3,5*
Nunca trabalhei em atendimento ao público, felizmente, porque não tenho de todo feitio para isso, mas sou próxima de pessoas que trabalharam atrás de um balcão a vida inteira, pelo que pouco nestes relatos reunidos por Pedro Vieira me surpreendeu, ainda que a falta de civismo e a exploração me indignem sempre.
Tendo ele mesmo durante alguns anos passado por empregos onde teve de “lidar com o outro”, como se diz frequentemente neste ensaio, Pedro Vieira recolheu seis testemunhos sobre trabalhos duradouros ou precários nas mais diferentes áreas: restauração, bilheteiras, posto de saúde, call center e vestuário. Nesta difícil tarefa de ter de lidar com gente todos os dias, vemos pessoas de idades diferentes, variando também as suas habilitações e expectativas, mas acabando por revelar bastante em comum, como a paciência e a diplomacia para aguentar certas situações.
Provavelmente, isto só acontece com leitores inveterados, mas para mim, o testemunho mais interessante de “Em que posso ser útil” foi o do próprio autor, nos tempos em que foi livreiro em vários pontos da Grande Lisboa.
[Obrigada, Leonor!]