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Arte de Ser Português

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O Arte de Ser Português tem um propósito pedagógico, pretendendo descrever, de forma verdadeira, o conjunto de características que definem Portugal e os seus habitantes. Para que melhor se modelem as juvenis almas portuguesas, Teixeira de Pascoaes propõe o ensino de noções gerais sobre o País, caracteriza as qualidades e os defeitos da "alma pátria", sugere a forma mais adequada de cultivar o sentimento de sacrifício e explica o idealismo português. Julgando ter dado à estampa um manual, Teixeira de Pascoaes ambicionou que nascessem "bons portugueses" da leitura deste livro, quando, na verdade, tinha imaginado uma história em que Portugal era a personagem principal e ser português constituía uma nova forma de arte.

144 pages, Paperback

First published January 1, 1915

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About the author

Teixeira de Pascoaes

79 books43 followers
A mystic poet who felt profoundly connected to the humblest things and to the brightest stars, Teixeira de Pascoaes was born and died in the small town of Amarante, in northern Portugal, and led a relatively uneventful life. In 1896 he went to Coimbra to study law, though poetry and contemplation were his favorite endeavors. University life was, at the time, a rather boisterous affair, but Pascoaes kept out of student brawls and political rows, devoting himself to study and writing. He published his first three books of poems while at university (not counting the book, later repudiated, that he had published a year before arriving at Coimbra), and these already show his attraction to an idealized nature, to the darkly mysterious, to the vague and ethereal. He worked for a few years as a lawyer and a judge, but then retreated, as it were, into his inner life. He was by no means a recluse, however. His religiosity had a missionary side: Pascoaes became the chief apostle and theoretician of saudosismo.
Saudosismo was a movement that promulgated saudade as a national spiritual value that could have transformative power. Saudade means “longing, nostalgia, yearning” for something absent, but it is a feeling fraught with more emotional weight and affective intensity than corresponding words from English and other languages convey. Pascoaes gave this unique Portuguese word a philosophical and spiritual twist. In an article published in 1913, he wrote that “saudade is creation, a perpetual and fruitful marriage of Remembrance with Desire, of Evil with God, of Life with Death . . .”. And in a conference delivered that same year, he spoke of “the action of desire on remembrance and of remembrance on desire, the two intimate elements of saudade”, described elsewhere in the conference as “the perfect and living fusion of Nature and the Spirit”. Saudade was, in Pascoaes’ conception, a species of élan vital.

From 1910 to 1916, Pascoaes was editor of A Águia, an Oporto-based magazine that became the mouthpiece for the Renascença Portuguesa (Portuguese Renaissance), a movement of which saudosismo was part and parcel. It was by cultivating saudade, considered to be the defining characteristic of the ‘Portuguese soul’, that a national renaissance was supposed to take place. This signified not “a simple return to the Past” (wrote Pascoaes in A Águia in 1912) but a “return to the original wellsprings of life in order to create a new life”. To achieve this Renaissance he advocated, among other things, the establishment of a Portuguese Church, which could better accommodate the original spirit of the nation, part Christian but also part pagan.

The nationalist program of saudosismo is only latently felt in most of Pascoaes’ poetry, for his bent was predominantly spiritual, and in a lecture delivered in the last year of his life, he remarked: “Man does not belong only to society; he belongs, first and foremost, to the Cosmos. Society is not an end but a means for facilitating man’s mission on earth, which is to be the consciousness of the Universe.” This point of view informs virtually all of his poetry, which is, in large measure, a pantheistic celebration of life – not just life on earth, but also the life of the imagination and the universe. In the early poem ‘ Poet’, he states that “I am, in the future, time past” – the embodiment, in effect, of saudade. He claims to be “a mountain cliff”, “an astral mist”, “a living mystery”, “God’s delirium”, and so on, which is why he also says, “I’m man fleeing from himself”. Not limited to his own body, he connects with the rest of reality, to the point of interpenetrating and becoming its other manifestations.

Pascoaes’ universe is one of correspondences between seeming opposites: the past with the future, nostalgia with hope, sorrow with joy, the material with the spiritual. The dynamic nature of this unity of opposites is well expressed by two verses greatly admired by Fernando Pessoa: “The leaf

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for tiago..
466 reviews134 followers
April 30, 2021
No primeiro capítulo deste livro, Teixeira de Pascoaes admite em passagem, numa nota de rodapé, que este livro é, mais que um tratado sobre a identidade nacional, umas quantas postas que mandou em conferências e artigos que organizou apressadamente, em quinze dias, para publicação. Destas "postas", haverá algumas apetitosas, e outras que terão pior aspeto. No geral, este livro é uma singular compilação de baboseiras; singular, sim, porque ainda que baboseiras sejam, singulares serão também; e maravilhosamente bem escritas, haverá que acrescentar. E por muito que não se concorde com tudo (ou com nada) do que Teixeira de Pascoaes diz, não deixa de ser uma interessantíssima perspetiva sobre o que poderia ser* a "portugalidade", que ainda hoje nos provoca a repensar o que é, verdadeiramente, ser português. Será talvez uma arte, como diz Pascoaes.

Salazar terá sem dúvida partilhado desta opinião, porque muito do que Pascoaes diz neste livro em 1915 acabará por infiltrar-se na ideologia do Estado Novo: a ideia de "Deus, Pátria, Família", por exemplo, omnipresente em todo o livro ainda que nunca expressa nesses termos; o eterno saudosismo de uma nação de frente para o Passado e de costas para o Futuro; o "génio aventureiro" da nação que fez as Descobertas, e o seu destino messiânico, virado para a renascença pátria; entre outras ideias. Em suma, dir-se-ia que tudo aquilo que de pior cremos sobre nós próprios, e que mais nos empata enquanto povo, acabou neste livro: a vil tristeza, a tristeza má sem alma e corpo, a noção de que somos um povo inerentemente intolerante** e invejoso***, pouco dado a intelectualismos**** e, como já se referiu, a constante fixação no Passado, o sentimento de estarmos destinados a algo grande, uma vaga Renascença de Portugal, que parece pressupor (ainda que nunca seja expressamente dito) um certo ascendente sobre outros povos. Um povo ao mesmo tempo pequeno e gigantesco, eternamente suicida.

Apesar disso, nem tudo é um chorrilho de baboseiras. Encontram-se passagens belíssimas, e ideias interessantes:
Uma verdade, quando aparece no mundo, é por intermédio do poeta. E eis a recompensa de todas as suas dores e trabalhos: conhecer a Verdade na sua infância, nos seus floridos anos de Idealismo ou... de Mentira.

(...) na Poesia aparece a alma de um Povo, no que ela tem de mais profundo e misterioso.
Se para mais nada serve, servirá para por em evidência o quanto o Portugal de hoje difere desse Portugal saudosista de Pascoaes. E, talvez, refletindo sobre essa imagem passada de um país moribundo, possamos então ser libertos das amarras do Passado em direção a um novo Futuro.





* Digo "o que poderia ser" porque, como disse Miguel Esteves Cardoso, português como o que Pascoes descreve não existia nem nunca existiu; quem leia, por exemplo, Os Pescadores de Raul Brandão, publicado oito anos depois deste livro, dificilmente verá nos relatos do povo português que Brandão vai compilando o "espírito messiânico" ou a "vaidade susceptível" de Pascoaes. Muito menos se verá uma "vil tristeza" no português atual.
** Este defeito é uma forma de vaidade susceptível que se alimenta da sua quimera dolorosa. Quem duvida do próprio valor não pode suportar a dúvida alheia que lhe diz, em voz alta e clara, o que ele mal se atreve a murmurar. Mas a intolerância tem outra origem mais positiva; é ainda um processo de defendermos os nossos interesses.
*** A vil tristeza apagou-nos o carácter, o dom de ser. Somos fantasmas querendo iludir a sua oca e triste condição. Por isso, o valor alheio nos tortura, revelando, com mais clareza, a nossa própria nulidade.
**** O génio lusíada é mais emotivo que intelectual. Afirma e não discute.
Profile Image for Pedro Martins.
27 reviews
January 10, 2013
Pretensioso quanto baste, repetitivo, infundado, inútil. Os devaneios de Pascoais não são mais do que uma tentativa de quimera. O problema nacional nunca se baseou na ausência do idealismo português que o autor tenta impingir, antes na condição do povo, da sua elucidação e da reacção. Ou falta dela.

O livro começa estrondosamente bem, fundando e estabelecendo os princípios da ideologia Salazarista (mesmo que na altura não o soubesse), apelando, lá está, à força dos homens, à união e fortalecimento da pátria, às virtudes de um povo que só de esforço necessita para apagar de vez os resquícios de mediocridade e anomia. "É preciso fortalecer e animar a alma dos portugueses, para que a Pátria, que deles depende, ganhe novas energias e virtudes. Sem acção moral pode haver existência, mas não há vida. E a própria acção material, não sendo espiritualmente orientada, esteriliza-se."

Este e Pessoa borraram a pintura. Num simples mas obstinado argumento: o do vigor da alma portuguesa partir do Sebastianismo, Messianismo, Saudosismo ou o que seja. Tentam fundar a ideologia portuguesa e oitocentos anos de história, dos quais quatrocentos foram passados no facilitismo do acreditar em melhorias epifânicas, no próprio mal da nação.

Há que cortar de vez com essa mania, a mania que Pessoa e Pascoais, como bons parasitas que eram, cultivaram como passatempo humorístico. Dediquem-se aos poemazitos.
Profile Image for Tiago Dinis.
7 reviews
May 1, 2014
Por um lado, alguns conceitos definem bem a Literatura Portuguesa. Por outro lado, algumas definições que mais tarde foram utilizadas pelo Estado Novo, e a utilização de termos como "Raça", "ariano" e "semita" que hoje em dia têm uma conotação péssima dificultam a leitura imparcial. Só me incomoda o excesso de religiosidade, fora isso, um ensaio interessante com boas sugestões de leituras posteriores.
Profile Image for Joao F.
9 reviews2 followers
April 4, 2011
A introducao de Miguel Esteves Cardoso é brilhante. Este livro, de Teixeira de Pascoais, fala sobre um Portugal e um "portugues" que nunca existiu. Este olhar de Pascoais é, por isso mesmo, transformador e inquietante.
32 reviews3 followers
February 15, 2016
Is this a "doomed" book? I don't think so, but it certainly needs to be read under the light of the present. The world changed dramatically since 1915.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Diogo Jesus.
254 reviews3 followers
October 15, 2020
As Miguel Cardoso says Teixeira de Pascoaes depicts an own creation of what he intends to be the portuguese people. Well written nevertheless gibberish. The only part I could enjoy was the one about the virtues and vices of this people.
A very quick read (one morning)
Profile Image for Luís de Santa Maria.
49 reviews16 followers
September 22, 2021
Necessita ser expurgado dos seus inúmeros erros, inclusive históricos, para que se aproveite a análise feita ao carácter dos Portugueses.
Displaying 1 - 7 of 7 reviews

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