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L'Empire du bien (Tempus)

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Le maître-pamphlet contre la pensée unique. " Depuis L'empire du bien , le Bien a empiré. " nous dit Philippe Muray dans sa préface. Depuis la "fin de l'histoire", l'emprise de la bien-pensance et de l'altruisme ne cesse de grandir (et que dire d'aujourd'hui, vingt ans plus tard !) : nous vivons à l'ère des conformismes, des fausses idoles médiatiques et du vide universel au nom d'un humanisme privé d'humanités... La dictature du prêt à penser et de la bienveillance, rançon de l'inculture, empoisonne nos vies de joyeusetés factices dans laquelle l'homme contemporain se perd. C'est contre ce paradoxe permanent que l'auteur nous invite avec humour à conjurer la pensée unique et la lobotomisation des esprits. Et à célébrer la liberté de penser, et donc de critiquer, avec un humour flamboyant et ravageur.

140 pages, Pocket Book

First published January 1, 1991

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About the author

Philippe Muray

38 books20 followers
Philippe Muray (1945 in Angers, France – March 2, 2006 in Paris) was a French essayist and novelist. None of his works have yet been translated into English. In 2002, Daniel Lindenberg included him in his list of "new reactionaries", along with Michel Houellebecq, Maurice Dantec, Alain Badiou, Alain Finkielkraut and others. In 2010, the French actor Fabrice Luchini read some of Muray's works at the Théâtre de l'Atelier in Paris, which contributed to a renewed discussion of his writings in the French press.

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Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Louise.
449 reviews50 followers
June 8, 2025
C'est donc ça vieillir, lire un antimoderne (qu'on pourrait aussi qualifier de réactionnaire si on voulait être incisif) et être d'accord avec lui ? Peu à peu ma nature cynique et désabusée s'affirme, et donc Philippe Muray est tombé dans mes mains au bon moment.
C'est assez incroyable de réaliser l'acuité de Muray sur notre époque décadente. Ce qu'il conscientise au début des années 90 dans une langue pleine de verve, bien avant la déferlante d'Internet, le raz de marée des réseaux sociaux et l'hyper-chambre d'écho perpétuelle de notre société. Il expose sa thèse, parfois avec un décalage appuyé par rapport à notre époque (avec des exemples qui tournent autour de la Télévision, de la Fête de la Musique et de la Chute du Mur), et pourtant, ça fait mouche. Sans prédire les futurs excipients, il met le doigt sur tous les symptômes : trente ans plus tard, le constat a à peine pris une ride. Il a même été sur confirmé.
C'est souvent une hyperbole littéraire plus qu'une analyse sociologique ou politique précise, donc on peut s'y perdre, se sentir dérouté ou agacé par tous les effets de manche. Mais il y a un pan de notre époque que Philippe Muray a excellemment percé à jour. Je ne pense pas que ce pan (Bien totalitaire, Fête, Consensus, etc) explique toute notre époque, mais il éclaire de façon ultra pertinente une partie de la réalité.
J'ai l'impression que j'ai toujours eu au fond de moi la révolte des faux semblants et des hypocrisie d'un monde que je trouve aberrant, un vide de sens et un désenchantement face à tout ce qui est asséné/seriné sans réflexion. Forcément, lire Muray fait office d'immense appel d'air, comme si je pouvais observer les choses artificielles plutôt que leurs ombres (oui un spécialiste de Platon s'arracherait probablement les cheveux en lisant cette comparaison mais c'est ma critique nah).
Par contre, en refermant ce livre, je cerne bien ce qu'il pense de l'époque, de quoi il se moque et contre quoi il se bat, mais ça ne me dit pas précisément en quoi il croit. C'est quoi ses valeurs, vers quoi il se dirige et veut-il que l'humanité se dirige. Comment le monde et l'homme pourraient inverser cette tendance, si c'est possible. Et du coup, c'est assez frustrant. Il écrit un pamphlet habilement mis en mot et visionnaire dans la dénonciation, mais parfois l'effort poussé sur le style rend parfois confus le fond. Le constat est radical, mais quelle en est la solution ou la thèse de sortie ? No sé, alors je plonge un étage plus bas dans le dégoût et l'abattement !
Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews45 followers
July 29, 2024
PROTESTO CIRCULAR E IMOBILISTA

O populoso reino dos conceitos costuma ser empobrecido pelo espantalho, pela ignorância e pela imprecisão maliciosa, mas é preciso diferenciar: reacionários são diferentes de conservadores, que são diferentes de imobilistas. Apesar dos que se autointitulam conservadores serem também responsáveis pela confusão generalizada sobre o que o conservadorismo significa — ao exaltar filas de reacionários, é justo que um dito “conservador” seja visto no mínimo com suspeita e no máximo como um impostor —, os conceitos ainda são o que são. O escritor francês Philippe Muray, por exemplo, a julgar por este panfleto O império do bem: a ditadura do politicamente correto, é um imobilista. E um cínico.

Embora curto — 126 páginas —, O império do bem, lançado em 1991, é penoso de ler. Muray pragueja do início ao fim, lamenta que a sociedade não tenha estacionado na sua juventude, deprecia todo ativista de causas sociais e animais como motivado pelo business. Não é um livro intelectualmente honesto: é um senhor sofrendo de birra adolescente e ainda revelando seu fundo sociopático. Não apresenta soluções; só consegue nadar numa superfície crítica que facilita o uso de adjetivos, tiradas irônicas e pontos de exclamação; não concede, a menos que esteja fazendo um rabugento pedágio e sinalizando um tipo de “olha aí, tome o seu pedágio”.

As boas passagens são poucas. Nelas estão algumas expressões rijas e criativas — infelizmente mal trabalhadas por alguém que está chorando e rangendo dentes —, tais como: “Nero da ditadura do altruísmo”; “desejo pelo penal” e “patologia do penal” (pra designar a febre de tentar resolver todos os problemas sociais por meio de nova legislação criminal); “dilúvio de bondade”; “caridade de vitrine de butique”; “telefátua” (pra tratar do que hoje chamamos de cancelamento midiático, conforme nota do tradutor).

Antes dos exemplares que não prestam, segue a maior parte do pouco que se salva:

A transgressão e a rebelião se tornaram rotinas, o não conformismo é assalariado, os anarquismos são podres de ricos.

*

Os certificados de bom-mocismo são como as meias, a moda agora é andar mostrando. Até os racistas, hoje, se vendem como antirracistas, iguais a todo mundo. Ficam o tempo todo jogando nos outros as suas obsessões nojentas […]

*

Esse princípio de antecipação alcança até os plagiários profissionais, os quais mal podem esperar que um livro seja lançado para que o espremam até a última gota, lançando uma versão requentada.

*

[o livro é de 1991, mas este trecho cabe sem sobras ou apertos na militância racial e feminista que, muito tempo depois de negros e mulheres terem alcançado plenos direitos, age como se estivesse lutando bravamente por essas minorias em 1850]
É sempre divertido ver os trejeitos e meneios de quem finge ter devotado a própria vida à filantropia magnânima. Deve ser bastante agradável só entrar em campo com partida ganha, batalhas já vencidas antes de se iniciar. É tranquilizador retornar a questões já resolvidas.

*

É a lei implacável da máquina, a rotação das coleções. O efêmero é rei. Os bons sentimentos seguem os caprichos das modas. Como todo o resto, são “roupa”, como tudo o mais.

*

E o consenso, ao fim e ao cabo, não é nada mais do que outro nome para “servidão”. Ele muda de acordo com as épocas, já se chamou patriotismo, igreja, sacralização da família, da ordem, da propriedade. Cada século traz uma decoração. Protege com seus arames farpados, se enfeza contra os ofensores.

*

“Farisaísmo”, diríamos em dias um pouco mais cultos… O que era um “fariseu”? Alguém que estava convencido de estar ele mesmo em estado de graça, logo justificado para intervir na vida alheia com ferro e fogo. As mídias deram ao farisaísmo um rejuvenescimento providencial.

*

“Nunca se viu um egoísmo tão às claras, mas o bem público, a liberdade, a própria virtude estavam em todas as bocas”, constatava Madame de Ménerville na atmosfera de 1789.

*

Verde paraíso do ano 2000 em que os anunciantes serão também os censores!

*

[…] aqui estamos em nossa época, às portas do ano 2000… sim, a Mulher está tendo alguma dificuldade de se tornar, ao menos aqui na França, esse Totem incriticável, intocável, nunca ironizável que o feminismo nunca perde a vontade de um dia erigir.

*

Cito os escritores porque somente eles souberam ver, souberam dizer, que são sempre os piores crápulas que fazem procissão com o coração na mão.

*

Também Don Juan descobre, como grande artista que é, a arma absoluta de certa lógica invertida, mas eficaz, segundo a qual, para cometer os crimes em paz, é preciso que eles sejam legalizados pela ostentação de seu contrário virtuoso.

*

Os homens do espetáculo se entregam sem parar a uma gigantesca empreitada de idealização alucinada. As mulheres feias serão mais desejadas que as belas, porque eles estão dizendo isso para você, então é verdade… Um empresário riquíssimo e branco vai se apaixonar perdidamente por uma diarista negra e pobre… As lágrimas, o amor, a paixão, a generosidade, as efusões sentimentais nos anunciam uma idade de ouro iminente. Mas essas fábulas caritativas não têm nada a ver com a vida real, não é? De fato. Mas e daí? O que vale é a intenção; a intenção vale pela ação, chega até a superá-la grandemente. É preciso saber acariciar o coração das populações. […] Eu já disse para vocês, a intenção! A mina de ouro do Sentimento!

*

Todos os dias, gente que nunca toleraria que se fumasse em suas narinas empurra suas preferências [musicais] em nossos ouvidos.

*

Em Cordicópolis, a literatura só é tolerada como espécie em extinção. Os animadores culturais a quem damos prêmios por sua “ação em favor do livro” são as madres Teresas da grande Calcutá do livro impresso. Quase nada mais pode chegar ao público que não seja meloso, poético, miserabilista, sofredor. Somente as chagas em carne viva ainda triunfam. É preciso ao menos ser agonizante, ter sido soterrado por bombas, ter passado dez anos em uma prisão na Malásia, para ter a chance de ser percebido.


Se antes d’eu ler O império do bem alguém me mostrasse só os excertos acima, ¿o que viria à minha cabeça? Parece ótimo, vou comprar. Mas a seleção aí não é nem 15% do livro, que tem muito mais exagero, ¡gritaria!, não-faço-e-critico-quem-faz e comparações esdrúxulas deste jaez:

Ah, mas como o sistema faz as coisas bem-feitas! Tem para todos os gostos. O Bem, todinho, contra todo o Mal. Sim! Eis a epopeia! Tudo o que tem razão completa contra o que sempre foi errado. A Nova Bondade está de vento em popa contra o sexismo, o racismo, contra as discriminações de todas as formas, contra os maus-tratos aos animais, contra o tráfico de peles e de marfim, contra os responsáveis pela chuva ácida, a xenofobia, a poluição, o massacre das paisagens, o tabagismo, a Antártida, os perigos do colesterol, a AIDS, o câncer e por aí vai. Contra todos os que ameaçam a pátria, o futuro da empresa, a vontade de vencer, a família, a democracia.


É tresloucado e soa como um discurso feito por um bêbado que não gosta de nada — e dando reprimendas com as mãos na cintura. Dois parágrafos depois, aparece o pedágio cheio de frescura de Muray (que noutro momento reaparecerá em momices similares):

Isso dito, não entendam aquilo que eu jamais escreveria. A fórmula mágica de hoje, se quisermos a paz, consiste em declarar, logo de cara, que não temos nada contra ninguém, especialmente contra aqueles que estamos atacando. É a palavra mágica e indispensável: “Esta é uma obra de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade.” Então vou dizem bem alto: é óbvio que sou A FAVOR, totalmente A FAVOR de todas as causas justas; e CONTRA, totalmente CONTRA aquelas injustas. Pronto! Paguei o pedágio está dito. Não venham me encher o saco, está bem claro. Sou a favor de tudo que pode vir de bom e contra tudo que existe de mau. Pela transparência, contra a opacidade. Pela verdade, contra o erro. Pela autenticidade, contra a mentira. Pela realidade, contra as ilusões. Pela moral, contra a imoralidade. A favor de que todos possam comer quando sentem fome, para que não haja mais excluídos de nenhuma forma sobre a terra, pelo triunfo da dietética.
Não me venham presumindo coisas.


Merece uma expressão apática e meio beiçuda, à moda Gilmar Mendes.

Adiante:

O imprevisível não chegará, nem que a vaca tussa. O espontâneo chega no vazio. Todos os cigarros são mild, cerveja, sem álcool, e churrascaria, light.


Esses resmungos contra um estilo de vida mais saudável — ou contra qualquer ativismo pelo estilo de vida saudável — são constantes no livro. Philippe Muray, imobilista, quer um mundo parado nos seus vinte ou trinta anos e sem causas voltadas à saúde. ¿Com que argumentos se opõe a elas? Nenhuns: é pura bufada, caçoada e poltrona.

Há passagens que valem alguma ponderação, como esta:

Fui ingênuo por muito tempo. Eu achava que as boas causas eram autoevidentes. Que tudo aquilo que era interessante discutir começava exatamente onde terminava o que era autoevidente. Eu estava errado, é claro. Não é porque estamos de acordo que todos condenamos a morte, o câncer, o apartheid, as queimadas ilegais, não é porque preferimos a tolerância, o cosmopolitismo, as trocas entre povos e culturas, sofremos todos pela Etiópia, pelos novos pobres, pelos famélicos do Sahel, que essas sejam razões para não dizermos isso mil vezes por dia.


Mas nem tudo é autoevidente, e mesmo as questões autoevidentes precisam de mobilização pra que sejam consertadas ou tenham seus maus efeitos diminuídos. Consciência sem ação de nada vale.

E Muray pode ser um pouco justificado ao reclamar do que é apregoado “mil vezes por dia”, mas escrevendo do futuro posso dizer que ele não imaginava em que tranquilidade ainda descansava nos anos 90: pois em 2024 um coletivo doente sente urgência de se declarar, a todo momento, antirracista e antimachista. Digo, antimisoginia, porque “machismo” não é uma catalogação drástica o suficiente e foi substituída pela extremista acusação de “misoginia” — usada até pra falta de cavalheirismo na praça pública. E é isso: na imprensa, no serviço público, na propaganda e na internet há essa repetitiva sinalização de progresso pra causas geralmente autoevidentes: os problemas do racismo e do machismo.

Noutro capítulo, num estilo que parece carregado de uísque, Muray lamenta o que deveria exaltar, o andrógino — que nos anos 20 do século 21 foi infelizmente substituído por ditos não binários, uma versão ruim, vaidosa e linguisticamente autoritária dos que misturam gêneros:

A transsexualidade de massa cessou de ser uma utopia para se tornar nossa realidade de substituição. “Eu adoro”, disse uma jovem “intelectuala” [no original, “écrivaine”, conforme nota do tradutor] em um arroubo pleno de poesia consoladora, “ver as fronteiras do sexo transgredidas pelo ser andrógino que se recusa a ser mutilado”… uhuu! Que beleza de suspiro! De um lado “fronteiras”, “mutilado”, noções antipáticas; do outro “transgressão”, um conceito tanto melhor quanto mais hoje se tornou inofensivo. O ponto culminante, a celebração do “ser andrógino”, herói ideal, o justo, da nova intelligentsia, dos bem-pensantes.


Apelos drásticos a Hitler em contextos inapropriados talvez mobilizem os aplausos da molecada, mas é ridículo um adulto escrever pruma plateia exultante com a ideia de que “a disneyficação é uma hitlerização quase sem violência”:

Da hitlerização do planeta a sua disneyficação contemporânea, apenas a violência foi extirpada. E ainda assim, não de toda parte.


¿Programas televisivos abordando o problema dos acidentes domésticos? Muray se descabela:

Uma noite liguei a televisão em um programa sobre “acidentes domésticos”… não? Sim! Mas não vão fazer um debate com isso? Claro! Com certeza! Aí está! Seríssimo! É proibido rolar! Seu apartamento está fervilhando de perigos, não confie nas aparências! No fim das contas, Saint-Juste não estava errado: “Viver frouxo e entocado é uma ideia nova na Europa.” Atenção, o terror escorre pelos cantos das paredes. Seus querubins vão se queimar na cozinha se ela não estiver dentro das normas europeias! Vão se envenenar com o detergente! Água fervente vai cair sobre eles! Vão fechar as portas sobre os dedos. Sua sala é Beirute! É Stalingrado nos piores momentos!


O desproporcional em dois segundos se torna também patético. Aí está uma aula de como não fazer protestos textuais. Mais:

Um dia desses, saindo de casa, descendo as escadas do metrô, vejo a enorme manchete de um jornal: “Às 20:00, a França vai parar”. Ah, bom, tá certo, tudo bem, eles devem saber o que fazem… mas fiquei em dúvida e me aproximei do quiosque, porque nunca se sabe, talvez houvesse uma greve geral, talvez eu ficasse preso sem poder voltar. Chego perto, leio. Descubro que se trata de não sei qual partida de futebol que todos os franceses estavam intimados a experimentar juntos diante da televisão! “A França vai parar!” Todo mundo? Sério? A França inteira? Tem certeza?


Não é nenhuma novidade que um cara adepto de inúmeras hipérboles descabidas de repente se sinta ¡chocado! quando se depara com os óbvios fins dum exagero — “A França vai parar” — sobre um assunto de que não gosta. Seria tolerável idiossincrasia o desgosto de Muray diante da “coação” que uma partida de futebol vinha causando sobre o leitor de jornais francês, mas dada toda a sua desequilibrada rabugice neste O império do bem, o episódio fica apenas como mais uma bobagem inflada em fúria pros companheiros de boteco apreciarem.

Só mais um pouco dessa espuma raivosa e cansativa:

“A França está muito atrasada em relação à Alemanha para a inclusão de pessoas com deficiência na vida profissional…” A gente escuta essas coisas todo dia da boca dos cordicocratas. […] Um dia desses vi uma jornalista inconsolável dizendo que a França estava atrasada em relação à Holanda na questão da “imagem dos homossexuais nas mídias” […] Pois pronto! […] Nas mídias, logo, no mundo, porque só existe esse também! No mundo, logo, nas mídias. A crença geral é a de que só as imagens são capazes de nos conferir uma aparência de ser, a vida dos homossexuais é ruim porque o seu lugar nas imagens não é o suficiente.


Fiquei cansada ao ler o livro e fiquei cansada ao fazer a resenha. E algum curioso deveria contar quantos pontos de exclamação tem neste surto que é O império do bem.

Por último, a tradução: acredito que o significado é soberano na maioria dos textos prestes a serem traduzidos. Então discordo da opção do tradutor Wiliam Alves Biserra de trocar Boulogne-Bilancourt — “lugar famoso na produção televisiva francesa” — por Projac; e discordo da troca de “Todas as cabeças são terras do Colcoz” — “fazendas coletivas da União Soviética” — por “Todas as cabeças são terras do MST”. Ainda que em algumas “atualizações” e em alguns deslocamentos o tradutor indique o original em notas de rodapé — nem sempre faz isso, todavia, como quando aparece um “Peppa Pig” onde havia a menção ao desenho Babar no texto francês —, o que ele pensa ser equivalente pode não estar com consonância com a vontade do autor.

Na página 114, Biserra põe no texto um tal de “satanismo vegano de meia tigela” que não se encontra no original. No trecho original, que consegui no Archive.org, está: “satanismes de banlieue”, que o dicionário Michaelis diz significar satanismos de “subúrbio”, de “periferia”. Achei que Muray poderia ter críticas a vegetarianos — seria inusitado um texto criticando veganos em 1991 —, mas nem isso. O tradutor pôs o “vegano” ali porque sim. ¿Em que outros momentos o seu capricho se sobrepôs ao sentido do texto original?

Philippe Muray morreu aos 60 anos de câncer de pulmão — algo previsível, pois quando buscamos suas fotos na internet ele está quase sempre com sua extensão, um cigarro.
Profile Image for Ion.
Author 7 books58 followers
March 3, 2024
Titlul spune tot, eseul e mai mult un pamflet, pamfletul pare scris de Céline, sarcasmul e rege. Mă cutremur de plăcere gândindu-mă cum ar fi sunat Imperiul desăvârșit de pandemie.
63 reviews2 followers
Read
June 5, 2022
Vaak van een louterend pessimisme, soms irritant.
Profile Image for Antonio Gallo.
Author 6 books59 followers
September 11, 2017
"Questo è il Bene, è la vecchiaia del mondo, la terza età sempiterna del nostro pianeta. Il tramonto del maligno è la grande incognita del nostro tempo. Cosa si nasconde sotto questo strato di vernice, sotto il cerone, sotto questa coltre di candida purezza, dietro le litoti zuccherose, sotto questa glassa di innocenza sciroppata? Sotto questa lisciva senza fosfati? La risposta non è immediata.
Nell'assenso generale il Bene prende il posto del Male, certo, ma solo a patto che si continui a dire e ridire che mai il Male è stato tanto minaccioso, spaventoso, paralizzante; e che tutto ciò sia filmato, provato, documentato, repertoriato, in diretta, in differita. Credere nell'esistenza del Male è la condizione di sopravvivenza della società stessa e delle sue infinite performance filantropiche. La Beneficenza è un modo di dire, la Carità un effetto di stile. Non dovete fare altro che crederci, essere toccati dalla fede che salverà lo Spettacolo (il rinvio al concetto di Guy Debord mi sembra, al momento, irrinunciabile), e soprattutto urlarlo, ripeterlo, dire sempre di più e più forte che anche voi adorate quello che deve essere adorato, che condannate fermamente tutto quello che deve essere condannato, il razzismo sempre, il localismo, il localismo terrorista, gli integralismi islamici, tutti i populismi, tutti i qualunquismi, il traffico d'avorio e di pelliccia, l'ambaradan della Parigi-Dakar, la rinascita dei nazionalismi nei paesi dell'ex Blocco sovietico. Dilige et quod vis fac, diceva Sant'Agostino. Ama e fa' quello che vuoi. Oggi sarebbe piuttosto: Di' che ami e fa' tutti i soldi che vuoi.

****

La mia ingenuità è durata a lungo. Pensavo che le Cause Buone e Giuste fossero ovvie, naturali, lampanti; e che le cose interessanti da dire iniziassero proprio laddove il buon senso viene meno. Mi sbagliavo. Non basta essere contro la morte, l'apartheid, il cancro, gli incendi boschivi; non basta volere la tolleranza, il cosmopolitismo, le feste dei popoli e il dialogo tra le culture; non basta condividere le sofferenze degli etiopi, dei nuovi poveri, degli affamati del Sahel. No, non è sufficiente. La cosa fondamentale è dirlo e ridirlo, ripeterlo mille volte al giorno. Certo, bisogna anche trovare il modo di dirlo. Perché essere un vero benedicente non basta, quello che conta è l'atteggiamento, l'impressione, l'allure: ogni sacrosanto momento è buono per scoprire l'Eldorado delle buone azioni. Pensare giusto è un sapere a sé stante, una competenza; pensare giusto è pensare bene ma con quel tanto di aggressività da far credere all'ascoltatore, al lettore o allo spettatore, che tu sei li, audace, solo, coraggiosamente e impareggiabilmente solo, contro nemici terribili.

Fanno sempre molto ridere i pugni e i muscoli in mostra di chi fa finta di aver consacrato la propria vita alla Beneficenza. Facile, no?, arbitrare partite già giocate; niente male, eh?, conoscere in partenza il vincitore della battaglia; confortanti, i conti già regolati. Coordinare ricerche di morti è, a modo suo, una sinecura. In un mondo sempre più complesso, inestricabile, perso nelle proprie mistificazioni, ci aggrappiamo al tempo passato, quando esistevano ancora il Bene e il Male. Bianco sulle macchie più difficili, nero per scuri perfetti. Luce bianca purissima. Notte.

Non crediate di trovare grandi sorprese nel pattume della Storia. La telefatwa di qualche anno fa contro Heidegger ha mostrato una serie di cose interessanti. SCOOP! HEIDEGGER ERA NAZISTA. Il massimo onore consisteva allora nel portare a riva una carcassa di tedesco purosangue già divorato dai mille squali del tempo che scorre. Rivelare un bel segreto filosofico di Pulcinella: un atto di puro eroismo, un'impresa epica. Come la paura che abbiamo noi qui, a casa, al calduccio, la paura di Saddam, di Ceausescu, di Pol Pot e di gentaglia del genere. Ai distillatori del ben pensare testato e garantito servono cattivi della stessa stoffa delle loro virtù da strapazzo. Il peggior criminale può diventare una fiction per i nostri schermi perché il terrorismo del Bene - inseparabile dalla civiltà di massa (la lingua della massa è binaria: sì-no, buono-cattivo, bianco-nero) - per vivere ha bisogno di nemici semplici, su misura, di orrori spaventosi in provetta, ben impacchettati. Ed è grazie a loro che il Bene potrà estendere il suo dominio di indiscutibile esemplarità.

L'hitlerizzazione dell'avversario è un riflesso incondizionato. Negli ultimi tempi, Khomeini, Breznev, Gheddafi, Jaruzelski, per fare qualche nome a caso, sono stati eletti Hitler dell'anno a maggioranza assoluta, con il pericolo vero, poi, di eliminare la specificità decisiva dell'abominio hitleriano. Si fa tutto un gran parlare dell'esercito iracheno (addirittura «il quarto al mondo»), come della Securitate rumena. Ci devono iniettare senza soluzione di continuità la fede nella realtà reale della neorealtà. Viviamo in un'atmosfera di religiosità furiosa. E non sto parlando della buona vecchia religione di una volta, perché l'ateismo avanza, lo vediamo tutti, l'indifferenza si diffonde, le grandi fedi di un tempo (quelle sì che erano veramente folli e, in quanto tali, potevano giustificare la follia religiosa) sono sostanzialmente sparite. La nostra religione è ancora più delirante: la vera fede, oggi, è credere nello Spettacolo.

***

Ah! Le opere dei Misericordiosi! Oggi sono i cantanti, gli attori, gli sportivi, i creativi della pubblicità, sono loro, lo sappiamo, i veri modelli del nuovo esercizio di apologetica spettacolare. Vi sbattono in faccia il loro entusiasmo senza colpo ferire, con così tanto trasporto, si lanciano con così tanto fervore contro la droga, contro la miopatia congenita, contro le alluvioni, contro la fame nel mondo, per i diritti dell'uomo, per salvaguardare l'esistenza dei curdi, e con toni cosi convincenti, partecipi, commossi, che anche voi avete la sensazione, nel vederli scagliare le loro frecce coraggiose in pertugi tanto inesplorati, anche voi credete, per un attimo, che quelle Cause le abbiano scoperte loro. Che spettacolo palpitante! Management degli affetti speciali! Predatori del Bene perduto! Telefono azzurro dei Perseguitati!

***

Ma la vera goduria è quando tutti insieme i campioni delle Cause Buone e Giuste calcano le scene, quando si riuniscono per discutere, per dibattere sulle loro convergenze, quando cercano sfumature, varianti, quando in una disgustosa complicità si spalleggiano e si inventano conflitti che non esistono. Guardateli, ascoltateli, sono arrivati, ci sono tutti, tutti la stessa famiglia, le nostre Dame della criminalità misericordiosa. Perché fare i nomi? Perché citare le trasmissioni? I programmi? È il quadro d'insieme che è maestoso: una Charity connection di pura classe. Se le volessero davvero fare, le distinzioni, cambierebbero il ritornello. Sbaglio o nel Sud Italia ogni anno nelle rappresentazioni della Passione, il Cristo è interpretato proprio da certi mafiosi arcinoti? Cos'altro si fa, oggi, sui set di fine secolo? Non c'è mafia senza famiglia, né senza idealizzazione della famiglia (il pericolo è dietro l'angolo, i traditori si moltiplicano, solo la famiglia non mente), e il ritorno alla famiglia di cui giornalisti di tutte le specie si riempiono la bocca non è altro che un sintomo del trionfo, in tutti i campi possibili e immaginabili, della quintessenza dello spirito mafioso, con i suoi tratti più tipici (protezione, clientelismo rabbioso, culto grottesco dell'«onore», vendetta delle offese subite, omertà). La Banca Mondiale dei diritti dell'uomo è il ponderoso organismo di riciclaggio dei loro capitali. Una dichiarazione filantropica, una sola, e vi saranno spalancate le porte di sconfinati paradisi fiscali, mille volte più inespugnabili di Panama o delle Isole Cayman.

Bisogna comunque riconoscere che sono maestri nell'arte della contestazione, della controversia fasulla, dell'antagonismo duro e puro di bimbi più sani e più puliti. Stalkeraggio emotivo che nessuna legge potrà punire! Eh sì, il Bene ha invaso tutto; un Bene un po' speciale però, elemento che complica ulteriormente le cose. Una pagliacciata di Virtù, o meglio, più esattamente: quello che resta di una Virtù non più pungolata dalla furia del Vizio. Un Bene riscaldato. Un revival del Bene che sta all'«Essere Infinitamente Buono» della teologia un po' come un quartiere «riqualificato» sta ai rioni di una volta, costruiti lentamente, assemblati con pazienza, in base al tempo e al caso; o come quelle porcate di «aree verdi» stanno al buon vecchio verde normale, di alberi cresciuti alla bell'e meglio senza chiedere niente a nessuno; o ancora, se preferite, come uno scaffale di bestseller sta alla storia della letteratura. Un Bene riscaldato, una nostalgia di Bene, perché il Bene reale è impossibile. Ci rimane come una specie di premio di consolazione. Un Bene di consolazione, ecco. Tali barbarie non potevano più continuare! Era ora che finissero gli orrori! Ora basta, si dorme! A letto! Tubini e tubetti, chimica, orari di visita, tivù in camera. Ciak si cura! Il medico non ride più del prete, ormai si sono fatti carico, insieme, mano nella mano, del nostro avvenire. Anestesia all'uopo. Cura del sonno. Calmanti. Tutti a nanna."

(Estratto da: L'Impero del Bene)
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Michael.
90 reviews4 followers
August 1, 2020
Ecrit en 1991, cet essai-pamphlet est une critique acerbe de la déliquescence de la culture occidentale rédigée dans le style caustique si familier de Philippe Murray. Un livre fondateur dans l'univers de l'auteur, dans lequel transparaissent déjà à l'époque certains thèmes qu'il reprendra ensuite notamment dans "Festivus Festivus".
9 reviews
February 1, 2024
Escrito en forma de panfleto, es interesante leerlo. Ataca la corrección política, la mojigatería feminista, el relativismo cultural, el globalismo y el buenismo vital de Occidente. No comparto algunos de sus puntos de vista pero, al estar escrito en 1995, anticipa algunas cosas. Es un libro que reivindica la nueva derecha.
Profile Image for Hiéroglyphe.
226 reviews1 follower
Read
May 21, 2020
Une mise à jour de La société du spectacle.

« Ce viol protégé et moralisé qu’on appelle Fête de la Musique. »
Profile Image for Insurrecto.
157 reviews2 followers
June 28, 2023
Espectacular profecía de lo que ahora está ocurriendo. Prevé la cultura de la cancelación.
Displaying 1 - 12 of 12 reviews