Martin Puchner é filósofo e critico literário, tirou o PhD em Harvard University e atualmente é professor e investigador nessa instituição.
O mundo da escrita é um livro que começa por ser enfadonho, e não se percebe bem a finalidade do mesmo, contudo, à medida que as histórias avançam o interesse aumenta, sobretudo, pelo vasto conhecimento que o autor detém sobre o contexto politico e económico da época em que é retratada a escrita.
O livro está dividido por capítulos:
1. O livro de cabeceira de Alexandre,
2. Rei do universo, sobre Gilgamés e Assurbanipal,
3. Esdras e a criação da escritura sagrada,
4. Aprender com Buda, Confúcio, Sócrates e Jesus,
5. Murasaki e o Romance do Genji,
6. As mil e uma noites com Xerazade,
7. Gutenberg, Lutero, e o novo público da impressão,
8. O Popol vuh e a cultura Maia,
9. Dom Quixote e os piratas,
10. Benjamin Franklin. Empreendedor dos média na república das letras,
11. A literatura mundial Goethe na Sicília,
12. Marx. Engels, Lenine, Mao,
13. Akhmatova e Soljenítsin: escrever contra o estado soviético,
14. A epopeia de Sunjata e os artífices das palavras na Africa Ocidental,
15. Literatura pós-colonial. Derek Walcott, poeta das caraíbas,
16. De Hogwarts à índia.
São 4000 anos de história da literatura que Puchner nos conta.
Durante a investigação Puchner viajou para todos os locais que referência no livro, para nos falar da glocalização da escrita.
Segundo o investigador, o imperador Alexandre e o Rei Assurbanipal terão sido uns grandes leitores, amantíssimos da literatura mandaram construir grandes palácios para armazenar os seus livros.
Esdras era um escriba que escreveu os textos sagrados que deram origem ao alcorão e à bíblia (velho testamento).
Buda, Confúcio, Sócrates e Jesus foram filósofos, professores que pregavam aos seus discípulos normas, ou seja, regras morais que todos os humanos deveriam de seguir, para uma convivência mais salutar. Curiosamente nenhum destes professores escreveu nada do que diziam, apenas conversavam com os seus alunos, e foram estes, muitos anos após a morte do seu mestre, que colocaram por escrito as suas ideias.
O primeiro romance surgiu no japão, durante o seculo XI. Não se sabe o nome da autora, como tal, foi-lhe atribuído o nome da sua personagem principal Murasaki Shikibu. Murasaki era uma mulher que pertencia à corte, e às mulheres estava vedada a escrita, com medo de ser condenada a autora não divulgara o seu nome.
As mil e uma noites de Xerazade conta a história de Xerazade, as histórias que ela contava ao Rei todas as noites para que este não matasse as jovens mulheres. Histórias que eram inventadas e transmitidas oralmente, e as resmas de versões que cada história ficcional continha.
Gutenberg e Lutero revolucionaram a escrita, a origem da prensa com Gutenberg abriu portas à impressão em massa, sendo possível publicar milhares de copias dos textos e com menos erros.
Com Lutero, a impressão clandestina ficou mais acessível, qualquer um podia escrever um texto e publicá-lo as vezes que quisesse. Foi por causa de Lutero que os estados se viram forçados a legislar sobre a impressão e os documentos escritos. O Papa mandava queimar os textos de Lutero, que se tinha insurgido contra ele, contudo, Lutero, na semana seguinte, mandava distribuír novos textos pela população onde criticava o papa e as suas ideias. Ensinou a população a ler e a escrever.
O Popol Vuh é uma narrativa de origem Maia, que traduzindo poderá aproximar-se ao Livro do Conselho porque faz referência ao modo como as pessoas da época se deveriam comportar. Um livro foi o que restou da queima dos livros que os espanhóis fizeram assim que iniciavam a colonização, foi trazido para Espanha por um frade.
Dom quixote faz referência a Cervantes e seus livros de aventura em forma de novela, onde retratou a sua prisão e as suas viagens.
Benjamin Franklin, empreendedor de sucesso, foi o responsável pela disseminação dos correios nos EUA, foi graças a ele que surgiram os primeiros jornais, que eram distribuídos localmente e em poucos anos alcançaram todo o país, dando abertura também na distribuição de cartas e de livros.
Goethe era alemão e grande apreciador de literatura mundial, mandava vir livros da India, China, Europa, Ásia, América, mandava-os traduzir e lia-os avidamente, aprendeu várias línguas e viajou através da leitura.
Marx e Engels deram origem a uma nova forma de literatura, o manifesto.
Akhmatova e Soljenítsin foram maltratados pela União Soviética:
Akhmatova poetisa de sucesso banida do sindicato dos poetas, sem puder trabalhar, viúva e com o filho preso, manifestou-se contra as ideias de Lenine em alguns dos seus poemas, e ao recitar Requiem e um estrangeiro, com quem ela mantinha relações, foi sujeita ao isolamento e esquecimento literário.
Soljenítsin, escreveu uma carta a um amigo onde criticava Estaline e o exército soviético, foi condenado a 8 anos a trabalhos forçados. Foi essa tortura diária que ele registou no seu romance "Um dia na vida de Ivan Denisovich", o romancista foi galardoado com o prémio nobel da literatura em 1970.
Vale muito a pena ler o livro, porque nele o autor explica a importância da palavra escrita e dos textos na formação do homem, a origem das bibliotecas, de que forma a palavra e a comunicação teve e tem poder no mundo. Também expõe as várias técnicas de escrita que hoje se conhece e a evolução das tecnologias de impressão ao longo dos 500 anos.