Quando comecei a ler O clube dos amigos imaginários, eu ria tanto que parei a leitura pra não acordar a namorada que dormia ao meu lado. E a história foi seguindo com altos e baixos, mas o final dela simplesmente pegou o meu coração e jogou fora.
A história segue 4 amigos que se conheceram durante a terapia para se livrar de seus amigos imaginários, que seus pais não conseguem entender. Ele é contado do ponto de vista de dois desses amigos imaginários, um deles totalmente porra louca que vive na cabeça de Thiago e o outro é o Urso Bobo, que vive na cabeça de Vanessa.
Todos os 4 têm seus problemas para interagir entre as pessoas e, quando precisam parar a terapia por conta de um incidente, continuam se encontrando, num relacionamento que só faz crescer. E eles acabam se ajudando, por exemplo, Thiago dorme com Ricardo num motel para que ele não fique sozinho após uma crise, particularmente Ricardo com Júlia e.... bom, era para ser Vanessa com Thiago, mas Thiago é bem lento, então demora um pouco para as coisas desenrolarem.
Tudo isso é contado de forma bem gostosa, com muitas tiradas engraçadíssimas e alguns momentos mais tensos: aos poucos, vamos sentindo que Vanessa sofreu abuso do pai, até que no final descobrimos que ela foi estuprada quando era criança e nunca falou disso para ninguém, apenas para Bobo.
E depois dessa revelação (que você meio que já sabia, mas não tinha certeza), você espera um arco de redenção dos personagens, ou pelo menos de Vanessa e Thiago. O de Thiago "vem" (ele descobre que o pai não é seu pai de fato, e isso é realmente um alivio para todos nós). Mas o de Vanessa.... não. Simplesmente não vem. A autora mata Vanessa e não deixa ela confrontar o pai e puni-lo. Não dá esperanças para outras meninas que se identificaram com Vanessa em seu "se esconder no seu mundinho com seu amigo bobo" (inclusive eu me identifiquei com ela nesse sentido, embora meu amigo imaginário não seja um urso, nem o motivo de eu falar com ele seja tão grave) de achar que podem ser felizes. Simplesmente destrói tudo.
Sério, não dou menos estrelas porque gostei demais do começo, mas Vanessa merecia um final melhor, merecia se reconstruir, merecia dar esperanças para outras meninas. Foi uma morte totalmente arbitrária, desnecessária e que destruiu o livro e pisou no coração de quem estava querendo um pouco de conforto.