Um homicídio em Viana do Castelo choca a cidade: Tito Benito, um rapaz recatado e comedido, aparece violentamente morto nas ruínas abandonadas do Convento de S. Francisco do Monte. Dois inspetores da Judiciária de Braga, Silvano Cardeira e Renascida Ximenes, são chamados ao local, para Ximenes descobrir, com assombro, que a vítima era seu colega dos tempos de escola. O retorno à cidade onde Ximenes «renasceu» fá-la confrontar-se com o passado que tenta a todo o custo espezinhar. Viana simbólica, a cidade é palco das vidas entrelaçadas destas personagens. O cadáver tenta falar, mas ninguém presta atenção ao que diz. Um policial à maneira do Norte, com Viana do Castelo como pano de fundo.
Quando soube da publicação de um policial escrito por um autor português fiquei automaticamente com muita vontade de conhecer a obra, por isso abracei com muito entusiasmo o convite da editora Edições Trebaruna para ler este livro, a quem agradeço imenso.
Apesar das muitas opiniões que li antes de ter o livro nas minhas mãos, iniciei a leitura sem qualquer condicionamento. A meu ver, a premissa tem um grande potencial, o que motiva o leitor a descobrir o que terá efetivamente acontecido a Tito Benito.
De uma forma gelar gostei da escrita, no entanto a sua complexidade e detalhe - por vezes com repetição de informação - dificultaram um pouco a fluidez da leitura.
Alguns dos estereótipos e problemáticas presentes na sociedade (e. g. homofobia, bullying) foram representados através do inspetor Cardeira de forma excessiva, de modo que acabei por não conseguir simpatizar com ele. Por outro lado, um dos aspetos que mais me agradou foram os capítulos de uma personagem mistério relacionada à inspetora Ximenes. A abordagem feita a todo o seu passado obscuro e traumatizante deram uma conotação enigmática a esta personagem, tornando- a no diamante da história. Paralelamente, as passagens dedicadas a Tito Benito enquanto personagem morta foram extremamente inovadoras. Abordando ainda as restantes personagens superficialmente, pareceu-me adequada a exploração de cada uma.
Até sensivelmente metade do livro, a ação foi lenta e muito focada na vida dos investigadores. A partir desse momento temporal a investigação do homicídio começou a ter uma maior importância, o que aumentou significativamente o meu interesse. Tive pena de a investigação não ter começado mais cedo, pois o ritmo dos acontecimentos passou a ser bem mais cadenciado a partir do momento em que se começaram a juntar as peças.
Tendo em conta a quantidade de informação que se vai obtendo até à reta final, a sensação que tive foi que o fim ficou um pouco aquém de todos os desenvolvimentos. A história foi muito esmiuçada, com exceção do final que me pareceu realmente apressado e um pouco superficial. Será esse um indicador de um próximo volume?
Recomendo este livro a quem tenha gosto por descobrir histórias que aprofundem as temáticas, aprecie desvendar mistérios e queira conhecer um pouco de Viana do Castelo. 3,5 ⭐️
« foi uma leitura agradável e uma grande surpresa. Tem vários pontos positivos, mas destaco o facto de se passar longe das capitais de grandes cidades cinematográficas, porque existe mais do que Lisboa, e infelizmente há crimes em todo lado, e fiquei super contente de se passar em Viana, de conhecer mais sobre a cidade.»
Quando comecei a ver este livro a circular nas redes sociais, chamou-me imediatamente a atenção. Uma capa bem conseguida, uma premissa interessante e um autor português prometiam uma aventura de quase 500 páginas que valeriam a pena.
Fico com pena de não ter gostado mais deste livro do que esperava. Penso que a ideia está lá, mas a execução ficou um pouco aquém. A forma do autor caracterizar as personagens incomodou-me um pouco (era mesmo necessário dizer que a mãe de Joel era obesa de cada vez que ela aparecia em cena), tal como o uso e abuso de expressões e "tripeirização" dos diálogos. Este foi o maior obstáculo que encontrei durante a leitura e que não me permitiu apreciá-la na sua plenitude. Porque tirando este factor, temos um livro bem escrito e uma história que agarra os leitores nas suas páginas. Vidas muito diferentes e personagens bem desenhados unem-se numa narrativa bem construída. Desnecessariamente longa? Sim, penso que sim. Mas a leitura é tão fluída que não nos apercebemos sequer de que estamos a voar pelas páginas de um calhamaço. Não senti que nenhuma personagem estivesse fora do lugar nem que ali estivesse para encher chouriços; chegamos ao fim conhecedores das finas teias que as unem, numa história forte e coesa.
Uma boa aposta num autor português, de quem gostaria de conhecer mais livros (quanto mais não seja, para tirar a teima se Ximenes e os restantes foram caricaturas ou não).
Este livro foi #oferta da @edicoestrebaruna, em troca de uma opinião honesta.
Neste livro, Orlando Barros introduz-nos a uma variedade de personagens muito peculiares que nos transportam para Viana do Castelo, onde alguém morreu. O cadáver quer contar a sua história, mas será que os vivos o estão a ouvir? Tão cedo não me irei esquecer desta dupla de inspetores, com sotaque do norte e um mistério por resolver, a Ximenes e o Cardeira.
Quero começar por agradecer a @edicoestrebaruna pelo contacto, confiança e cedência deste exemplar.
Este livro já não é novo por aqui e devo dizer que concordo com algumas das reviews que foi lendo apesar de “discordar” num aspeto : as personagens. Num universo que gostou da inspetora Ximenes, eu, enquanto portuense, achei-a um tanto ao quanto irritante 😂
Devo dizer-vos que este livro tem aspectos que gostei bastante e outros que nem tanto assim! Gostei da escrita que misturava uma certa eloquência com calão em medidas certas e momentos oportunos. Gostei também que no final do livro houvesse uma página com todos os intervenientes da história apresentado-os e tornando mais fácil nos relembrarmos de quem são. Outro aspecto que gostei é um 𝐦𝐢𝐧𝐢 𝐬𝐩𝐨𝐢𝐥𝐞𝐫 por isso faltem a próxima frase à frente 😝: ⚠️ 𝐦𝐢𝐧𝐢 𝐬𝐩𝐨𝐢𝐥𝐞𝐫⚠️ foram os pequenos apartes dados pela vítima do homicídio e que foi assim que soubemos o criminoso. ⚠️ 𝐦𝐢𝐧𝐢 𝐬𝐩𝐨𝐢𝐥𝐞𝐫 𝐟𝐢𝐦 ⚠️
Quanto aos aspectos que menos apreciei para além da Xismenes porque eu sei que é estereótipo, mas nós nao trocamos assim tanto os “v” pelos “b” 😂, acho que o crime em si poderia ter sido mais trabalho e com mais mistério - há uma parte que acaba por nos dar uma forte dica de quem será o assassino/a. Acho também que poderia haver menos descrições dos espaços que não acrescentam muito e também retiraria tanta contextualização das personagens. Não me interpretem mal, eu adoro poder conhecer bem as personagens, mas acho que este não é um género que carece disto.
De uma forma geral, é um livro que demora a desenvolver, mas que não perde o seu interesse e que tem uma boa estrutura :) Sem dúvida que quem gosta de policiais, de autores portugueses e de uma história sólida tem aqui uma ótima opção :)