De onde viemos? Como surgiu o mundo? De onde veio a humanidade? Essas são perguntas que nos intrigam desde os primórdios, e nada melhor do que os deuses para resolver as nossas angústias, trazendo respostas e sentido para a realidade em que vivemos.
Carlos Ruas pesquisou vários criacionismos pelo mundo, desde os mais comuns, como o Gênesis bíblico, quanto os mais exóticos, como o da tribo das Ilhas Banks, no arquipélago de Vanuatu, na Oceania, e escolheu os 12 mais interessantes para serem representados em seu livro.
Além do consagrado traço de Ruas, o livro reúne mais 12 artistas do cenário nacional dos quadrinhos para ilustrar cada um dos criacionismos selecionados, tornando o projeto ainda mais diverso, criativo e original.
Tudo se passa no famoso “buteco dos deuses” após uma confusão de quem seria o único e verdadeiro Deus criador. A partir desse impasse, eles decidem competir entre si contando as próprias versões da origem do mundo a dois mortais, que devem votar na melhor história. Os jurados selecionados foram George Lematrê, que teorizou o big bang e Charles Darwin, que teorizou a seleção natural. Além de terem a responsabilidade de escolher qual será o vencedor, ambos entram no jogo e dão as suas contribuições, explicando de forma cientifica o que sabemos hoje sobre a origem da vida e do cosmo.
Adorei a edição, muito bem feita, artistas excelentes. Acredito que poderiam ter chamado um profissional historiador para consulta, além dos profissionais de biologia/física. Tem alguns pontos que poderiam ser revisados em relação a isso, como o mapa de migrações e outras coisas mais.
A obra examina a busca ancestral da humanidade por respostas acerca da origem da existência e da estrutura do cosmos. O livro propõe uma reflexão sobre a necessidade biológica e evolutiva do cérebro humano em buscar padrões, atribuir sentido à realidade e organizar o ambiente ao redor para encontrar estabilidade psicológica e social. Sob essa perspectiva, analisa-se como diferentes civilizações ao longo da história desenvolveram cosmogonia e mitos de criação próprios para explicar fenômenos naturais, como trovões, quedas d'água e ciclos terrestres, estabelecendo formas de conexão cultural e tentativas de controle simbólico sobre o mundo. A narrativa contrapõe a prevalência de narrativas helenísticas e abraâmicas no Ocidente à vasta diversidade de visões cosmológicas existentes globalmente. Explora-se a riqueza poética e filosófica de doze mitologias distintas, demonstrando como cada povo construiu respostas singulares para os mistérios da vida. A cosmogonia egípcia, por exemplo, conceitua o universo como uma abóbada demarcada pela deusa dos céus, Nut, mantida separada do deus da terra, Geb, pela ação constante do deus do ar, Shu, em decorrência de um conflito afetivo. Em contrapartida, a tradição iorubá narra o processo de moldagem da humanidade por Oxalá, que após sucessivas tentativas com elementos como ar, fogo e madeira, recorre à lama do fundo das águas concedida por Nanã, estabelecendo a inevitabilidade do retorno final à terra como uma devolução da matéria original. Entre as concepções orientais, destaca-se a mitologia chinesa primordial centralizada na figura de Pangu, narrativa na qual o universo nasce do rompimento de um ovo cósmico primordial. O conceito antecipa simbolicamente noções de ordenamento de forças opostas e complementares, onde os elementos mais densos e pesados formam o solo e os mais leves ascendem para constituir os céus. O esforço contínuo da divindade para manter a separação dos firmamentos resulta na transformação final de seu próprio corpo nos elementos constitutivos do planeta — como montanhas, rios e astros —, situando a existência humana em um patamar de relativa modéstia na teia do ecossistema. O texto repassa também as dinâmicas dos deuses nórdicos e gregos, marcados por rivalidades, sentimentos ambíguos e imperfeições que serviam como lições morais para as sociedades que os cultuavam. A par dessas tradições mitológicas, a obra aborda a emergência da investigação científica moderna desenvolvida nos últimos séculos. A ciência é apresentada como uma metodologia contemporânea que busca desvendar o surgimento do universo e da matéria a partir de evidências empíricas e teorias cosmológicas recentes. A coexistência entre os relatos míticos e o conhecimento científico reforça a percepção do indivíduo enquanto um ser dotado de consciência reflexiva, cuja existência representa uma breve janela temporal em um cosmos em permanente expansão e transformação.
Tive a oportunidade de adquiri-la com o próprio a Carlos Ruas.
Ele disse que me agradaria por "acreditarmos na ciência".
Mas acho que é mais que isso.
Embora ambientado no Boteco dos Deuses, a criação do mundo sob a ótica de 12 diferentes religiões é feita de forma respeitosa, cada qual com peso similar inclusive com a própria ciência que aparece em pé de igualdade com os demais mitos sobre o início dos tempos.
"De onde viemos?" do Ruas é uma leitura e ilustração leve, que apresenta a visão do criacionismo por vários deuses. É tudo feito de maneira muito respeitosa e leve, acrescentando o método cientifico na visão de mundo e a importância da tolerância á pluraridade religiosa!
Não é composto por um artista solo, são mais de 20 pessoas evolvidas nessa verdadeira obra de arte. Indico a todos, 119 páginas de entretenimento e conhecimento garantido
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Um belo livro de tirinhas que faz um resumão de diversos mitos de criação. Foi feita uma pesquisa bem legal para gerar esse material, acabei conhecendo mitologias que nunca tinha ouvido falar. E a estratégia de ter artes diferentes para cada deus foi muito boa. Algo que vale a pena ler e vale a pena ter em casa.
Se tem uma coisa que eu não canso de enaltecer é a qualidade dos quadrinhos brasileiros. Um gênero que eu não costumava consumir, mas meu filho viciado em HQ me fez mergulhar nesse mundo. E a cada dia descubro um novo quadrinho nacional que me faz pirar. O post de hoje é sobre um deles. 📚 “De onde viemos? Para responder essa pergunta, Carlos Ruas apresenta ao leitor a criação do mundo contada por diferentes religiões e mitologias, desde a mais comum, como a cristã, até as mais exóticas, como a do povo das ilhas banks, no arquipélago de Vanuatu. São 12 mitos desenhados por 12 super artistas selecionados. Além disso, o livro também oferece uma introdução à ciência, apresentando como o mundo surgiu por este ponto de vista.” Essa sinopse da editora ilustra bem do que se trata o livro, mas não chega aos pés da genialidade com que Carlos Ruas entrega um texto enxuto, engraçado, cheio de trocadilhos e ao mesmo tempo super informativo. 📚 Além da originalidade de fazer um apanhado de religiões e mitologias com ilustradores convidados que transformam as histórias em um deleite pros olhos, quando chega na parte da ciência é que a história chega no ápice. Entra em cena Charles Darwin, que apresenta sua teoria da seleção natural com a ajuda de um companheiro que tem o papel de questionar seus argumentos: o Ornitorrinco Negacionista. 🤣
A briga dos deuses e entidades com os cientistas é hilária! E uma ácida crítica a quem refuta a ciência em prol de crenças (e fake news). Se liga nesse diálogo:
Zeus: “Eles (os cientistas) estão nos enrolando! E vcs estão acreditando neles!”
Darwin: “É que a ciência não é questão de acreditar, entende?”
Zeus: “Ousam interromper um Deus?” E parte pra ameaça com um trovão. (típico 🤣) 📚 Um livro SENSACIONAL, pra crianças e adultos, que não só abre inúmeras conversas sobre religião, ciência, diversidade e tolerância, como também vai fazer o leitor gargalhar.