A série de crônicas intitulada Bons Dias, publicada entre 1888e 1889, é a perfeita síntese desse registro machadiano. Tanto que nela encontramos, por exemplo, uma sátira ao transporte do meteorito caído em Bedengó e, no mesmo texto, uma discussão sobre a implantação do federalismo no Brasil. Além da política da época, as crônicas trazem ainda para o leitor temas favoritos de Machado, como a medicina popular, os neologismos, e o espiritismo. Leves e consistentes, as crônicas abordam assuntos sérios, sem cair no lugar-comum.
Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."
Sarcástico, Progressista e Anti-Republicano. Machado se escreve em cada palavra deste livro. Impossível de acreditar que a elite brasileira (burra como sempre) não via quem era o autor dos bons dias.
Me surpreendi muito com a leitura! Normalmente, crônica não é um gênero textual com que leio com frequência, porém como essa obra está na lista da Unicamp, resolvi dar uma chance. No começo estava um pouco perdido, principalmente pela linguagem utilizada, mas logo me acostumei. Essa obra trata de assuntos muito relevantes, como a abolição da escravidão no Brasil, a transição para a república e corrupções no governo. Além disso, há o humor característico de Machado, bem como seu estilo de escrita que conversa com o leitor. Para finalizar, recomendo bastante a leitura, pois, além de ser rápida, fazer a gente ter um melhor panorama da época de 1888 e 1889.
"O mais difícil parece que era a união dos princípios monárquicos e dos princípios republicanos; puro engano. Eu diria: 1.°, que jamais consentiria que nenhuma das duas formas de governo se sacrificasse por mim; eu é que era por ambas; 2.°, que considerava tão necessária uma como outra, não dependendo tudo senão dos termos, assim podíamos ter na monarquia a república coroada, enquanto que a república podia ser a liberdade no trono, etc., etc."
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Foi, na verdade, um audiolivro. E o primeiro audiolivro que ouvi por completo.
Uma coletânea de crônicas falando do Brasil/Rio de Janeiro durante os anos de 1888 e 1889. Acho que o formato me ajudou, porque parecia uma grande fofoca kkkkk
O Dilema entre a Maestria Estética e o Anacronismo Temático
Esta é uma perspectiva honesta e muito próprio do leitor contemporâneo quando se depara com a faceta cronista de Machado de Assis. Preciso, aqui, tocar num ponto nevrálgico: a diferença entre a técnica literária (forma) e a relevância temática (conteúdo) através do tempo.
Em Bons Dias!, coletânea de crônicas publicadas originalmente entre 1888 e 1889, o que se observa é o auge da forma narrativa de Machado de Assis. A escrita é, de fato, irretocável: há uma fluidez quase conversacional que aproxima o autor do leitor, revelando uma erudição que transita com facilidade entre a crítica política ácida e as minúcias do cotidiano oitocentista.
Contudo, a obra enfrenta o desafio da obsolescência temática. Por se tratar de um compilado de textos jornalísticos (opinião), o interesse do livro fica restrito a dois pilares:
- Valor Histórico: o retrato de uma sociedade em transição (fim do Império e início da República);
- Valor Técnico: o estudo da "cozinha" literária de Machado, observando como ele lapidava seu estilo.
Para o leitor que busca entretenimento ou conexão imediata, o livro pode soar tedioso. O distanciamento temporal transforma o que antes era uma sátira vibrante em um registro anacrônico, onde o sentido prático das opiniões do autor se perde nos corredores do tempo. A crítica muitas vezes eleva a obra pelo peso do nome na capa, mas, isolado do seu contexto histórico, Bons Dias acaba sendo um exercício de estilo sobre temas que já não pulsam para o público moderno.
Por que sentimos esse "tédio"? Bem, ouso afirmar que a estrutura da crônica é, por definição, efêmera. Ela nasce para morrer no dia seguinte, na edição seguinte do jornal.
Assis, nesta obra, é, antes de tudo, autor dum "colunismo de ontem". Machado escrevia sobre fofocas parlamentares e decretos que eram urgentes em 1888. Para o leitor de hoje, sem as notas de rodapé ou um profundo conhecimento da história do Brasil, o texto se torna um código difícil de decifrar, perdendo sua "graça" original.
Respeitar a técnica não obriga ninguém a amar o conteúdo. É perfeitamente possível reconhecer que Machado é um gigante da língua e, ao mesmo tempo, admitir que ler suas opiniões cotidianas de 140 anos atrás é uma tarefa hercúlea de paciência.
Este ensaio oportuniza que lembremos desse Machado "cronista" e o Machado "romancista" (de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo) para entender por que um envelheceu melhor que o outro.
"o espiritismo é uma maquina de idiotas e alienados, que nao pode subsistir. os espíritas que me lerem hão de rir-se de mim porque é balda certa de todo maníaco lastimar a ignorância dos outros. eu, legislador, mandava fechar todas as igrejas, pegava dos religionários e fazia-os purgar espiritualmente de todas as suas doutrinas; depois, dava-lhes uma aposentadoria razoável. boas noites."
Li para o vestibular da Unicamp. As análises e ironias do Machado são conhecidas por sua excelência. Achei o livro difícil em algumas partes porque contém nomes e acontecimentos da época em que foi escrita, sendo uma realidade muito diferente da contemporânea.
Tô seguindo a avaliação que fiz ao ler esse livro há 10 anos, mas essas 2 estrelas até me espantam. Com certeza foi um problema ter encontrado textos "envelhecidos", que demandavam notas de rodapé para o leitor compreender. Mas Machado é Machado, pô.
Eu sempre me esqueço que são crônicas de tanto que me divirto com os pensamentos, observações e acidez do narrador. Vale cada página e cada dia. O mais engraçado é o quão atual é. Sarcástico, egocêntrico, sagaz. Uma obra curta e pronta para uma boa discussão.