar um lugar nesse panteão suplantado por modernidades. Um livro sobre a música, a obra de João, que é a tradução mais imediata de sua genialidade. No entanto, como escrita por alguém que efetivamente entende de música, o leigo acaba-se muitas vezes na sensação de sufoco técnico ou de tédio inevitável nas descrições de coisas que já estão disponíveis nas redes e podem ser vistas. Creio haver faltado neste livro mais amplitude em relação a influência e ao impacto, isto é, falta mais gente e sobra narrador. Claro, Zuza morreu logo após ter finalizado o livro. Fica então como uma carta de alguém que amou João Gilberto. Isso, de certa forma, já é requisito mínimo.
Que coisa mais linda esse livro.. emocionante, difícil achar palavras pra descrever esse artista maravilhoso. Fica a frase linda da Adriana Calcanhotto, "rompeu-se o privilégio de poder transitar no tempo dele". Como ele e Zuza fazem falta...
“O samba do Brasil teve raros momentos de ruptura a determinarem os capítulos de sua história. O mais revolucionário deve-se ao gênio que já foi cantar noutra freguesia, João Gilberto.”
“Amoroso: Uma biografia de João Gilberto” foi escrito pelo musicólogo e amigo pessoal do artista, Zuza Homem de Mello, que faleceu 4 dias após a finalização do livro, sendo posteriormente editado por sua esposa, que o acompanhou durante as viagens e pesquisas para a obra. Na biografia conhecemos, a partir de relatos de amigos e profissionais que trabalharam ao lado do pai da Bossa Nova, um João Gilberto que muito se destoa de sua imagem criada pela mídia.
Nascido em Juazeiro, na Bahia, no ano de 1931, João Gilberto cresceu durante a era do rádio, ouvindo, através de auto-falantes, aos grupos musicais de sua época, os quais incorporaria ao seu próprio repertório, recuperando composições já esquecidas e transformando-as em Bossa Nova.
A obra percorre toda a sua jornada musical: a curta participação em grupos musicais, as dificuldades dos primeiros anos, a amizade com Tom Jobim e a gravação de seu primeiro disco, cujo reconhecimento impulsionou a sua carreira e abriu as portas para a música brasileira a nível mundial, sua fama posterior e seus concertos e gravações pelo mundo afora. Mas muito além disso, a biografia analisa a música e a arte de João Gilberto a partir de sua personalidade: o seu isolamento, que escondia uma profunda preocupação com um perfeccionismo que, impossível de se existir no mundo real, era expresso em suas canções; o seu minimalismo, compreendido na remoção de tudo o que não fosse essencial a uma música, mantendo apenas a perfeita sincronia entre voz e violão, mas sempre inovando a cada interpretação.
Zuza Homem de Mello busca, através de seu livro, quebrar com a excentricidade atribuída a João mostrando que ele era, na realidade, uma alma de extrema sensibilidade, daí a dificuldade de se retirar dos quartos de hotel uma vez que encontrava sua paz e seu conforto, e os seus tão criticados e frequentes atrasos.
A biografia “Amoroso” me surpreendeu por duas razões: a primeira, pela leitura ter me prendido do início ao fim, uma vez que não possuo o costume de ler e me interessar verdadeiramente por biografias, mas essa, em específico, foi de uma leveza imensa, além de oferecer um panorama do cenário musical no Brasil e no mundo entre as décadas de 1940 e 2010, citando outros artistas de grande renome e como esses participaram da história de João Gilberto, como: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Gal Costa, Rita Lee, entre outros. E a experiência de leitura se torna completa ao se parar para ouvir os álbuns citados - eu, particularmente, acabei me apaixonando também pelos álbuns da primeira esposa de João, Astrud Gilberto, que fez muito sucesso nos Estados Unidos a partir das conexões do marido.
O segundo motivo da minha surpresa foi graças à falta de conhecimento prévio que eu possuía a respeito do artista. Apaixonada por “Chega de saudade”, comecei a ouvir aos álbuns completos de João Gilberto no ano passado, sem fazer a menor ideia de sua importância e grandeza na história da música brasileira e estrangeira. E, apesar de não possuir conhecimento suficiente para entender as passagens do livro mais voltadas para a teoria musical, essas não atrapalharam em nada a minha experiência, que posso avaliar como tendo sido excelente.
Como aprendemos sempre tanto com Zuza Homem de Mello! Só ele poderia ter escrito essa biografia de João Gilberto: íntima e engrandecedora da técnica musical do baiano de Juazeiro.
Me marcaram os relatos afetivos de Tom Jobim, Caetano e outras figuras que viveram situações e experiências únicas com João Gilberto. As longas chamadas de voz (João adorava falar no telefone por horas, e isso diz muito sobre o ouvido dele), o apego do artista aos quartos de hotel, os atrasos, a exigência com o som... tudo isso é contado a partir de relatos de quem convivia com ele, e não de uma perspectiva mediática.
As descrições dos álbuns e shows também são de uma riqueza rara, mas quem estuda (ou estudou) música vai usufruir melhor dessas partes, apesar de Zuza ser capaz de explicar as coisas mais complexas de teoria musical da forma mais simples possível.
Que trajetória a de João Gilberto! Um mestre que passou pela terra. Precisamos agradecer a João Gilberto mil vezes. E a Zuza Homem de Mello também.
Um bonito panorama pela vida e a obra de João Gilberto, feito por um autor que não só era amigo do artista, mas também um grande admirador. Zuza faz uma homenagem. E o faz muito bem. Esse livro me fez revisitar João Gilberto, conhecer passagens da sua vida que me eram desconhecidas (a passagem por Porto Alegre narrada de forma belíssima por Zuza) e sentir mais uma vez que perda foi sua morte para a cultura brasileira. Um gênio explicado tim-tim por tim-tim.
não sei oq dizer. denso demais. gostei que não segue bem uma cronologia, dividindo-se entre tópicos e assuntos. fiquei triste lendo os relatos dos últimos dias. vou passar uns dias pra ruminar e decantar o que acabei de ler. muito bom!1
Uma carta de amor de um amigo-fã. Um livro sobre a arte, a técnica, a limpeza do som, o respeito pela música. “Melhor do que isso só mesmo o silêncio. Melhor do que o silêncio, só João.”
Termino hoje, 27 de dezembro de 2024, 6 anos após a partida de Miúcha. 🤍
Zuza, além de grande amigo e fã de João Gilberto, era um dos maiores conhecedores de música popular brasileira, desde suas raízes do samba, samba-canção e bossa-nova, e também de jazz, o que o coloca em posição ímpar para escrever a biografia musical desse ícone da MPB. O livro foca na trajetória musical do baiano, percorrendo sua formação autodidata, discos e shows memoráveis em detalhes, salientando seu aspecto original e inovador, que arrebatou plateias em todo o mundo. Menor importância foi dada às fofocas e idiossincrasias de João, afinal os gênios têm direito a suas excentricidades. O resultado em vários momentos emociona, e nos faz compreender melhor o valor inestimável de João Gilberto para a música brasileira.