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Anos de chumbo e outros contos

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Uma jovem e seu tio. Um grande artista sabotado. Um desatino familiar. Uma moradora de rua solitária. Um passeio por Copacabana. Um fã fervoroso de Clarice Lispector. Um casal em sua primeira viagem. Um lar em guerra.
Imersos na elogiada atmosfera da ficção de Chico Buarque, caracterizada pela agudeza da observação e a oposição frequente entre o poético e o cômico, os oito contos que formam este volume conduzem o leitor pela sordidez e o patético da condição humana. Com alusões ocasionais à barbárie do presente, o autor ergue um labirinto de surpresas, em que o sexo, a perversidade, o desalento e o delírio são elementos constitutivos da trama.
Em Anos de chumbo, Chico Buarque põe seu conhecido domínio da linguagem a serviço da concisão da forma. O resultado é arrebatador.

187 pages, Paperback

First published October 22, 2021

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About the author

Chico Buarque

36 books500 followers
Francisco Buarque de Hollanda is popularly known as Chico Buarque, is a singer, guitarist, composer, dramatist, writer and poet. He is best known for his music, which often includes social, economic and cultural commentary on Brazil and Rio de Janeiro in particular.

Son of the academic Sérgio Buarque de Hollanda, Buarque lived in several locations throughout his childhood, though mostly in Rio de Janeiro, São Paulo and Italy. He wrote and studied literature as a child and came to music through the bossa nova compositions of João Gilberto. He performed music throughout the 1960s as well as writing a play that was deemed dangerous by the Brazilian military dictatorship of the time. Buarque, along with several of his fellow musicians, were threatened by the government and eventually left Brazil in 1970. He moved to Italy again. However, he came back to Brazil in 1971, one year before the others, and continued to record albums, perform, and write, though much of his material was not allowed by government censors. He released several more albums in the 1980s and published three novels in the 1990s and 2000s, all of which were acclaimed critically.

Buarque came from a privileged intellectual family background—his father Sérgio Buarque de Holanda was a well-known historian, sociologist and journalist and his mother Maria Amélia Cesário Alvim was a painter and pianist. He is also brother of the singer Miucha. As a child, he was impressed by the musical style of bossa nova, specifically the work of Tom Jobim and João Gilberto. He was also interested in writing, composing his first short story at 18 years old[1] and studying European literature, also at a young age.[2] One of his most consuming interests, however, was playing soccer, beginning at age four, which he still does today.[2] Though he was born in Rio de Janeiro, Buarque spent much of his childhood in Rio de Janeiro, São Paulo and Italy.

Before becoming a musician, Buarque decided at one point to study architecture at the University of São Paulo, but this choice did not lead to a career in that field; for Buarque often skipped classes.

He made his public debut as musician and composer in 1964, rapidly building his reputation at music festivals and television variety shows when bossa nova rhythm came to light and Nara Leão recorded three of his songs.[3] His eponymous debut album exemplified his future work, with catchy sambas characterized by inventive wordplay and an undercurrent of nostalgic tragedy. Buarque had his first hit with "A Banda" in 1966, written about a marching band, and soon released several more singles. Although playing bossa nova, during his career, samba and Música Popular Brasileira would also be widely explored. Despite that, Buarque was criticized by two of the leading musicians at the time,Caetano Veloso and Gilberto Gil as they believed his musical style was overly conservative.[3] However, an existentially themed play that Buarque wrote and composed in 1968, Roda Viva ("Live Cycle"), was frowned upon by the military government and Buarque served a short prison sentence because of it.[3] He left Brazil for Italy for 18 months in 1970, returning to write his first novel in 1972, which was not targeted by censors.

http://www.jobim.org/chico/

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Community Reviews

5 stars
213 (21%)
4 stars
387 (39%)
3 stars
305 (31%)
2 stars
62 (6%)
1 star
8 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 102 reviews
Profile Image for Bernardo Duque.
32 reviews1 follower
November 1, 2021
Chico como escritor é um ótimo compositor.

Tem 2 ou 3 contos bons no livro, mas o resto deixa bastante a desejar. Já tinha lido um romance dele - que também não tinha gostado -, mas fiquei interessado nesse novo por ser um livro de contos. Não superou minhas expectativas.

O título também me fez esperar que pelo menos alguns dos contos se passassem durante a ditadura, mas só a última história se dá nessa época.

Mesmo assim eu provavelmente vou insistir mais uma vez e ler outro livro dele em algum momento futuro, porque o cara é o Chico.
Profile Image for Isadora Urbano.
42 reviews5 followers
November 18, 2021
Leitura rápida e fácil. Alguns contos são muito bons, outros nem tanto. Gostei especialmente de Os primos de Campos, Para Clarice Lispector e O sítio, não gostei tanto de Meu tio e Anos de chumbo, por serem meio chapados, e achei O passaporte, Cida e Copacabana interessantes, especialmente esse último. :-)
Profile Image for Francisco Miranda.
10 reviews1 follower
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March 9, 2022
gostei bastante. contos que são leves e que não o são. bonitos mas cheios de intenção. textos escritos na terceira pessoa que às vezes parecem mais pessoais que autorretratos. no geral, uma leitura prazerosa.
Profile Image for Ricardo Silvestre.
207 reviews36 followers
September 22, 2024
Tive alguma reticência em ler Chico Buarque e, embora não saiba explicar muito bem a razão, tenho para mim que é um bom compositor, reconhece-lhe talento e o enorme contributo para a música brasileira. É estranha a reticência.
Acontece com ele o mesmo que acontece com outro compositor, desta vez português, por quem tenho também o maior respeito: Sérgio Godinho. Gosto da forma como escrevem, mas prefiro ouvir as suas canções quando interpretadas por outras pessoas.
Talvez venha daqui a reticência…

Certo é que fui adiando a obra literária de Chico até que ao comentar um post da @ler.pensar.e.sentir sobre um outro livro, pedi-lhe uma sugestão de leitura e a Janete, benevolente como só ela, sugeriu-me este. Fiquei realmente curioso, procurei-o na biblioteca e no dia seguinte estava a começá-lo. E gostei muito.

Um livro de contos, uns mais engraçados que outros mas todos eles com um presente tom cómico. Não fazia ideia que Chico Buarque tinha uma veia cómica tão apurada pois sempre o considerei como alguém mais interventivo e de “cara fechada”. Ainda que a comédia também possa ser interventiva, não o via nesses moldes. Alguns dos contos que compõem este título são puro deleite, como é o caso de ‘O Passaporte’ onde as peripécias em torno da perda do dito documento num aeroporto são puro deleite. Destaco também os contos ‘Os Primos de Campos’ e ‘Cida’ que em conjunto com o ‘Passaporte’ fazem o meu top 3.
A escrita é simples, porém bonita e muito visual. É fácil acompanhar a trama e construir os palcos onde tudo acontece, num Rio de Janeiro onde não faltam personagens interessantes a quem nos dá muito prazer em seguir.

E agora, que livro de Chico Buarque deverei ler a seguir?
279 reviews
January 2, 2022
Buarque dispara ideias e palavras como tiros de salva. Ouvem-se e esquecem-se num instante, mas dão muito gozo durante a leitura. Uma escrita que se situa algures entre o realismo mágico e o realismo mórbido. E que desperta a vontade de aceder a outros títulos do autor.
Profile Image for Diogo Castanheira.
26 reviews1 follower
March 11, 2022
Neste primeiro contacto com a obra literária do Chico Buarque, o que mais me agradou foi a naturalidade com que ele veste a pele de criança para escrever sobre o que uma criança não compreende. Absoluto banger
Profile Image for Gabrielle Cunha.
434 reviews117 followers
January 20, 2022
Gostei bastante de "o passaporte", "os primos de Campos" e "o sítio". Especialmente dos desfechos.
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
October 16, 2024
Alguns contos estão mais para crônicas, e talvez funcionassem melhor assim. É um livro bem escrito e fácil de ler, tem seus momentos, mas a gente espera mais de um cara como Chico Buarque...
Profile Image for Laura Peconick.
128 reviews6 followers
December 9, 2021
4,5 na verdade! Perdeu meio ponto só pq não amei todos os contos, mas é bem bom!
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
166 reviews40 followers
May 21, 2025
falo com propriedade: tem que ser muito cretino pra dizer que, como escritor, Chico Buarque é um ótimo compositor. de uma cretinice tremenda. além de excelente romancista (“Budapeste” é uma das melhores coisas que já li), é um contista de mão cheia. que surpresa luminosa esse livro, que me lembrou, mesmo que de leve, o primeiro romance do Chico, “estorvo”.
Profile Image for Healthy Dose of Self-Destruction.
496 reviews3 followers
December 4, 2023
★★★★★★✩✩✩✩
6/10 Um pouco bom
Superestimado. Estes mesmos contos, não houvessem sido escritos pelo brilhante compositor Chico Buarque, não receberiam tantos elogios. Há boas histórias (O Passaporte, O Sítio, Anos de Chumbo), outras não passam de medianas. Destacam-se (negativamente, pois constrangedoras de tão artificiais) algumas passagens que pretendem "denunciar o racismo na sociedade brasileira", como a do filho de mulato que, renegando a própria ascendência, integra grupo de extermínio de pretos na região periférica em que vive na capital fluminense, ou a do branco cujas costas "de pobre, apinhadas de cravos, espinhas, quistos e furúnculos" - repulsivas, enfim - seriam invejadas pelos "filhos das empregadas" que, "com séculos de bordoadas no lombo, talvez não hesitassem em trocar sua pele marrom por uma vermelhenta e sebácea". A nota 6 se deve às narrativas cujos títulos destaquei e à bela edição da Companhia das Letras; os outros cinco contos são ruins ou, no máximo, medíocres.
Profile Image for Luiz Fujita Junior.
104 reviews1 follower
November 18, 2021
Achei muito bom e bastante diverso tanto quanto a estilo como quanto a temas. Deu a impressão que o Chico quis dar vazão a uma violência que não costumo ver nas obras dele, certamente, como o último conto (que dá título ao livro) deixa claro, motivado pelas circunstâncias políticas atuais. Mas há também histórias bem-humoradas como a do passaporte, oníricas como a de Pablo Neruda e a de Clarice Lispector e realistas como a dos primos e a do sítio (minha preferida). Leitura rapidíssima, dá até pra ler na livraria (e, gostando, comprar mesmo assim).
1 review
May 27, 2024
Deixou a desejar, Chico Buarque tem tantos contos fantásticos com contos horrendos neste livro, também acho que a ordenação dos contos não foi a melhor, começar com “o meu tio” que para mim foi o pior conto do livro e com um tema sem sentido foi uma decisão má entre muitas.

“Passaporte”, “copacabana”, “para clarice lispector” foram os meus contos favoritos, fáceis e rápidos de ler mas com uma escrita muito rica. Tenho pena do nome do livro ser anos de chumbo, dá a ideia de essa ser a temática do livro, no entanto é o menor conto e dos que eu considero dos piores.

Quero ainda dizer que copacabana tem um charme único, parece que estamos realmente a sonhar ao lado do “protagonista” e acontece coisas aleatórias que realmente acontecem nos sonhos.
Profile Image for Natalia Alves.
55 reviews
January 13, 2022
Leitura rápida e fácil. Muito diferente dos romances do autor, o que me fez, em alguns momentos, esquecer de quem eram aquelas palavras simples… aqueles parágrafos modestos. Talvez, seja essa simplicidade em organizar as histórias que faz dos contos um livro potente. Chico, na sua genialidade, faz das palavras simples o caminho para uma narrativa dura. E sempre me impressiona.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
March 6, 2022
Não é correcto dizer que nunca li nada de Chico Buarque. Autor e intérprete de canções que marcam várias gerações, são dele poemas tão intensos e belos como “Caçada”, “Sem Açucar”, “O Que Será (À Flor da Pele)”, “O Meu Amor”, “Folhetim��, “A Banda”, “Construção” ou “Geni e o Zepelim”, que muitos de nós serão capazes de recitar sem hesitações da primeira à última estrofe. Neste início de ano, porém, calhou de sentir vontade de ver Chico Buarque para além das suas canções, elegendo para tal “Anos de Chumbo e Outros Contos”, oitavo livro da “maturidade de Chico”. Conjunto de oito contos ditados ao correr da pena, súmula das vivências e dos sonhos que acompanham Chico Buarque desde a adolescência, o livro revela-se uma agradável surpresa, quer pela diversidade de histórias, quer pelo jeito muito particular de as contar, com leveza mas, sobretudo, com imensa graça.

Detenho-me em “Para Clarice Lispector, com Candura”, um dos contos deste livro. Não o faço por acaso. Ter lido muito recentemente “Todas as Crónicas”, livro onde se reúnem as colaborações de Clarice Lispector com vários orgãos da imprensa brasileira, faz-me ter muito presente a admiração que a escritora nutria pelo cantor, alvo de referências várias nos seus textos. Este conto de Chico Buarque surge em forma de retribuição e agradecimento, mas é também uma homenagem a Clarice. Encarnando a personagem de um jovem aprendiz de poeta a quem a escritora dá guarida, acolhendo-o em sua casa e propondo-se rever os seus poemas, Chico Buarque revela o quanto de dúbio pode haver numa relação. Para quem conhece minimamente Lispector e a sua mundividência, quanto mais não seja pela leitura das crónicas, encontra neste conto uma contextualização muito particular, da mão direita horrivelmente queimada ao retrato de De Chirico, da criada despedida à nova cozinheira de mão-cheia, dos quiproquós com a editora por causa da pontuação ao seu desejo de “alimentar todas as crianças famintas, abrigar todas as criaturas abandonadas do Brasil”.

Embora se perceba que nem todos os contos têm a mesma qualidade, são em número superior aqueles que se revelam preciosos, contribuindo para que o livro seja merecedor de leitura atenta. Entre estes, não posso deixar de destacar “Copacabana”, um conto que nos revela o cosmopolitismo de uma cidade como o Rio de Janeiro nos anos 60 e o “sonho acordado” de um jovem de dezasseis anos que se cruza com Ava Gardner e Richard Burton, Romy Schneider e John Huston, os escritores Pablo Neruda e Jorge Luís Borges. Por outro lado, “O Passaporte” é um caricatural auto-retrato de um Chico Buarque enquanto “grande artista”, a braços com as reacções de um público que o odeia mais do que o ama. Se vemos num conto uma imensa ternura, logo outro nos revela o sentido mais perverso do ser humano. A pureza e a sordidez misturam-se no espaço de um parágrafo, evidenciando um olhar agudo sobre a sociedade, um apurado sentido crítico e um forte domínio da linguagem por parte do seu autor. Ler “Anos de Chumbo e Outros Contos” não será nunca tempo perdido.
Profile Image for karine.
30 reviews
September 14, 2023
não me sinto disposta a comentar sobre, mas é o livro indicado da uerj, né.
Profile Image for Harvey Hênio.
636 reviews2 followers
December 22, 2021
Francisco Buarque de Holanda nasceu no ano de 1944 no Rio de Janeiro. Pertence a uma família que tem fortes ligações com o mundo cultural, acadêmico e intelectual (é filho do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda e sobrinho do filólogo Aurélio Buarque de Holanda). Chegou a cursar três anos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, mas, influenciado por João Gilberto, iniciou uma estrelada e aclamada carreira na música popular brasileira compondo e cantando clássicos como “A banda”, “Apesar de você”, “Construção”, “Cálice”, “Geni e o Zeppellin”, “Olhos nos olhos”, “Gota d´água”, “O que será”, “Roda viva”, “Quem te viu, quem te vê” e muitos outros. Chico Buarque destacou-se também como dramaturgo participando ativamente da elaboração de sucessos como “Roda viva”, “Calabar”, “Gota d´água” e “Ópera do malandro”. Estreou na literatura em 1974 com “Fazenda Modelo” e desde então escreveu os aclamados “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste”, “Leite derramado”, “O irmão alemão” e “Essa gente”. Em 2019 Chico Buarque recebeu o Prêmio Camões de Literatura pelo conjunto da obra.
“Anos de Chumbo” é seu primeiro livro de contos e o resultado é excelente.
Nos seus oito contos, assim como em seus romances e letras de canções, o escritor enxerga o seu amado país com um olhar arguto e crítico e em seus enredos, assim como em sua obra, o Brasil é retratado com um misto indisfarçável de “fascínio e horror” como disse Bia Abramo, jornalista e escritora, em seu artigo sobre “Anos de Chumbo” publicado na edição de dezembro da revista “451”.
Difícil “ranquear” os contos. Todos são excelentes e de leitura obrigatória para todos aqueles interessados em histórias bem contadas. “Meu tio” choca pela violência implícita e explícita vivida por uma menina entregue pelos pais “aos cuidados” de um miliciano que a mima e adula e ao mesmo tempo a transforma em seu objeto/fetiche sexual. “O passaporte” – um dos mais fortes candidatos a melhor conto do livro – narra a história de um artista que, de voo marcado para Paris e já no aeroporto, repentinamente dá falta de seu passaporte e mergulha numa espiral algo surrealista e “felliniana” de horror, suspeita e vingança. Em “Os primos de Campos” um jovem narrador passa a reparar que os primos que ele recebe sempre nas férias carregam consigo uma história que traz em seu âmago um terrível segredo de família. “Copacabana” traz uma história de um passeio pelo famoso bairro carioca com toques nostálgicos e oníricos. Em “O sítio” um casal se forma praticamente para se isolar em uma região erma como forma de escapar da pandemia. A vida bucólica do casal repentinamente se desfaz quando o homem se vê dominado por forte ciúme que o faz desejar prolongar o isolamento. “Cida” traz a melancólica história de um homem que se apieda/encanta por uma moradora de rua que elabora uma intrincada fantasia para justificar seu abandono e solidão. “Para Clarice Lispector com candura” narra uma algo atormentada história em que a obsessão de um jovem candidato a escritor por Clarice Lispector a transforma numa espécie de espectro que trafega pelo conto como um personagem ao mesmo tempo onipresente e fantasmagórico. O conto final - “Anos de Chumbo” – nos traz a história de um garoto vítima da poliomielite que começa a perceber, em meio a um cotidiano repleto de referências aterrorizantes, toda a violência, intolerância e horror ligados à Ditadura Militar Brasileira (1964/1985).
Excelente pedida!
Profile Image for Rita Fontinha.
9 reviews1 follower
January 21, 2022
Histórias do dia-a-dia, que umas mais cómicas que outras podem e acontecem neste mundo.
Fez-me rir, nunca tinha lido nada do Chico Buarque. Gostei!
Profile Image for Lucas Oliveira.
8 reviews1 follower
December 24, 2021
Que Chico é um excelente escritor, compositor e musicista, já sei. E muito bem. Adoro seus álbuns, e adoro seus romances que já tive a oportunidade de ler. Também adoro contos e histórias curtas; a coletânea de contos de Clarice Lispector (logo ela!) acabou se tornando um dos meus livros favoritos. Tudo isso reunido, estava com altas expectativas para essa publicação e, como não raro é o caso quando nos enchemos de antecipação, acabei me decepcionando.

A escrita é bonita, e o livro é de fácil e rápida leitura (a diagramação faz parecer que há muito mais conteúdo do que efetivamente há), mas, para mim, a experiência acabou sendo vazia demais. As ideias estão presentes: gosto do título, gosto de como a realidade retratada nos contos parece sugerir que, talvez, ainda estejamos nos anos de chumbo, uma versão reeditada e bizarramente diferente, mas profundamente de chumbo, de toda forma.

É a execução que me incomoda: não senti fluidez nos contos, e poucas das histórias apresentadas foram realmente envolventes. É difícil deixar de comparar com romances como "Estorvo" ou, até mesmo, "Leite Derramado", cativantes desde a primeira página e muito bem conduzidos. Entendo o propósito de contos como "Meu Tio", "Os Primos de Campos" e o epônimo "Anos de Chumbo", mas nenhuma dessas leituras me despertou qualquer reação, seja emocional ou física, o que surpreende, dado o extremo desconforto e horror narrado nessas histórias.

Fiquei muito mais acalorado por "O Passaporte" (adorei a narrativa de vingança e paranoia, e o tom humorístico e escatológico foram o toque certo para esse conto) e "Para Clarice Lispector, com candura" (que lê mais como um panegírico que qualquer outra coisa). Achei "O Sítio" (especialmente a ideia, um casal que se isola para fugir de uma pandemia) e "Cida" divertidinhos, mas nada genial, e, honestamente, não os releria.

Tudo isso para dizer que continuo um grande fã de Chico e que, talvez, eu tenha me aproximado desse livro com expectativas demais. É claro que não estou dizendo que a experiência de leitura foi ruim, nada do tipo. Chico é um escrito experiente e maneja as palavras muito bem. Todavia, infelizmente, dessa vez, ele não me cativou.
42 reviews1 follower
November 8, 2021
Muitos bons contos. Eu esperava pelo título contos sobre a ditadura. A maioria deles não é e isso é evidente na primeira frase de cada, mas os eixos temáticos de desigualdade social, indiferença urbana, e violência juntam o contexto contemporâneo e o nosso passado autoritário. Fica à interpretação do leitor a relação de cada conto com um tema central. Eles são bem diferentes, mas o tom melancólico e com algum humor negro se mantém. Os temas também não se prendem à experiência de celebridade musical do Chico; não são diretamente autobriográficos e sedimentam a pluralidade do autor. Sei lá, gostei. Boas pílulas para pensar e sentir.
Profile Image for bruna.
18 reviews
November 14, 2024
A escrita do Chico é muito intrigante, gostosa e leve de ler, a ambientação e as premissas criadas por ele são muito boas. Mas confesso que em alguns contos como O Sítio e Os primos de Campos, infelizmente as temáticas e a organização do conto tornaram a leitura bagunçada e decepcionante no final. Eu sinto que em alguns escritos ele consegue prender o leitor e trazer um final chocante e reflexivo, mas em outros a confusão reina. A experiência foi muito boa e quero ler outras obras dele. Talvez seja um erro de leitora leiga não ter compreendido todas as premissas? Pode ser... Mas Chico não erra na escrita e criatividade é o que não falta nesta seleção!

Ordem de preferência:
1 - Anos de Chumbo
2- Meu tio
3- Cida
4- Para Clarice Lispector
5- Os primos de Campos
6- O Sítio
7- O Passaporte
8- Copacabana
Profile Image for João Affonso.
Author 7 books10 followers
November 10, 2021
O maior poeta da música brasileira quase que vem cuspindo fogo pelas ventas... Sobra para Minions, tiozões hipócritas, milicos... A bile explode do texto, de forma contida, e por isso ainda mais ferina, pois vem sem deixar de lado nem por um minuto a inteligência, a classe, a categoria! Um livro para destroçar com este país desgovernado, para escancarar as mazelas de uma sociedade cínica, egoísta, doente... Chico Buarque não está pra brincadeiras... Quem acha que Roger Waters não devia tratar de política, vai ficar até sem ar, pq nem disso Chico pode ser acusado, tamanha a elegância e a perspicácia do texto... Uma pequena obra-prima!
Profile Image for Carol.
6 reviews
January 30, 2022
Ainda considero Budapeste meu livro favorito do Chico mas admito que adorei essa faceta de contista. Todos os contos tem em comum o abuso do poder (alô bolsonarismo!!) e apesar de parecer pelo título um livro sobre a ditadura brasileira, as histórias transitam por diversos tempos e temas. Muita Ironia, sarcasmo e metáforas, destaque especial para os contos que eu mais gostei: “Anos de chumbo”, o “Para Clarice Lispector com candura” e “O sítio”. Foi delicioso passar o final de semana acompanhada dessas histórias!
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