Review 4/135 - Quarteto Fantástico: A Vinda de Galactus
A Graphic composta pelas edições 44-51, além da edição anual 3 da revista do Quarteto Fantástico, traz uma série de histórias fundamentais para o universo Marvel. Iniciando com o mais famoso casamento dos quadrinhos, temos um grande crossover entre os personagens das revistas da Marvel na época, sendo impossível não se lembrar das cenas finais de Vingadores: Ultimato: Aqui vemos os Vingadores, os X-Men, o Demolidor, Homem-Aranha entre muitos outros, prontos para acabar com qualquer super vilão que possa tentar impedir o casamento de acontecer. A história caminha mais para a diversão que para a reflexão, valendo destacar o final, que conta com a aparição surpresa de Stan Lee e Jack Kirby, barrados de entrar no casamento de suas próprias criações.
A edição segue então para um arco mais fraco, na minha opinião, porém muito importante por apresentar a família real dos Inumanos, personagens que até hoje compõem uma parte forte do repertório de personagens da editora. Neste arco, vale ressaltar a forma que Stan Lee trata diretamente do medo do desconhecido, e do preconceito que este pode gerar, mascarados em uma história divertida, que agradou as gerações mais jovens dos anos 60.
Indo para o ponto alto da revista, temos a trilogia de Galactus, que nomeia a edição. Composta por 3 edições, as histórias acrescentam demais ao universo da editora, como também trazem reflexões para os personagens muito bem colocadas, além do visual fantástico que os quadrinhos proporcionam. Apresentando mais do universo cósmico da editora, temos o retorno do Vigia e as primeiras aparições de Galactus e do Surfista Prateado. Nesses capítulos temos uma narrativa que hoje pode ser considerada até clichê, devido a invasão de um ser colossal vindo do espaço com planos destrutivos para a humanidade. Porém a história foi pioneira em sua época de lançamento, e traz reflexões profundas, principalmente quanto ao surfista prateado, personagem que tem de repensar todo o seu conceito de existência ao conhecer mais a humanidade que antes ameaçava, como também o personagem de Galactus, que é colocado como superior as noções de bem e mal, se assemelhando a uma força da natureza. O encerramento do arco ocorre com um certo Deus EX Machina, porém não afeta tanto a narrativa a ponto de ser visto como um ponto negativo.
Por fim, a edição se encerra com um arco único focado nos conflitos internos do Coisa (que já vinham aparentando em histórias anteriores), que acaba por sendo vítima de um cientista que possui a intenção de acabar com o quarteto fantástico. A história, apesar de curta, se encontra dentre as melhores histórias da família primordial da Marvel, com o ponto alto na reflexão do vilão quanto as definições de heroísmo, que acabam por afetar as decisões finais deste.
As narrativas da edição trazem o melhor da editora: em planos filosóficos temos reflexões sobre como a humanidade lida com o inesperado e reflete sobre suas escolhas, e em um plano editorial temos um grandioso acréscimo ao universo Marvel, com a construção de fundamentos até hoje presentes nas histórias da editora.
Entre os pontos negativos podemos citar elementos conhecidamente existentes em quadrinhos da década de 60: temos certas repetições que podem ser um pouco entediantes, assim como personagens narrando as próprias ações, o que desmerece o desenho (que poderia muito bem representar o que foi escrito), além de deixar a narrativa mais boba. Além desses elementos, temos um extremo desmerecimento da personagem feminina Sue Storm, a.k.a Mulher Invisível, que constantemente está buscando chamar atenção e agradar seu marido. Apesar da hq apresentar a mulher em uma posição até inovadora para a época, ainda assim é muito incomodo ver como o pensamento retrógrado era fortemente existente.
Sobre a arte da edição, temos Jack Kirby realizando uma excelente representação dos personagens, que reflete fortemente a narrativa que está se passando. Apesar de não gostar tanto do estilo de arte dos anos 60, é visível que o artista consegue recriar o fantástico a partir de sua arte. Destaque para situações onde os personagens atingem uma quarta dimensão, na qual o artista utiliza fotografias reais para o contraste representativo.
Concluindo, posso dizer que estou contente com essa leitura e que foi sem dúvida a melhor leitura de quadrinhos do passado que realizei até agora.