Logo no início senti-me muito desiludida. O estilo de escrita é bastante descritivo, não deixa nada à descoberta, o que me desapontou bastante. Eu gosto de livros que deixam, ao leitor, um papel mais ativo. As personagens são exaustivamente descritas, quer fisicamente, quer em termos psicológicos, quer mesmo em termos da sua história. Os locais são também muito descritos e até mesmo os sentimentos que os personagens têm ao longo dos diálogos não os apreendemos como fruto da nossa interpretação de leitor, mas são nos transmitidos, pormenor por pormenor, pela autora. Enfim, nada é deixado ao livre pensamento do leitor e só isso para mim já retira bastante prazer à leitura.
A história é muito ligeira. Não o conteúdo da história, mas digamos os floreados. Ou seja, Danielle mostra-nos personagens perfeitas. São excelentes pessoas, muito competentes, muito bonitas. São casais que quando entram num restaurante todos param para olhar o belo casal, enfim... É tudo idílico de uma forma muito conservadora.
A história, no entanto, no seu cerne é interessante, principalmente porque a autora se debruça sobre o tema da paternidade/maternidade de uma forma muito realista. Diferentes perspectivas, muitos problemas, opções de abordagem e de resolução diferentes. A este nível gostei da estrutura da história e deixa-me a esperança que sobre outro tema, aqueles aspetos dos quais não gostei possam ser atenuados.