Muitas vezes, a inteligência é percebida apenas como uma manifestação de "orgulho intelectual", sem nos darmos conta de que se trata de uma contradição de termos. Pois a verdadeira inteligência caracteriza-se pela capacidade de ver as coisas como elas realmente são, portanto pela objetividade, o que exclui o orgulho. Sem dúvida, as religiões, em suas formulações convencionais, privilegiam uma fé sentimental - que é o que pode ser mais imediatamente captado e realizado pela generalidade dos homens -, mas a fé plena exige o discernimento, sem o qual poder-se-ia ter fé em seja lá o que for. A verdade - objeto e meta da inteligência - delimita, por assim dizer, as fronteiras da fé.
Nos dias de hoje, com a convivência "forçada" pela globalização, cada vez mais intensa de culturas e civilizações distintas, a compreensão do fenômeno religioso em sua plenitude se defronta com inúmeros desafios. O mais urgente deles, na visão de Mateus Soares de Azevedo, é justamente o da incorporação da dimensão do conhecimento capaz de oferecer resistência ao crescente divórcio entre inteligência e espiritualidade; e, mais ainda, de forjar uma "aliança" entre o conhecimento e o sagrado.
"Em geral se acredita que h[a uma oposição insuperável entre islã e cristianismo, e também entre islã e judaísmo. Mateus Soares de Azevedo desafia este gênero de preconceito com argúcia e erudição, explicando e debatendo a comum ascendência abraâmica das três religiões semitas. Trata-se de um estudo caprichado sobre um belo tema. É o melhor livro escrito até aqui pelo autor: um trabalho de amor, que faz muito para dissipar as múltiplas confusões religiosas do mundo contemporâneo."
William Stoddart, escritor britânico, autor de O budismo ao seu alcance, O hinduísmo e O sufismo.