Com lançamento da Boitempo Editorial, chega às livrarias A linguagem do Império - léxico da ideologia estadunidense, obra mais recente do filósofo italiano Domenico Losurdo. Estudioso de Gramsci, Nietszche e Heidegger mas também crítico do pensamento liberal suposta e pretensamente universalista, o autor busca neste livro definir raízes, bases e fronteiras do discurso ideológico estadunidense, que atualmente dirige suas armas para o chamado Oriente.Segundo Losurdo, os Estados Unidos utilizam-se de categorias como 'terrorismo', 'fundamentalismo', 'ódio ao Ocidente' e 'antiamericanismo' como 'armas de guerra' para rotular não só seus inimigos como também os que não mostram disposição em cerrar fileiras neste combate aos que ameaçam seu modelo de sociedade. O autor parte exatamente da origem histórica e filosófica destas categorias para fundamentar sua análise do atual contexto, no qual 'tudo não passa de uma linguagem, um discurso que busca justificar a pretensão de um domínio universal', como aponta na orelha Marcos Del Roio, livre-docente em Ciência Política na UNESP.'Quem não estiver com a América é automaticamente inimigo da paz e da civilização', aponta Losurdo, que busca nesta importante obra refletir sobre os perigos desta política, a partir da qual 'a lista dos possíveis alvos pode ser continuamente atualizada e aumentada'.
Domenico Losurdo (14 November 1941 – 28 June 2018) was an Italian Marxist philosopher and historian better known for his critique of anti-communism, colonialism, imperialism, the European tradition of liberalism and the concept of totalitarianism.
He was director of the Institute of Philosophical and Pedagogical Sciences at the University of Urbino, where he taught history of philosophy as Dean at the Faculty of Educational Sciences. Since 1988, Losurdo was president of the Hegelian International Association Hegel-Marx for Dialectical Thought. He was also a member of the Leibniz Society of Sciences in Berlin (an association in the tradition of Gottfried Wilhelm Leibniz's Prussian Academy of Sciences) as well as director of the Marx XXI political-cultural association.
From communist militancy to the condemnation of American imperialism and the study of the African-American and Native American question, Losurdo was also a participant in national and international politics.
Aqui, Losurdo demonstra mais uma vez como toda ideologia de guerra precisa estar ancorada em mitos. Em geral, esses mitos operam por meio de termos próprios, obscuros e polissêmicos, que são usados como ferramentas para justificar o domínio sobre outros grupos étnicos.
Mas, é claro, Losurdo sabe – e nos mostra com didatismo e fontes facilmente verificáveis – que tais mitos não resistem a uma análise histórica rigorosa.
É impressionante ver como termos mitológicos e teológicos empregados pelos EUA e pelo Ocidente – como "fundamentalismo", "terrorismo" e "antiamericanismo" – são desmontados. Porém, o choque maior veio ao descobrir:
A coleção de crânios de japoneses por soldados estadunidenses durante a Segunda Guerra;
A simpatia do Ocidente pelo nazismo antes do confronto com a URSS;
E, sobretudo, a influência do sionismo de Herzl no alto oficialato nazista, que também cativou figuras colonizadoras como Rhodes e Guilherme II. Afinal, muitos antissemitas viam no sionismo uma "solução": a criação de um Estado judaico que expurgasse os judeus da Europa, negando-lhes cidadania em seus países de origem.
Hoje, a máquina de guerra pós-11 de Setembro projeta sua força ideológica no Oriente Médio, usando "fundamentalismo" e "terrorismo" para combater tudo que se opõe a outras invenções mitológicas, como "democracia" e "livre mercado". No fundo, como revela Losurdo, os alicerces dessa ideologia belicista não são lógicos, mas teológicos – baseados numa "excomunhão" daqueles que desafiam os "valores ocidentais", historicamente ligados à supremacia branca.