Finalmente acabei isso.
Realmente não consegui desenvolver uma alegria com esse livro.
Queria ter o interesse pra apreciar as Bucólicas e as Geórgicas mas não entendo o suficiente de poesia e de latim pra desfrutar dessas duas primeiras e, sinceramente, pouco me interessa a uma descrição em estrutura poética da vida do campo na Roma antiga e muito menos sobre as figuras que são referências e os textos dedicados.
Isso então leva direto pra Eneida que previamente tinha esperança de ser animadora e de uma leitura, mesmo que difícil, proveitosa. Estava enganado, diferente dos textos anteriores esse possui uma história atrativa, um mito de fundação, mas é irritante como isso se perde em meio a tantas descrições prolongadas de situações que estão a parte do acontecimento principal.
A leitura já tem sua dificuldade na tradução em que li, de Odorico Mendes ou seja do século XIX, o que me fez questionar inicialmente se este não seria o problema central mas então recordei que li as Aegonauticas em tradução de mesma época e apesar desse problema a centralidade da história foi passada, então me toquei que realmente o problema estava na quantidade de desvios.
Esse é o estilo de Virgílio, bem mais poético do que narrativo se comparado com Homero, mas aqui ele coloca seu estilo em uma contrução homerica e pra mim não funcionou.
Infelizmente ao final parece só mais uma das obras romanas que visava imitar os gregos mas que entrega um resultado inferior e introduzindo fins políticos de sua época na narrativa.
Virgílio traz elementos da jornada da Odisseia, tendo até eventos paralelos como a ida ao Hades (única parte que realmente aproveitei), de uma grande batalha como a Ilíada ao final, o problema é que Enéias acaba não sendo tão atrativo como personagem se comparado a Aquiles e Odisseu, que tinham suas múltiplas facetas e causam admiração ou rejeição do leitos pelas suas personalidades. Mesmo se comparar com Heitor, que é a figura que Enéias mais se aproxima, pela sua postura de líder e protetor, a motivação de Heitor de proteger sua cidade torna crível seus atos, diferentes de apenas a busca por ser o pilar de uma cidade que será grande no futuro o qual Enéias pouco poderia se ligar em seu momento.
Aliás, versos e versos sobre a gloriosa Roma do futuro que chegaria ao ápice em Augusto foi a parte que fez-me questionar o que e porque eu estava lendo.
No final, o momento do funeral do livro XI e a batalha final ao qual se reúnem os povos que formariam a península itálica é boa, admito, mas após tantos livros já estava desgastado e não consegui tirar proveito e ainda assim pontuo, é momento de total inspiração na Ilíada mas que apenas parece uma versão inferior em termos de histórias, os personagens envolvidos, além de Enéias, pouco me geraram algum interesse diferentes de alguns dos secundários em meio a Ilíada.
Talvez um dia uma releitura possa me fazer mudar de opinião sobre a qualidade geral, uma outra tradução possa ajudar, mas o que creio que dificilmente mudará é o pensar que, como já observei em outra obras, a literatura romana é como a grega, só que pior em narrativa.