Tamara tem algumas reflexões importantes sobre ser mulher, sobre a vida. Continuei lendo o livro querendo saber mais dos sentimentos dela, da viagem, das conquistas e medos.
O ponto negativo é que achei o formato um tanto confuso. Além disso, não sou fã desse tipo de poesia, o que deixou o livro cansativo muitas vezes. Mas isso é mais sobre mim do que sobre o livro.
Infelizmente, é difícil para mim também ignorar o pai de Tamara, que para mim é alguém desprezível como pai. Nossas experiências de vida nos tornam quem somos, mas a sensação é realmente de que Tamara é a mulher corajosa e incrível que se tornou APESAR dele. Não vejo como forma de tough love o que o Amyr Klink faz e é narrado no livro. Vejo como covardia, abuso, pettiness, tortura emocional. Mas aí o livro encerra com palavras dele, que vendo de fora me soaram vazias, a existência delas no livro, como a Tâmara ainda buscando aprovação do pai. E aí a gente lembra que o livro trata de pessoas reais e que por mais que por tantas vezes nossos pais não sejam o que gostaríamos, a gente ainda tem amor por eles e os vemos por lentes de afeto, diferentemente de alguém que está vendo de fora.
Uma das coisas mais bonitas do livro também é a relação de Tamara com as mulheres de sua vida, o que só torna ainda mais evidente para mim o quanto que nós mulheres precisamos umas das outras, o quanto que é importante nutrir esses relacionamentos.
Esse livro me trouxe também a certeza de que tudo que lemos, lemos pelas lentes da nossa própria vivência. Por isso o relacionamento de Tamara com o pai me marcou tanto, assim como o relacionamento dela com a mãe, avó e irmãs. Assim como a coragem de Tamara (mulher, jovem, desacolhida), de entrar nessa jornada. Uma mulher notável.