Esta antologia, vencedora do Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa (2022), compõe-se de quinze autores portugueses, visando divulgar o trabalho de novos escritores no género do terror. Com histórias que vão do psicológico ao sobrenatural, do demoníaco literal ao demónio em forma humana, pretende-se que os leitores possam conhecer um pouco mais destes autores que aqui se estreiam, bem como promover a literatura de terror em língua portuguesa, que, tal como algumas das personagens que nesta obra se ilustram, tanto precisa de sangue novo.
Pedro Lucas Martins was born in Lisbon, Portugal, in 1983. In 2007, he won the first CTLX/MOTELX writing contest, publishing his short story, 'O Carrinho de Mão' (The Wheelbarrow), in the anthology 'Contos de Terror do Homem-Peixe' (Tales of Terror of the Fish Man). In 2018, he won the first edition of the António de Macedo Award, with his first novel, 'As Sombras de Lázaro' (The Shadows of Lazarus). This novel also won the Great Adamastor Award for Portuguese Fantastic Fiction, in 2020. In 2024, he published the collection of short stories 'A Volta no Caixão' (The Turn in the Coffin). He has also been published in other anthologies and magazines, and is mainly dedicated to horror fiction. Aside from writing, he works as a translator, as a proofreader and as a researcher in the fields of Education and Sociolinguistics.
Embora o género de terror não seja aquele que mais facilmente me atrai, também é verdade que não digo que não a uma história mais estranha.
Nesta antologia, com histórias de autores que nunca tinha ouvido falar, há um pouco de tudo. Não adorei todos os contos, houve um ou outro que ainda me fizeram rir, mas há aqui coisas muito boas. Grande ideia do Pedro Lucas Martins!
Histórias de sombra e de assombração. De medo, mistério e sobrenatural. De enigmas e impossíveis. E de sangue, claro, sangue novo em múltiplos sentidos. Eis a base de uma antologia em que basta a capa para chamar a atenção. Mas não fica por aí. De todo. Antes de passarmos ao... sangue, digamos assim, no cerne desta antologia, importa referir dois rápidos aspetos: a introdução, que explica um pouco a ideia das sua origens; e a organização, que, além de tornar o livro visualmente mais apelativo, apresenta um pouco as mentes por trás das histórias, o que é sempre interessante. Avançando então para a alma do livro, o primeiro conto é Pestinhas, de Cláudio André Redondo, história dos efeitos dramáticos da privação de sono sobre a racionalidade de um pai de gémeos. Muito breve, mas carregadinho de tensão, destaca-se sobretudo pelo contraste entre visões do sobrenatural e demónios bem reais. Segue-se Tarde de Verão, de Ricardo Alfaia. Ainda mais breve, esta história de uma mosca a bater contra o vidro destaca-se pela capacidade de surpreender em tão poucos parágrafos. Pouco é desvendado sobre o como e o porquê, mas a reviravolta não deixa, ainda assim, de ser forte. Praga, de Sandra Henriques, fala de uma possível invasão de estranhas criaturas, de natureza indefinida, mas de evidente brutalidade. Embora deixando algumas perguntas sem resposta, o que contribui também para adensar o mistério, trata-se de uma história cativante, cheia de tensão e bastante eficaz na construção da sensação ominosa que envolve todo o percurso. Já O Manicómio das Mães, de Liliana Duarte Pereira, conta a história de um hospital psiquiátrico para mães obcecadas pelos filhos. Singular e intrigante, parte de uma certa estranheza para traçar depois um crescendo de intensidade que culmina num final poderoso e revelador. Conta Comigo, de Martina Mendes, fala de um aniversário e do pior tipo de monstros - os que vivem na realidade. Intenso, marca um ritmo forte na forma direta que tem de contar a história, evocando ao mesmo tempo uma sensação de horror visceral e uma reflexão sobre o que esconde nas sombras de vidas aparentemente normais. Segue-se Labirinto, de Paulo A. M. Oliveira, história de um hotel abandonado e dos perigos que se escondem nos seus labirínticos corredores. Com uma aura de horror clássico e um crescendo de intensidade que culmina num final surpreendente, ainda que ligeiramente ambíguo, trata-se de uma história tão misteriosa quanto cativante. Godigana, de Maria Varanda, fala de um aparente caso de polícia que esconde verdades mais sombrias e de difícil explicação. Verdadeiramente arrepiante, não só pela história propriamente dita, mas sobretudo pela tensão que emana da escrita, tem nas diferentes perspetivas e no contraste entre as sombras de cada uma delas uma força poderosa. Já O Devorador de Sonhos, de Marta Nazaré, conta a história da origem dos pesadelos, num conto inesperadamente leve e carregadinho de magia, com um toque de inocência e de ternura a dar luz a esta aventura de terrores literários. Bom Trabalho, de José Maria Covas, é a muito breve história de uma loja de decoração com produtos singulares. Deixa inevitavelmente uma certa curiosidade sobre a particularidades da loja, mas a concisão do conto tem também o efeito de intensificar o choque, o que torna tudo mais surpreendente. Sonhei com uma Linha Vermelha, de Madalena Feliciano Santos, fala de um misterioso sonho com consequências devastadoras na realidade. Além de ser um dos contos mais longos do livro, é um dos que mais prolonga a aura de mistério, construindo uma base sobrenatural singular cujos contornos têm muito de inesperado. Já Amor, de Patrícia Sá, conta a história da perda de um ente querido e da presença que persiste no local outrora habitado. Marcante sobretudo pela fusão de nostalgia e ternura com aspetos mais sombrios, trata-se de um conto com um cerne essencialmente inocente, mas também bastante intenso e cheio de tensão. Segue-se A Mais Bela Profissão, de Sandra Amado, história de um encontro fugaz de consequências dramáticas. Muito breve e escrito num registo bastante direto, sobressai acima de tudo pela capacidade de gerar tanta surpresa em tão poucas páginas. Ritos, de Vanessa Barroca dos Reis, fala da perda de uma esposa, dos rituais do luto e da sua consumação em formas inesperadas. Mais pausado do que os contos anteriores, e também mais introspetivo, tem na forma como explora a desorientação do luto, e também as suas facetas pessoais, a sua grande força. E, feito mais de pequenas perceções do que de acontecimentos dramáticos, acaba por surpreender também pela sua medida de serenidade. O Palco Vazio, de Susana Silva, fala do que parece ser um vago apocalipse e do consequente mundo deserto por onde alguém vagueia. Com uma voz muito própria e um registo algo ambíguo, trata-se de um conto construído à base de impressões, deixando por isso muito em aberto, mas também uma intrigante sensação onírica. Finalmente, A Tradição, de Francisco Horta, conta a história de um marido com más notícias para dar à mulher e de uma sombria tradição que tem de ser cumprida a todo o custo. Particularmente eficaz na aura de mistério, mas notável também pela forma direta de narrar as coisas, sobressai pelo contraste e pela capacidade de surpreender. Com um conjunto diverso mas coeso de contos, registos bastante distintos mas sempre cativantes e uma bela conjugação de surpresas notáveis, a impressão que fica desta antologia é inevitavelmente muito positiva. Cada conto cativa à sua maneira, e são vários os que se entranham na memória. E assim, eis uma boa palavra para resumir este livro: memorável.
Antes do mais meus parabéns, é bom saber que há autores de terror em Portugal e isso apraz-me muito tendo em conta que é o género que cultivo e escrevo. Não farei spoilers mas só tenho a dizer que estou profundamente agradado com a qualidade das histórias, tanto estou que vou reler o livro, espero que seja a primeira de muitas antologias do género em Portugal e quem sabe fazer uma Antologia Ibérica do género.
Esta é uma antologia com 15 novos autores portugueses na área do terror e eu não posso deixar de a recomendar.
Enquanto lia, dei por mim a pensar “este é o meu favorito até agora” e, pouco tempo depois, “não, este é que é”. E isto aconteceu-me várias vezes. Mais do que duas, mais do que três, mais do que quatro.
Se adorei todos? Não. Nem nunca tal me aconteceu num livro de contos. Às vezes, é o tema da história que não me cativa, outras é o estilo da escrita que não me toca no coração — faz parte também. Mas li histórias muito boas e, em 15 contos diferentes, temos a vantagem de ter muitos estilos diferentes e de ser fácil encontrar aquelas que nos prendem a atenção. E, tal como o título nos indica, soube bem ler coisas diferentes, ouvir vozes diferentes — conhecer as histórias que têm para contar.
Vou estar atenta a estes autores e ler o que mais quiserem partilhar ❤️
A antologia Sangue Novo é uma lufada de ar fresco para o terror e produções portuguesas. Esta reúne diversos autores talentosos com diferentes backgrounds, produzindo um livro com contos e formas de escrita distintos que tem algo para toda a gente: gosta de coisas mais gory? Surrealista? de fantasia? de humor no seu terror? O livro tem isto tudo e muito mais! Tudo isto acompanhado de arte incrível
Um conjunto de histórias arrepiantes que ficam na memória muito após a sua leitura, muito distintas mas todas cativantes à sua maneira. Um livro além disso muito interessante ao nível visual pelas suas ilustrações, e que nos apresenta uma amostra muito bem conseguida do melhor que o terror português tem para nos oferecer. Recomendo vivamente (ou talvez funestamente!) a sua leitura.
Esta antologia acompanhou o meu reconhecimento de terror como género favorito na minha escrita. Como livro, é uma excelente mostra do que há de novo em Portugal no género. Alguns dos contos permanecem comigo. E adoro ler o que estes autores vão produzindo! Venham mais sustos.