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O Natal dos Fantasmas

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Em uma seleção especial com doze histórias de grandes mestres do suspense e fantasia, incluindo contos inéditos no Brasil, acompanhe fantasmas, moradores de mansões inadvertidos, antiquários recheados de vultos, festas de Natal com visitantes espectrais e outros enredos assombrados.

288 pages, Hardcover

First published December 8, 2021

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92 people want to read

About the author

Charles Dickens

12.9k books31.5k followers
Charles John Huffam Dickens (1812-1870) was a writer and social critic who created some of the world's best-known fictional characters and is regarded as the greatest novelist of the Victorian era. His works enjoyed unprecedented popularity during his lifetime, and by the twentieth century critics and scholars had recognised him as a literary genius. His novels and short stories enjoy lasting popularity.

Dickens left school to work in a factory when his father was incarcerated in a debtors' prison. Despite his lack of formal education, he edited a weekly journal for 20 years, wrote 15 novels, five novellas, hundreds of short stories and non-fiction articles, lectured and performed extensively, was an indefatigable letter writer, and campaigned vigorously for children's rights, education, and other social reforms.

Dickens was regarded as the literary colossus of his age. His 1843 novella, A Christmas Carol, remains popular and continues to inspire adaptations in every artistic genre. Oliver Twist and Great Expectations are also frequently adapted, and, like many of his novels, evoke images of early Victorian London. His 1859 novel, A Tale of Two Cities, set in London and Paris, is his best-known work of historical fiction. Dickens's creative genius has been praised by fellow writers—from Leo Tolstoy to George Orwell and G. K. Chesterton—for its realism, comedy, prose style, unique characterisations, and social criticism. On the other hand, Oscar Wilde, Henry James, and Virginia Woolf complained of a lack of psychological depth, loose writing, and a vein of saccharine sentimentalism. The term Dickensian is used to describe something that is reminiscent of Dickens and his writings, such as poor social conditions or comically repulsive characters.

On 8 June 1870, Dickens suffered another stroke at his home after a full day's work on Edwin Drood. He never regained consciousness, and the next day he died at Gad's Hill Place. Contrary to his wish to be buried at Rochester Cathedral "in an inexpensive, unostentatious, and strictly private manner," he was laid to rest in the Poets' Corner of Westminster Abbey. A printed epitaph circulated at the time of the funeral reads: "To the Memory of Charles Dickens (England's most popular author) who died at his residence, Higham, near Rochester, Kent, 9 June 1870, aged 58 years. He was a sympathiser with the poor, the suffering, and the oppressed; and by his death, one of England's greatest writers is lost to the world." His last words were: "On the ground", in response to his sister-in-law Georgina's request that he lie down.

(from Wikipedia)

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2 (1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Harvey Hênio.
642 reviews2 followers
April 28, 2022
“O Natal dos Fantasmas” é um livro que nasceu graças a um financiamento coletivo de 1450 apaixonados leitores e leitoras fãs de narrativas que envolvem suspense e elementos sobrenaturais.
Editado de forma impecável pela Editora Wish a obra tem um acabamento que lembra o excelente “Vitorianas Macabras” da Editora Darkside com os doze contos que compõem a obra antecedidos por ótimas biografias de cada escritor e escritora e belamente ilustrado.
Todos os doze contos são excelentes mas merecem destaque “O conto da velha ama” (também presente em “Vitorianas Macabras”) de autoria da inglesa Elizabeth Gaskell (1810/1865), relato gótico de uma ama idosa que recorda acontecimentos sinistros de sua juventude que tiveram lugar numa mansão assombrada por eventos e pecados do passado, o macabro “Smee” de autoria do inglês E.M. Burrage (1889/1956) que conta a história de uma inocente brincadeira entre amigos que acaba se tornando uma assustadora experiência sobrenatural, “Horror: uma história real” de autoria de John Berwick Hardwood (1828/1899) em que uma jovem, numa noite de natal, cede seu quarto a sua madrinha e ao dormir num quarto afastado na mansão em que residia tem que encarar um nefasto e lúgubre segredo do passado, o breve porém interessante conto “Encontro de natal” da britânica Rosemary Timperley (1920/1988) em que uma mulher, sozinha na noite de natal, recebe a visita de um jovem escritor cujo aparecimento e desaparecimento envolvem um surpreendente segredo, o clássico “Markheim” do icônico escritor escocês Robert Louis Stevenson (1850/1894), autor dos também clássicos “A ilha do tesouro” e “O médico e o monstro”, em que um ladrão e assassino encara um misterioso estranho que lhe propõe uma torturante escolha e o surpreendente e macabro “A bolsa de viagem” do inglês Algernon Blackwood (1869/1951) considerado um dos maiores escritores de todos os tempos na área do suspense e do sobrenatural de quem, inclusive, nada menos do que H.P. Lovecraft era grande fã, que narra a história de um jovem secretário de um advogado que, inadvertidamente, se vê frente a frente com uma assustadora manifestação sobrenatural.
Leia a qualquer hora mas, caso você, leitor ou leitora seja impressionável, siga o conselho que consta do sumário: “Não leia no escuro”.
Excelente!
Profile Image for julia ☆ [owls reads].
2,113 reviews420 followers
December 25, 2024
Ceias fantasmagóricas de Jerome K. Jerome: um amorzinho de apanhado de histórias de fantasma. Super interessante saber que algumas delas ainda me são familiares!

A história dos goblins de Charles Dickens: Gabriel Grub é uma figura interessante, mas eu esperava mais dos goblins.

A história da velha ama de Elizabeth Gaskell: adorei a ambientação! Gaskell usou muito bem o recurso de crianças estranhas/assustadoras. Muito bom.

Smee de A.M. Burrage: sólida história de fantasma! Gostei da descrição do jogo.

O fantasma de Irtonwood de Elinor Glyn: o mistério foi bem intrigante, mas o final foi morno.

Horror: uma história real de John Berwick Harwood: não gostei. Devagar e entediante.

Encontro de Natal de Rosemary Timperley: curtinha e curiosa! Esperava a reviravolta, mas a autora conseguiu tornar ela única.

Markheim de Robert Louis Stevenson: eu entendi todas as palavras separadamente. Juntas foi outra coisa.

O fantasma da véspera de Natal de J.M. Barrie: oohh, a intriga! Bem curtinha e interessante. Gostei muito da "explicação" no final.

A história de Natal de Thurlow de John Kendrick Bangs: divertida, ainda mais explorando a questão do duplo.

A bolsa de viagem de Algernon Blackwood: como sempre, um conto excelente que serve para me dar um sustinho!

O prato Crown Derby de Marjorie Bowen: adorei o fechamento do livro com esse conto! A reviravolta foi bem inesperada e impactante.
Profile Image for Jessica Louise Werner.
187 reviews43 followers
December 18, 2024
Nos dois natais passados eu tinha lido alguns dos contos desse livro, mas esse ano resolvi pegar pra ler do começo ao fim e tô muito feliz de finalmente ter feito isso! É uma seleção de contos muito boa e eu amo essa tradição de contar histórias de fantasmas no natal <3 alguns contos foram mais sombrios e outros mais divertidos, então ficou bem equilibrado. Meus preferidos foram Smee, Encontro de Natal, A história de Natal de Thurlow e O prato Crown Derby.

Ceias fantasmagóricas ★★★★
A história dos Goblins que sequestraram o sacristão ★★★
A história da velha ama ★★★★
Smee ★★★★★
O Fantasma de Irtonwood ★★★★
Horror: Uma história real ★★★
Encontro de Natal ★★★★
Markheim ★★★
O Fantasma da Véspera de Natal ★★★
A história de Natal de Thurlow ★★★★★
A bolsa de viagem ★★★★
O prato Crown Derby ★★★★★
Profile Image for Gisele.
338 reviews37 followers
December 26, 2021
Amei, amei, ameeeeeeei!

Recomendo demais esse livro pra quem gosta de mistério e de histórias escritas na era vitoriana (a maioria dos contos é de 1800, mas tem alguns que são de 1900 e pouco), clássicos e, principalmente, pra quem gosta de Jane Eyre, Morro dos Ventos Uivantes, Agatha Christie e Edgar Allan Poe.

Os contos presentes em Natal dos Fantasmas me remeteram aos clássicos citados anteriormente por motivos bem específicos. Alguns contos me lembraram as histórias de Allan Poe pelas descrições intensas, quase que dramáticas, e pelo senso de "aqui se faz, aqui se paga", presente em várias obras do autor. Outros, me lembraram Agatha Christie pela forte ambientação de 1900, retratando costumes da época que não são comuns hoje em dia, além de um forte senso de realidade. Um em específico me lembrou Morro dos Ventos Uivantes, no sentido de história que se passa em uma casa com pessoas infelizes e atormentadas por memórias do passado. E, por último, alguns me remeteram a Jane Eyre, por se passarem em casas onde coisas sobrenaturais acontecem, ou talvez nem tão sobrenaturais assim.

Alguns contos possuem fantasmas e elementos sobrenaturais, outros, são mais psicológicos, e o elemento de terror é a própria mente humana. Em resumo: amei todos! E por último, meus contos favoritos foram: Smee, Ceias Fantasmagóricas, Horror: Uma História Real, O Fantasma de Irtonwood e A História da Velha Ama.
Profile Image for Luciana.
69 reviews56 followers
December 6, 2022
Sou suspeita para falar dos livros da editora Wish, com sua proposta de resgate de clássicos por vezes completamente desconhecidos no Brasil, promoção de novos artistas e tradutores, e um cuidado com o texto que casa com um histórico de projetos gráficos que são de encher os olhos em cada mínimo detalhe.

Seguindo esse padrão e bebendo na tradição vitoriana dos contos assombrosos para a época natalina, elas lançaram coletânea O Natal dos Fantasmas ano passado, com doze contos reunindo tanto nomes já famosos por aqui - como Dickens, Gaskell, J. M. Barrie e Algernon Blackwood, com outras figuras menos conhecidas do público brasileiro.

As escolhas editoriais dessa coleção foram muito bem pensadas - mesmo os contos que considerei mais medianos ainda conseguiram prender minha atenção e provocar aquele arrepiozinho na espinha. Os dois contos finais, em especial, A Bolsa de Viagem do Blackwood e O prato Crown Derby da Marjorie Bowen, fizeram com que eu me levantasse e fosse dar um passeio pela casa para ter certeza que aquele barulhinho que ouvi era só o vento…

Há humor e lições de moral (bem, são os vitorianos…), crimes de toda natureza, questões de herança e encontros sobrenaturais de passado e presente. Algumas histórias me levaram mentalmente para a calçada da casa da minha avó, ouvindo os contos de trancoso da vizinha contadora de histórias - com um pé no folclórico, na tradição oral, e outro na literatura de gênero, uma cadência própria dos melhores contos de assombro.

[Voltar àquelas imagens de infância, àquela calçada, àquelas noites com um toque próprio de magia, são o maior elogio que posso fazer a esse tipo de narrativa.]

Como presente, para colocar debaixo da árvore esse ano, ou para si mesmo, para entrar o advento com aquele friozinho arrepiante que os vitorianos adoravam para a época, O Natal dos Fantasmas é uma ótima pedida, certeira para terminar bem o ano.

E, em tempo: parece que vai virar tradição a Wish lançar coletâneas especiais de natal. No site deles, estão vendendo já uma nova antologia reunindo apenas autoras mulheres: Contos de Antigos Natais. Vai para a lista do Papai Noel!
Profile Image for Luciane.
270 reviews22 followers
January 25, 2025
Os contos foram muito bem selecionados, todos interessantes e bem diferentes entre si. Em alguns os elementos natalinos são mais presentes, ou até mesmo centrais pra narrativa, e em outros o feriado de Natal é mencionado apenas de passagem, situando o leitor.

O sobrenatural se faz presente na forma de visões, pressentimentos, sonhos e aparições propriamente ditas, lidando com temas como culpa, ressentimento e loucura. Uma edição extremamente caprichada, que recomendo pra todos os fãs de histórias de terror e suspense.

"Há uma sensação de companheirismo com todas as outras pessoas que estão passando o Natal sozinhas, milhões delas, no passado e no presente. Uma sensação de que, se eu fechar os olhos, não vai haver passado nem futuro, só um presente infinito, que é o tempo, porque é a única coisa que sempre vamos ter."
Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
December 22, 2022
1 - Ceias Fantasmagóricas (4 estrelas), de Jerome K. Jerome

Esse é um conto que já havia sido publicado na coletânea Terror Depois da Ceia, que comentei brevemente no parágrafo acima. De qualquer forma, achei acertada a escolha deste conto para iniciar a coletânea porque Jerome meio que coloca o leitor no clima de histórias fantasmagóricas natalinas. Não se trata de uma narrativa per se, mas do autor comentando o próprio hábito natalino de contar histórias de fantasmas. Como já comentei em outra resenha sobre este conto, fica um comentário breve de como hospedar pessoas era um ato social no período vitoriano. Não se tratava apenas de cear junto dos familiares e distribuir presentes. Tratava-se de ser um bom anfitrião, receber a todos e colocá-los em seus quartos com conforto. Claro que as picuinhas sociais sempre vão existir com aquela pessoa que é mais rabugenta, ou o cético que interrompe a contação de histórias e alega que tudo não passa de bobagem. Jerome perpassa por todos esses estereótipos de convidados enquanto nos faz rir com pequenos causos de pessoas que se assustaram com fantasmas de verdade. O conto é quase um documento de época e é bem escrito. Minha crítica foi só a de não sentir uma narrativa presente ali e mais um conto voltado para atrair o leitor. Como um elemento individual, ele não se constrói sozinho, mas fazendo parte de uma coletânea maior, potencializa aqueles que vem depois.

2 - A história dos goblins (4 estrelas). de Charles Dickens

Nessa história somos apresentados a um sacristão rabugento chamado Gabriel Grub. Um homem chato e mesquinho, que detesta crianças e felicidade. Na véspera de Natal, enquanto todos passam a data com suas famílias, Gabriel vai cavar túmulos para enterrar as pessoas. Durante uma caminhada, ele chega a agredir uma criança com sua pá apenas por ela demonstrar sua felicidade por causa da data. Durante o seu trabalho, Gabriel vai ser surpreendido por um goblin que vem aterrorizar sua vida. A rabugice do sacristão incomodou até mesmo essas criaturas mágicas que prometeram levar o homem santo ao inferno caso ele não corrija o seu temperamento.

A sinopse da história lembra demais Cântico de Natal, do próprio Dickens. Quem conhece a história, vai ver diversos tropos que ele usou nessa história maior e mais famosa dele. Esse conto tem valor no sentido de que passeia pelas ironias e o modo fácil de escrever dickensiano enquanto nos diverte. Parece estranho dizer isso, mas mesmo esse conto se tratando de um indivíduo sendo amaldiçoado por criaturas infernais, a história é repleta de ironia e bom humor. Não tem como a gente não se lembrar do velho Scrooge e compará-lo com o sacristão, mas a história do velho muquirana puxa mais para o trágico do que para o satírico. Scrooge era um homem atormentado por um passado que o incomodava. Gabriel é só um cara rabugento mesmo. Vale destacar a maneira como Gabriel faz de tudo para negociar com o goblin para que ele o deixe em paz, mas a criaturinha consegue enxergar através das mentiras do personagem. Isso nos mostra o quanto não somos capazes de enganar criaturas primordiais. A história tem um bom ritmo e tamanho e o leitor vai ter uma boa virada narrativa ao final. Quem conhece Dickens, vai adorar a história; que não conhece, é uma ótima porta de entrada para a escrita do autor.

3 - A história da velha ama (5 estrelas), de Elizabeth Gaskell

A autora de Norte e Sul, um livro fabuloso que reconstrói relações sociais do século XIX com uma precisão e crítica que a tornaram famosa, faz trabalho semelhante nesse conto. Nele somos transportados a uma estranha mansão onde a tutora Hester e sua protegida Rosamond vão precisar morar após a morte prematura de sua mãe. Lá elas vão conhecer um elenco de senhoras e empregadas que vão fazer os dias parecerem mais misteriosos. Enquanto Rosamond cresce nesse ambiente diferente, Hester se dá conta de que a casa esconde dois mistérios: um estranho som de órgão vindo de uma ala trancada da mansão e uma garotinha que aparece em algumas noites do lado de fora da casa, pedindo para entrar. As empregadas da casa pedem encarecidamente para que Hester faça o possível para que Rosamond não abra as portas da casa para a garotinha, que exerce um estranho fascínio sobre ela. Sobre o tal órgão, as donas da casa fazem ouvidos moucos, apesar de suas expressões assustadas revelarem mais do que elas deixam transparecer.

É uma narrativa de críticas sociais também. Espanta o fato de podermos elencar várias delas em uma história tão curtinha. Primeiro tem todo o caso do senhor que era o chefe da casa e agredia sua esposa a tal ponto de a levar a uma tristeza e depressão. As filhas que disputam a mão do jovem cavalheiro que, Gaskell me surpreendeu nisso, me parece ser um negro. Tem só um momento da trama que ela descreve o cavalheiro de "pele escura e modos encantadores". Achei tão curioso que merecia o destaque. Existe todo um habitat social na mansão e Hester é uma pessoa curiosa nesse ponto. Mesmo sendo uma simples tutora, ela se encontra em outro status social em relação a alguns dos empregados da casa. E ela faz questão de usar essa sua autoridade quando precisa chamar a atenção de alguém por falar torto com ela. Ao mesmo tempo em que tem uma deferência maior por aqueles que administram a mansão. Isso é para que possamos perceber o quanto a pirâmide social pode nos ajudar a encontrar micro-poderes em um ambiente até que simples. E como os indivíduos decidem usar seu status social para exercer posições de mando ou de submissão. Gaskell é uma mestra em nos mostrar isso através de pequenas sutilezas que o leitor precisa ser atencioso para perceber.

5 - O fantasma de Irtonwood (4 estrelas), de Elinor Glynn

Esther Charters é uma dama da sociedade, sendo cortejada por cavalheiros e buscando viver sua vida de forma tranquila. Ela brinca com suas amigas que acha fantasmas e coisas do sobrenatural emocionantes. É convidada para um Natal na casa de uma de suas amigas, a sra Ada Hardess. Durante sua viagem até a exótica casa, ela conhece Ambrose Duval, um homem que fica de olho nela e afirma estar indo para o mesmo lugar. Ao chegarem até Irtonwood, Esther é colocada no quarto de Cedro, um local que diz ser assombrado por uma tal de Dama Branca. O que começa como uma brincadeira inocente e um triângulo amoroso formado por Duval e o cavalheiro que corteja Esther, o sr George Seafield, se transforma em um terrível encontro com a morte frente a frente.

Esse é um romance de mistério com elementos sobrenaturais. Existe mais um detalhe a ser lembrado que é o de Esther estar lutando para conseguir os documentos para lhe garantir uma herança disputada por membros de sua família e os herdeiros de seus antepassados. Documento esse que está desaparecido e pode fazer Esther perder tudo. A história da Dama Branca vai trazer à tona alguns desses plots investigativos: o estranho que se envolve no grupo, a mansão exótica, as passagens secretas, as correntes se arrastando. Existe também uma incrível semelhança entre Esther e a antiga dona da mansão. Todas essas pequenas narrativas se mesclam em uma história romântica que nos promove desentendimentos, os hábitos de corte que quem aprecia romances de época está acostumado. Não chega a ser necessariamente uma história de terror, sendo algo mais no clima de um mistério de Agatha Christie. Tem até uma explicação sobre a resolução no final. A escrita de Elimor Glynn é um pouco carregada de descrições em alguns momentos, mas no geral não me incomodou. Só as coincidências fortuitas que me tiraram um pouco do rumo, mas okay. É um conto divertido e tenho certeza que vai agradar a uma variedade de públicos.

7 - Encontro de Natal (5 estrelas), de Rosemary Timperley

Uma história genial sobre uma mulher que está passando um Natal sozinha em sua casa. Ela se lamenta dos azares de sua vida e pede para que alguém lhe faça companhia em uma noite tão bela. Só que, para sua surpresa, um jovem estranho entra em seu quarto e logo ela percebe se tratar de alguém que não pertence a este mundo. Este jovem revela ser um escritor e inicia-se uma conversa que acalenta o espírito solitário dela. Uma história sensacional, curtinha, mas contendo tantos mistérios e significados que o leitor vai ficar pensando por vários dias a fio. Os diálogos são leves e bem conduzidos e cada frase é pensada de forma a causar algum efeito no leitor: tristeza, saudade, surpresa, ternura. Timperley ainda faz uma brincadeira com a nossa percepção e permite múltiplas interpretações sobre o último parágrafo. Essa é uma daquelas histórias que mostram para nós que tamanho não é documento. Não quero entrar em mais detalhes porque gostaria que mais pessoas lessem esse conto com mais atenção.

8 - Markheim (4 estrelas), de Robert Louis Stevenson

Em uma véspera de Natal, Markheim segue até uma loja de presentes onde deseja adquirir alguma coisa para dar a alguém. Só que ele não sabe o que comprar e depois de conversar com o comerciante, este oferece a ele um espelho. Isso faz com que Markheim tenha estranhas reações relacionadas a seu passado. Ao ver o espelho, isso o faz lembrar dos erros que ele cometeu em vida. E ele está prestes a cometer mais um, quando esfaqueia cruelmente o comerciante. Tendo feito o que realmente havia vindo fazer, ele agora busca se livrar do corpo, pegar todo o dinheiro da loja e conseguir fugir ileso. Só que ele está preocupado se alguém escutou toda a confusão ou viu alguma coisa que não deveria. Markheim sente que qualquer movimento, qualquer olhar vindo da rua pode denunciá-lo. E é aí que uma presença chega até ele e oferece a ele a possibilidade de sair ileso de tudo aquilo. Só que para isso, existe um preço a ser pago...

Stevenson é um autor que gosta de explorar o lado obscuro do ser humano. O que nos move? O que nos faz seguir caminhos ruins? Em O Médico e o Monstro, ele já havia feito isso com um médico obcecado por seus experimentos e agora com um ladrão que tenta entender se ainda existe uma esperança de ele se arrepender. Stevenson é um pouco pessimista nisso e, apesar da virada narrativa ao final, o leitor consegue sentir que parece que ele não acredita muito na capacidade de mudar. A gente pode passar bastante tempo discutindo sobre a natureza do homem, mas o diálogo entre a criatura e Markheim é bem claro nesse sentido. Nos faz pensar retrospectivamente o que fizemos para escolher esse ou aquele caminho. O protagonista demonstra que se arrepende de seu passado, mas não pode fazer nada para alterá-lo. Se torna essencial a ele, conviver com isso e tentar fazer escolhas melhores no futuro.

O autor usa dois tropos bem curiosos na história: um se remete ao tema visto no conto O Coração Delator, de Edgar Allan Poe e o outro se refere ao pacto fáustico. No primeiro, o personagem se sente observado por um pecado que ele cometeu. É como se ele ouvisse as batidas do coração por toda a parte. Se trata da própria consciência dele falando. Já o pacto fáustico acontece quando o fantasma ou criatura oferece a ele uma saída para o seu dilema. Ele não é claro quanto a qual o preço de sua ajuda e me parece algo mais moral do que físico. Enfim, Stevenson consegue nos entregar um conto que possui várias camadas e toca fundo em nossos corações. Com uma sutileza do tamanho de um elefante.

10 - A história de Natel de Thurlow (4 estrelas) , de John Kendrick Bangs

Thurlow é um escritor famoso por suas histórias de terror natalinas. Todos os anos ele publica no jornal e ganha uma graninha merecida, além de ter construído a sua fama em cima destas histórias. Mas, este ano é diferente. Parece que nada vem à sua mente e sua inspiração está zerada. O prazo está ficando cada vez mais apertado e a história não sai de jeito nenhum. Um dia, ele recebe a visita de um de seus fãs, um homem que fica horas conversando com ele sobre o que ele gosta em suas histórias e o elogia como um grande escritor. Apesar de ter seu ego massageado, Thurlow não vê a hora de mandar o tolo embora para poder tentar voltar a escrever. É então que o fã percebe a dificuldade de seu autor favorito de escrever uma história e pede a ele que publique aquela que escreveu. Que seria uma honra para ele publicar sua história, mesmo que fosse com o nome de seu autor. Depois de dispensar o fã, Thurlow tem a curiosidade de ler a história e só então percebe a obra-prima que tem em mãos. É então que ele se vê em um dilema: publicar em seu nome ou dar os créditos a quem de fato escreveu? Ele será atormentado pelo fantasma de seu egoísmo que diz a ele para publicar em seu nome e colher os louros. E agora?

Essa é uma história fascinante que dialoga com o que Stevenson escreveu em outra história. Afinal, o escritor é atormentado por uma dúvida cruel que não coloca sua vida necessariamente em risco, mas o faz pensar em caminhar uma estrada sombria que pode destruir a sua alma. Sendo um escritor, ele entende as dificuldades de escrever uma obra e o quanto esta representa a própria essência daquele que escreveu. Tomar para si a autoria de uma obra que não escreveu não é só falsificar algo, mas tomar para si o espírito daquele que criou. É poluir a pureza de uma obra-prima. Manchar com algo que somente ele saberá que aconteceu (ele e o verdadeiro autor). Embora nos dias de hoje não tenhamos tais pudores (o que deveríamos ter), mas se pararmos para pensar é, de fato, uma narrativa assustadora. O fantasma está encarnado na forma do próprio subconsciente do protagonista. Um ser que está ali para trazer à tona tais desejos egoístas. Gostei da narrativa, embora ela tenha um ritmo meio estranho e ora ela tem uma narrativa mais direta e voltada para discutir a moral de seu protagonista, ora se perde em divagações que não acrescentam na trama. Porém, é uma história muito boa e está entre os destaques da coletânea.

11 - A bolsa de viagem (5 estrelas), de Algernon Blackwood

Após terminarem finalmente um julgamento de um terrível criminoso, Johnson, o secretário de defesa do advogado que defendeu o meliante, só quer saber de viajar e sair dessa cidade que o sufocou durante tanto tempo. Um julgamento de um ser que merecia apenas a condenação por um assassinato brutal, mas que, por competência dele e de seu chefe, conseguiram transformar a prisão em uma internação em uma clínica para homens insanos. Johnson chega em casa e prepara sua bolsa de viagem. Coloca uma a uma suas peças de roupa, mas coisas estranhas parecem estar acontecendo a ele. Sons de passos estão vindo do andar de baixo, objetos se movendo de um lado para o outro e a bolsa formou a silhueta do criminoso. O que está acontecendo?

Dizer que Blackwood é um escritor competente é pouco. Só alguém com um domínio preciso de sua escrita conseguiria produzir uma trama tão interessante a partir de uma premissa maluca como a de uma bolsa sinistra. Ele constrói um ambiente tenso e que vai se apertando aos poucos ao redor de nossos pescoços. A morte está à espreita e quanto mais o protagonista se debate, pior fica. É uma narrativa que vai estimular nossa visão e nossa audição, entregando informações que nos permitem construir com perfeição o que está à nossa volta. Juro que pude ouvir os passos vindos de algum lugar ou enxergar uma silhueta quando olhei por cima do ombro. Blackwood é muito bom em criar tais situações e o mistério vai sendo revelado aos pouquinhos. Em um dado momento, fiquei imaginando que ele tinha colocado um furo na história porque a menos que algo tivesse acontecido lá atrás, todo o dilema do protagonista seria inócuo. Só que aí vem as duas páginas finais do conto. E a gente aplaude de pé. Melhor conto da coletânea, sem dúvida alguma.
Profile Image for Emanuelly.
1 review
January 19, 2022
Ig literário: @livros_paralelos

Antigamente, acreditava-se que os fantasmas costumavam aparecer em época de natal. Então, era corriqueiro os autores da época escreverem contos para serem publicados nesse período, onde a aparição de fantasmas no natal era o tema central

Nunca fui de me assustar fácil, mas confesso que certos contos daqui, deixaram alguns dos meus cabelos da nuca fora do lugar

O natal dos fantasmas reúne 12 contos vitorianos de Natal. Época em que a tradição familiar nataliana consistia em, se reunir e contar histórias de suspense e fantasmas ao redor da lareira, ou a mesa da ceia

A seleção de contos feito pela @editorawish é incrível e cada um trás uma breve introdução de seus respectivos autores, alguns poucos conhecidos aqui no Brasil, mas que possuem outras histórias populares de sucesso, como por exemplo o autor de Peter Pan, J.M Barrie

Gostei de vários contos, mas não de todos. Porém, se fosse selecionar 3 contos preferidos , creio que seria "Smee", "A História da Velha Ama", e "Encontro de Natal". Esses três contos tem toda uma áurea antiga e meio macabra que acaba servindo como um portal, que leva o leitor de voltar para os costumes, ares e crendices populares da era Vitoriana.

A edição está impecável em questão de diagramação, qualidade da impressão, folha e capa e por que não na seleção de contos? Apesar de não ter adorados todos os 12, gostei da maioria, e isso é um fato difícil de se conseguir

Adorei a sacada da editora de dar uma leve introdução aos autores dos contos, porém gostaria que fosse uma introdução um pouco mais profunda (ou mais longa) pois assim, deixaria o leitor mais "íntimo" do autor e despertaria nele, (ainda mais) a empolgação para conhecer outras obras dos escritores.

O natal dos fantasmas é uma edição que merece ser re-lida todos os anos, respectivamente no período que se é contado: natal., pois além de combinar perfeitamente com o clima natalino, para quem curte histórias de suspense, os contos são uma puta história gostosa de serem lidas e que tem um grande potencial de salvar vários leitores de uma ressaca.
Profile Image for Anna Costa .
45 reviews
April 4, 2024
Minha leitura natalina desse ano foi diferente. Costumava ler histórias doces, leves e que reforçam a alegria e magia dessa época. Mas este ano escolhi ler “O Natal dos Fantasmas”, lançado pela @editorawish, e percebi que a Véspera de Natal, é o dia que os fantasmas mais gostam de aparecer.

Este livro possui 12 histórias vitorianas de suspense e assombrações de autores consagrados como Charles Dickens, Elizabeth Gaskell, J.M. Barrie, entre outros.

A única história natalina de fantasma que eu conhecia até então era “Um Conto de Natal”, do Dickens. Então me surpreendi ao ler tantas histórias fantasmagóricas e, preciso confessar, algumas são realmente assustadoras. Todas acontecem na Véspera de Natal e na leitura conhecemos todos os tipos de personagens: famílias unidas, pessoas solitárias, jovens sonhadores, escritores frustrados, e assim por diante.

Quero destacar aqui os meus contos favoritos e que valem serem lidos em família nessa época do ano: “Ceias Fantasmagóricas”, “A História da Velha Ama”, “Encontro de Natal” e “A História de Natal de Thurlow”.

Recomendo bastante esse livro e, se alguém aí tiver alguma história de fantasma para compartilhar, vou adorar escutar!
Profile Image for Tata, la Bruja.
159 reviews2 followers
January 17, 2025
Uma coletânea interessante de contos de diversos autores. Histórias como "Smee" e "A bolsa de viagem" se destacam pela atmosfera e reviravoltas. "A história da velha ama" impressiona pela ambientação e uso de personagens infantis. Contos como "O fantasma de Irtonwood" e "Encontro de Natal" apresentam mistérios intrigantes, embora com finais um pouco menos surpreendentes. Já "Horror: uma história real" é considerado mais lento e entediante. O livro termina com "O prato Crown Derby", um conto com uma reviravolta impactante. A coleção oferece uma boa variedade de estilos e abordagens sobre o tema de fantasmas, agradando tanto aos fãs de histórias clássicas quanto aos que buscam novas experiências.
Profile Image for Ju Harue.
298 reviews2 followers
December 28, 2022
Aproveitei esse climinha tranquilo de 2022 pra entrar no clima natalino com essas histórias rsrsrs. E nada melhor que um livro de contos assustadores. Eu gostei da experiência de ler essa temática nessa época, de saber dessa tradição. Dos contos, o que mais achei interessante e de fato com um suspense de leve foram de Burrage, Timperlay e Blackwood. Quero manter essa tradição de ao menos ter uma leitura de suspense/mistério/terror de leitura natalina, junto com outros tradicionais da temática, é claro rsrsrs.
Profile Image for Michaelly Soares.
15 reviews
January 28, 2024
Finalmente terminei essa leitura remanescente de dezembro, meu primeiro livro da editora wish, trabalho muito primoroso de edição e detalhes, e uma coletânea perfeita, amei a seleção curiosa de histórias mal assombradas, as mansões, os objetos e a atmosfera, muito curiosas e instigantes, foi uma boa companhia.
Profile Image for Lorrany.
449 reviews60 followers
January 31, 2024
Finalmente, o livro que comecei a ler antes do Natal foi finalizado (e no último dia de janeiro, para manter minha meta deste ano em dia). Gostei muito da seleção de contos, alguns eu já havia lido separadamente, então pulei. Adoro histórias de fantasmas natalinas, espero que este ano eu consiga outra antologia semelhante a esta.
Profile Image for Jessica Moura.
24 reviews
December 17, 2023
O livro é bem legal para ler no natal, mas gostei de apenas dois contos o resto achei bem mediano.
Profile Image for Camila Benevenuto.
128 reviews20 followers
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September 2, 2025
Para começar, preciso dizer que a Wish fez um trabalho incrível, tanto na curadoria dos contos como na parte gráfica - o objeto livro é belíssimo. Trouxe o Natal com o vermelho predominante e também o lado mais sombrio que permeia as histórias, afinal de contas é o natal dos fantasmas.

O livro serviu como porta de entrada de vários autores para mim e já adicionei outras obras deles na minha lista de futuras leituras. A pequena biografia de cada autor antes da história foi um toque muito legal!

“Ceias fantasmagóricas” foi uma ótima opção para iniciar essa coletânea. Deu a impressão de ser um conto de boas-vindas à temporada dos fantasmas. Junto dele, minhas outras histórias favoritas foram “A história da velha ama” e “Smee”, essas duas últimas sendo mais perturbadoras.
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